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Acrobacias sem rede

por Redação Carta Capital — publicado 11/08/2011 08h34, última modificação 12/08/2011 11h39
O problema é que os governos não têm mais fôlego para salvar os bancos de si mesmos
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O presidente dos EUA, Barack Obama. AFP PHOTO/Jim WATSON

Reação exagerada ao rebaixamento da dívida dos Estados Unidos de AAA para AA+ por uma agência de classificação de risco de histórico duvidoso? Talvez, mas foi necessária a petulância da Standard & Poor’s para fazer os investidores caírem das nuvens do otimismo exagerado ante a economia dos EUA e da Europa.

E a reação de Barack Obama e seus auxiliares à reclassificação dos
T-bonds- foi ainda mais excessiva. Ao insistir em que os EUA “sempre serão um país AAA”, o presidente pareceu o dirigente de um time rebaixado para a Segunda Divisão. Se teve algum efeito, foi o de fazer o caso parecer mais importante do que poderia ser. A S&P rebaixou a dívida do Japão três degraus desde 2001 (de AAA para AA-) e nem por isso seus juros subiram ou houve dificuldade em rolar essa dívida. É instrutivo, de qualquer forma, ver o governo dos EUA destrinchar sem piedade o “método” dessas agências, que estava acima de qualquer suspeita quando era usado apenas contra países periféricos.

A S&P criticou o acordo no Congresso para elevação do teto da dívida por prever uma redução do déficit fiscal em 2,4 trilhões de dólares nos próximos dez anos, quando, a seu ver, seria necessário reduzi-lo em 4 trilhões. Mas se enganou em 2 trilhões de dólares quanto à projeção da dívida para daqui a dez anos, por confundir dois cenários discutidos pela agência de orçamento do Congresso – erro compreensível num não especialista, mas difícil de aceitar num analista que se debruçasse cuidadosamente sobre os cálculos. Em vez de uma dívida de 20,1 trilhões (85% do PIB) consistente com o cenário em que os gastos discricionários do governo acompanhassem apenas a inflação, como considerava a agência, falou em 22,1 trilhões (93% do PIB), número tirado de outro cenário em que os gastos acompanhariam o PIB. O erro apontado pela Casa Branca foi admitido, mas isso não alterou a decisão.

Confira matéria na íntegra na Edição 659 de CartaCapital, já nas bancas.

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