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AIEA encontrou urânio enriquecido a nível alto no Irã

por Redação Carta Capital — publicado 25/05/2012 18h12, última modificação 06/06/2015 18h14
Teerã alega que produção não foi intencional, mas descoberta deve aumentar a pressão internacional

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) descobriu em uma instalação nuclear subterrânea de Fordo, no Irã, traços de urânio enriquecido a um nível de pureza superior ao que o governo iraniano anunciava até aqui como seu limite. A informação está em um relatório da AIEA ao qual a agência a AFP teve acesso nesta sexta-feira 26.

Até aqui, o Irã dizia ter enriquecido urânio até 20% de pureza. Os resultados das análises de amostras obtidas em Fordo no dia 15 de fevereiro de 2012 "mostraram a presença de partículas cujos níveis de enriquecimento atingiam 27%", indica a AIEA nesse documento. O Irã explicou que a produção dessas partículas "talvez esteja ligada a razões independentes ao controle do operador" da usina, situada 150 km ao sul de Teerã. A AIEA coletou mais material em Fordo e pediu mais detalhes ao Irã sobre os procedimentos que ocorreram na instalação, segundo o texto do relatório.

Os 27% de enriquecimento permanecem bem abaixo dos 90% necessários para a fabricação de uma arma atômica, mas a notícia de que o Irã pode ter avançado seu processo de enriquecimento de urânio pode ter resultados desastrosos do ponto de vista diplomático. A descoberta do material, se confirmada, deve aumentar a desconfiança sobre o Irã.

O enriquecimento de urânio a 20% está no centro do debate entre Teerã e as grandes potências, retomado nesta semana em Bagdá, no Iraque. As potências suspeitam que o Irã queira produzir um arsenal nuclear, apesar de o país ter negado essa acusação em diversas oportunidades. Oficialmente, o Irã diz que faz pesquisas nucleares para geração de energia elétrica e pesquisas médicas. Seis resoluções da ONU condenaram o Irã e seu programa nuclear, das quais quatro geraram sanções, principalmente em razão das atividades de enriquecimento.

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