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Aliado de Assad pode ter desertado para a Turquia

por Redação Carta Capital — publicado 05/07/2012 18h22, última modificação 06/06/2015 17h29
Possível fuga deve piorar ainda mais as relações entre a Síria e a Turquia
TURKEY-SYRIA-CONFLICT-PLANE-MILITARY

Equipamentos dos pilotos turcos abatidos em 22 de junho são exibidos. Os corpos foram encontrados nesta quinta-feira 5. Foto: AFP

Relatos ainda não confirmados indicam que o ditador da Síria, Bashar al-Assad, pode ter perdido um de seus principais auxiliares, em mais um duro golpe contra seu governo. Segundo a rede de TV árabe Al-Arabiya, Manaf Tlass, amigo de Assad e filho do ex-ministro da Defesa Mustafa Tlass, desertou há dois dias e cruzou a fronteira com a Turquia. Um site de oposição baseado em Damasco, a capital da Síria, disse ter confirmado a informação com uma fonte "de alto nível" dentro das forças de segurança sírias.

Tlass era comandante de uma unidade de elite no Exército da Síria e tinha uma longa relação com a família Assad. Mustafa, seu pai, era amigo e o braço-direito de Hafez al-Assad, o pai de Bashar e ditador da Síria antes de seu filho. Tlass também poderia ajudar Assad caso, eventualmente, o ditador decidisse parar a violenta repressão contra seus opositores e buscar algum tipo de saída política. A família Tlass é sunita, assim como a grande maioria da população síria e dos opositores de Assad. O ditador, por sua vez, é alawita, outra corrente do Islã.

A possível deserção de Tlass para a Turquia deve agravar ainda mais a situação da relação bilateral entre os dois países. Aliada de Assad até o início dos protestos, em março de 2011, a Turquia rompeu com o ditador diante das inúmeras atrocidades cometidas por seus comandados. Hoje há milhares de refugiados sírios, inclusive desertores militares, vivendo na fronteira com a Turquia. O país também é base para grupos opositores organizados anti-Assad.

Nesta quinta-feira, a Turquia confirmou que os corpos dos dois pilotos mortos por um míssil sírio em 22 de junho foram encontrados. O navio Nautilus, pertencente à companhia do norte-americano Robert Ballard, famoso por ter encontrado os destroços do Titanic, encontrou os corpos nas proximidades da costa síria. De acordo com o governo da Turquia, o jato RF-4 foi abatido em espaço aéreo internacional, mas a Síria e relatos da imprensa, inclusive norte-americana, dão conta de que a aeronave estava em espaço aéreo turco.

Nas últimas semanas, cresceu a possibilidade de que, se houver uma intervenção estrangeira na Síria, ela seja realizada em parceria pela Turquia e pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A ONU vem perdendo espaço como foro de debate por conta da ferrenha oposição de Rússia e China a uma intervenção na Síria.

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