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Alemanha celebra os 20 anos da reunificação

por Opera Mundi — publicado 03/10/2010 21h21, última modificação 05/10/2010 20h18
Em uma mensagem de vídeo, Merkel, que cresceu na então Alemanha Oriental, afirma que, assim como a maioria dos compatriotas, foi surpreendida pela rapidez da reunificação do país menos de um ano depois da queda do Muro de Berlim
Alemanha celebra 20 anos da reunificação

A chanceler alemã Angela Merkel. Foto: AFP

A chanceler alemã Angela Merkel celebrou neste domingo (3/9) a solidariedade nacional que permitiu a reconstrução do leste da Alemanha depois da reunificação do país há 20 anos. Em uma mensagem de vídeo, Merkel, que cresceu na então Alemanha Oriental, afirma que, assim como a maioria dos compatriotas, foi surpreendida pela rapidez da reunificação do país menos de um ano depois da queda do Muro de Berlim.

"Para os habitantes da antiga RDA (República Democrática da Alemanha, Oriental) quase tudo mudou", reconheceu Merkel. Ela admitiu, porém que a reestruturação da economia planejada da RDA provocou uma forte alta do desemprego no Leste, mas acrescentou que o índice está em “constante diminuição”.

Perda de população - O desemprego na área da antiga Alemanha Oriental é de 11%, contra apenas 6,2% na área da então Alemanha Ocidental. Além disso, a extinta República Democrática Alemã (RDA) perdeu 1,7 milhões de habitantes, segundo um relatório especial do Escritório Federal de Estatística, realizado por ocasião do 20º aniversário da reunificação alemã, neste domingo. A perda de população - que desceu 11,7% desde 1990 no oriente, enquanto no ocidente cresceu 6,5% - tem a ver principalmente com a emigração dos jovens rumo ao ocidente do país ou ao exterior em busca de melhores possibilidades de trabalho.

Outro fator que contribuiu para a diminuição da população foi a baixa da taxa de natalidade, mais acentuada nos estados orientais, onde caiu 38%, enquanto na zona ocidental a diminuição foi de 22%. A queda da natalidade no oriente foi especialmente forte nos quatro anos imediatamente posteriores à reunificação, quando desceu 44%. Segundo o relatório, isso se deve à insegurança pelas transformações radicais vividas nesses momentos.

Diferenças econômicas - Com o título "20 anos de unidade alemã - Desejo ou realidade", o documento constata que o nível salarial no oriente do país (antiga RDA) equivale atualmente a três quartos do Ocidente. Este último dado, baseado em estatísticas de 2009, é relativizado por conta do progresso registrado desde 1991, quando o nível salarial dos alemães do oriente não era sequer metade dos do ocidente. Mesmo com o avanço, o relatório indica que os primeiros 20 anos de unidade alemã foram marcados pelas diferenças econômicas entre as duas partes.

Apesar de todas as diferenças que seguem sendo tema de discussão na Alemanha, há também dados que mostram um processo de equiparação das condições de vida. As despesas em bens de consumo no oriente alcançam atualmente 80% dos do ocidente e, segundo o relatório, as vendas de eletrodomésticos e outros aparelhos costumam ser quase iguais nas duas partes do país. Só nas secadoras de roupa se mantém uma clara diferença: enquanto 42% das famílias no ocidente têm o aparelho, apenas 22% dos domicílios do oriente os utilizam.

*Matéria originalmente publicada no Opera Mundi

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