Você está aqui: Página Inicial / Internacional / A praga dos bancos

Internacional

Europa

A praga dos bancos

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 17/11/2010 16h40, última modificação 19/11/2010 16h44
Como Portugal, a Irlanda pode perder soberania econômica e sofrer uma versão moderna da Grande Fome causada por um fungo nas batatas nos anos 1840
materia3

Ministros na UE: Elena Salgado e Teixeira dos Santos

Como Portugal, a Irlanda pode perder soberania econômica e sofrer uma versão moderna da Grande Fome causada por um fungo nas batatas nos anos 1840

Antes de entrar na reunião dos ministros das Finanças europeus em Bruxelas, em 16 de novembro, o português Fernando Teixeira dos Santos disse aos jornalistas: “Portugal é diferente da Irlanda”. E sua colega espanhola, Elena Salgado, ressaltou “a Espanha é diferente de Portugal e da Irlanda”.

De fato, as situações das economias fragilizadas da periferia europeia são diferentes. Mas os analistas do mercado estão pouco atentos às dissemelhanças entre os processos que causaram as respectivas dificuldades, como também pouco se importavam com as diferenças entre Indonésia e Coreia do Sul, Brasil e Rússia, ou México e Argentina: querem apenas saber quanto a volatilidade pode lhes render ou custar a curto prazo. E a receita prescrita a todo o paciente, seja qual for seu histórico ou sua doença, é a mesma, sangria. Também conhecida como ajuste fiscal e “austeridade”.

Não que sangrias os sosseguem: os fazem ansiar por mais, como vampiros. A Irlanda,  severamente atingida pela crise financeira já em 2008, quando foi obrigada a resgatar os  bancos superdimensionados por uma década de euro e desregulamentação que os incentivou a jogar com a crise imobiliária, começou logo a cortar gastos públicos, mas nem por isso recebeu compaixão. Os juros cobrados para renovação de sua dívida, semelhantes aos da Espanha em outubro de 2008, passaram a praticamente igualar Portugal desde abril de 2010 e tornaram-se distintamente piores a partir de meados de outubro. Estão hoje em 8% anuais, o que mais que dobraria o valor do débito em dez anos.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 623, já nas bancas.

registrado em: