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A omissão da Onu

por Coluna do Leitor — publicado 06/02/2011 13h47, última modificação 06/02/2011 13h47
Para a leitora Christiane Falcão a Organização das Nações Unidas tem se restringido a dar declarações dúbias de apoio ao povo egípcio

Por Christiane Falcão*
Por dez dias o povo do Egito enfrenta a cara de pau e a violência do seu atual presidente e ditador por mais de 30 anos, Hosni Mubarak, sob os olhos da comunidade internacional. Só sob os olhares mesmo. A Organização das Nações Unidas tem se restringido a dar declarações dúbias de apoio ao povo egípcio. Assim como nos incidentes em Ruanda na década de 1990, estaria o Conselho de Segurança da Onu se esquivando de participação nesse importante momento político na nação egípcia?
Mesmo antes da eclosão dos movimentos populares dos últimos dias na Tunísia, Egito, Jordânia e Yemên, já eram claros alguns sinais de oposição popular, e a organização no encontro do Conselho de Segurança, realizado em dezembro na Bósnia, não tinha em pauta a possibilidade desses acontecimentos, o que deixa claro que as revoluções populares nos países árabes no início de 2011 se deu de forma surpreendente, como analisa o correspondente do Washington Post, Colum Lynch.
Lynch também afirma que o envolvimento da organização pode ser mal recebido no país, assim como a presença das Forças de Paz da Onu já tem fortes expressões de desagrado em países como Haiti e Costa do Marfim. Já em Nova York, militantes realizaram protestos em frente à sede da Onu, pedindo que a dita comunidade internacional se pronuncie mais efetivamente e faça pressão para que Mubarak deixe o Egito.
Diante de um currículo vergonhoso de omissão em alguns acontecimentos históricos, me pergunto a quem serve o Conselho de Segurança da Onu, ou a própria organização em si? A luta pela paz e pelos direitos humanos há muito tem na Onu sua referência, mas em quais critérios a organização delibera participação? Não é suficiente o número de mortos e a violência dos últimos dois dias? Quanto mais a população do Egito terá de sofrer para que a solidariedade que nos une como “homo sapiens” chegará?
O canal Euronews hoje trazia comentários sobre o cansaço de alguns manifestantes, a quantidade de feridos, o uso de armas e carros da polícia egípcia por parte dos ditos pro-Mubarak, se referindo ainda aos riscos de falta de comida e água para a população anti-Mubarak. Talvez seja essa a estratégia de “terra arrasada” mais uma vez até que se estabeleça um plano B dos interessados na estabilidade e controle do Egito, e que se dê ao povo migalhas de democracia. Não é ao menos contraditório que a equipe da Onu seja maior nos Estados Unidos que em qualquer outra nação? Longe de defender uma extinção da organização, algumas evidências são claras sobre a necessidade de uma categórica reforma. Retórica nenhuma pode apagar não só esses últimos dez dias, mas os últimos 30 anos no Egito.

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