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Desastre natural

Acesso a área afetada por tufão desafia ajuda externa

por Deustche Welle — publicado 11/11/2013 14h45, última modificação 11/11/2013 14h57
Milhões de pessoas foram atingidas pela destruição do tufão Haiyan. Governo filipino calcula 10 mil mortos
Noel Celis / AFP
Filipinas

Tufão devastou localidades inteiras. Imagens de destruição lembram tsunami de 2004

A ajuda internacional começa a chegar às Filipinas, três dias depois da passagem do tufão Haiyan pela região central do país, onde o cenário é de destruição total. O Ministério do Exterior filipino informou em Manila nesta segunda-feira (11/11) que 22 estados, além de União Europeia e Taiwan, ofereceram apoio ao arquipélago no Sudeste Asiático afetado pelo megafuracão.

A ajuda inclui envio de equipes de salvamento e de médicos, fornecimento de comida, água, barracas, cobertores e outros suprimentos, além do envio de vacinas e medicamentos, assim como a disponibilização de navios e aeronaves e também de doações em dinheiro.

Na noite de domingo, um Airbus chegou da Alemanha a Manila levando 25 toneladas de suprimentos de emergência. A bordo do avião, estavam 5.400 cobertores, 3 mil lonas e tendas, assim como equipamentos médicos de emergência. O pacote de ajuda foi enviado pelas instituições de caridade alemãs World Vision e ISAR Germany (International Search and Rescue), em cooperação com a Lufthansa. Além da Alemanha, Bélgica, Hungria, Israel, Japão, Malásia, Rússia, Turquia e EUA enviaram equipes de resgate.

A organização Médicos Sem Fronteiras comunicou que está enviando cerca de 200 toneladas de material médico para tratar ferimentos, vacinas contra tétano, tendas de campanha e produtos de higiene, além de uma equipe de 30 médicos, psicólogos e pessoal logístico.

Destruição lembra tsunami de 2004
Na primeira noite após o que já está sendo considerado o pior desastre natural já registrado nas Filipinas, o coordenador do escritório de Socorro de Urgência das Nações Unidas em Manila, David Carden, fazia uma primeira avaliação da situação. Durante a conversa telefônica, a tensão podia ser claramente ouvida na voz dele. "O governo filipino agora diz que mais de nove milhões de pessoas foram afetadas pelo tufão."

Vários integrantes de equipes de resgate relatam que a destruição faz lembrar o tsunami de 2004, que devastou os países banhados pelo Oceano Índico. "Nos próximos dias, todo tipo de ajuda será necessário", afirma Carden. "Desde estações de tratamento de água, passando por alimentos e abrigos de emergência."

Os maiores desafios são a complexidade da situação e a falta de acesso às áreas afetadas. "Precisamos de seis horas para transpor os 11 quilômetros entre o aeroporto de Tacloban e o centro da cidade", informa Carden.

A localidade, com 220 mil habitantes, está situada na ilha oriental de Samar e é uma das regiões mais atingidas – o Haiyan atingiu a cidade com rajadas de vento de até 315 quilômetros por hora. Um funcionário do governo disse que a destruição atinge 80% das estruturas em Tacloban, para onde as autoridades também enviaram tropas do Exército e policiais para as áreas mais afetadas, para garantir a segurança e impedir saques.

"Em algumas partes do país ainda não temos sequer acesso, como, por exemplo, onde o tufão chegou primeiro", ressalta o funcionário da ONU.

O tufão arrasou cidades e bairros inteiros, a maioria das estradas está intransitável, ​​redes de energia e comunicação entraram em colapso. Vários relatos da imprensa informam que pessoas vagam entre os escombros em busca de comida, saqueadores invadiram várias lojas em Tacloban.

Depois de passar pelas Filipinas, o Haiyan se dirige agora para o Vietnã, onde as autoridades evacuaram 600 mil pessoas. Segundo metereologistas, o furacão perdeu força, mas mudou de direção – o que poderia aumentar a área que atingirá no Vietnã de nove para 15 províncias. Também nesta segunda, segundo a imprensa oficial chinesa, pelo menos seis pessoas morreram no país após a passagem do tufão.

Pelo menos 10 mil mortos
Este é um dos maiores desastres naturais nas Filipinas há décadas. "Somente de Tacloban, a Cruz Vermelha informou que mais de 1.200 pessoas morreram. Mas contamos que esse número seja ainda maior", sublinhou Carden. O governo filipino avalia o número de mortos em pelo menos 10 mil. A estimativa oficial também pode aumentar, dizem observadores.

Agora, equipes de resgate tentam ajudar os sobreviventes. As ONGs World Vision Philippines, Cáritas Philippinen e Cáritas USA estiveram entre as primeiras que enviaram ajuda.

A Comissão Europeia prometeu três milhões de euros, a embaixada dos EUA disponibilizou quase 75 mil euros em ajuda emergencial. Também o papa Francisco anunciou nesta segunda-feira uma "primeira contribuição" de 150 mil dólares para auxiliar as populações afetadas pelo furacão.

A Cáritas alemã, a aliança humanitária alemã Aktion Deutschland Hilft e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) pedem doações. Uma equipe médica de 24 integrantes da organização ISAR Germany está a caminho de Manila.

Ajuda da Alemanha
O presidente alemão, Joachim Gauck, se mostrou muito preocupado e expressou suas condolências a seus homólogos do Sudeste Asiático. "Com extraordinário pesar recebi as notícias sobre as milhares de mortes e inúmeros feridos", diz um comunicado da Presidência divulgado no domingo. O ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, prometeu uma ajuda de emergência de 500 mil euros.

O primeiro passo foi dado pela organização estatal alemã Technisches Hilfswerk (THW), de assistência em situações de catástrofe, que enviou uma equipe de avaliação a Manila, como confirmou o porta-voz da instituição, Nicolas Hefner, em entrevista à DW. "Após o desembarque, a equipe irá a regiões afetadas, a fim de avaliar as opções de ajuda e para determinar até que ponto o governo alemão pode ajudar". A THW trabalha principalmente em áreas de elevado conhecimento técnico, como tratamento de água e recuperação de infraestrutura, incluindo a limpeza de poços contaminados e a construção de alojamentos temporários.

Toda a coordenação dos trabalhos será feita em estreita cooperação com as autoridades locais. "A supervisão ficará a cargo das autoridades filipinas, já que Manila não foi muito atingida, e os serviços locais de proteção civil continuam funcionando. Forças militares e policiais foram mobilizadas para ajudar na região do desastre. Nada será feito sem autorização das autoridades locais", assegurou Hefner, ressaltando ser importante que não haja mal-entendidos políticos que possam prejudicar a população.

  • Autoria Rodion Ebbighausen (md)
  • Edição Renate Krieger

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