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Amputação sem anestesia

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 15/09/2011 14h00, última modificação 16/09/2011 11h48
Políticos e analistas dão a Grécia como caso perdido. A questão é se sua quebra vai arrastar outros países e a própria União Europeia

Emblemática da arrogância alemã – e digna de um prêmio Ig Nobel da Paz – é a sugestão encampada pelo comissário para a Energia da União Europeia, o alemão Günther Oettinger, numa entrevista ao jornal Bild: as bandeiras dos países com dívida excessiva deveriam ficar a meio pau nos edifícios da União Europeia, como “símbolo dissuasor”. O passo seguinte seria exigir que os naturais dos países em questão usassem estrelas amarelas? Trata-se de adular o complexo de superioridade do eleitor alemão à custa da Europa.

O núcleo da política da Alemanha (apoiada por Holanda, Áustria e Finlândia) para com os países endividados não tem sido muito mais sensato. Tem o mesmo sentido: mais importante que ter qualquer parte do dinheiro de volta é fazer o devedor sofrer. A “austeridade” que lhes impõe na atual conjuntura de estagnação mundial derruba ainda mais a sua atividade econômica e a arrecadação de impostos, agravando o problema do déficit público. Ao mesmo tempo, a Alemanha insiste em superávits no comércio exterior, o que implica déficits comerciais aos parceiros europeus que absorvem a maior parte de suas exportações – pois é impraticável impô-los, digamos, à China.

Se há um déficit externo, contabilmente há um déficit interno, no setor público ou no setor privado – e o setor público tende a absorvê-lo para evitar o mal maior, o colapso do setor privado. Logo, desde 2008, são simétricos os déficits em conta corrente da Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, e os montantes que o Bundesbank (banco central alemão) tem a receber de outros bancos centrais.*

*Leia a íntegra da matéria na edição 664 de CartaCapital, nas bancas nesta sexta-feira 16

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