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Internacional

Guerra Fria

Alemanha relembra 50 anos da construção do Muro de Berlim

por Agência Brasil publicado 13/08/2011 11h20, última modificação 14/09/2015 20h51
22 anos depois de ser derrubado, ainda é símbolo das divisões econômicas internas do país; 136 pessoas morreram ao tentar atravessá-lo

A Alemanha lembra neste sábado (13) os 50 anos desde a construção do Muro de Berlim, quando o leste – controlado pelo governo socialista, aliado da União Soviética - fechou suas fronteiras, dividindo a cidade em dois lados durante 28 anos. A cerimônia teve leitura dos nomes de 136 berlinenses que morreram tentando cruzar o muro.

O presidente da Alemanha, Christian Wulff, disse que o muro faz parte da história e que o país está estabelecido em segurança como uma nação unificada. A construção da barreira remete aos primeiros anos da Guerra Fria, quando Berlim Ocidental era o caminho escolhido por milhares de berlinenses orientais para fugir rumo à democracia do Oeste.

Em resposta, autoridades da Alemanha Oriental construíram, na noite de 13 de agosto de 1961, uma muralha que rodeava totalmente o lado ocidental da cidade. Pelas três décadas seguintes, Berlim se tornou um ponto de ebulição da Guerra Fria. Apesar de a barreira ter sido derrubada em 1989, ela é considerada até hoje um símbolo de divisões econômicas na Alemanha.

Em cerimônia deste sábado, o prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, disse que muro não deve ser esquecido. Em uma cerimônia em Bernauer, rua que ficou conhecida por ter sido dividida pelo muro (e que hoje abriga um memorial), ele disse que a cidade está relembrando neste sábado “seu dia mais triste na história recente”. “É nossa responsabilidade comum manter vivas as memórias e passá-las às próximas gerações, para manter a liberdade e a democracia e para evitar que injustiças não voltem a ocorrer.”

Segundo especialistas, o muro teve um impacto fortíssimo na cidade, deixando alguns de seus moradores abalados pela sensação de aprisionamento. Alguns guardam as cicatrizes psicológicas até hoje. É o caso de Gitta Heinrich, que atualmente não tem muros ao redor de sua casa. A proteção de seu terreno é feita com árvores e arbustos no lugar de concreto e pedras. Dentro de casa, ela mantém as portas entre os cômodos sempre abertas. Nas ruas, evita espaços confinados em que haja multidões.

Gitta é da pequena vila de Klein-Glicenicke, nos arredores de Berlim, por onde passou o muro, transformando o local em uma ilha da Alemanha Oriental presa dentro de Berlim Ocidental. Quando o muro foi derrubado, ela foi submetida a uma consulta médica, porque se sentia ansiosa e angustiada. Seu diagnóstico: "Mauerkrankheit", ou “doença do muro”.

*publicado originalmente pela Agência Brasil

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