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A nova Abu Ghraib?

por Redação Carta Capital — publicado 29/03/2011 18h31, última modificação 31/03/2011 09h20
Imagens reveladas pela Der Spiegel e pela Rolling Stone mostram soldados americanos sorrindo ao lado de vítimas civis e exibindo-as como troféus
A nova Abu Ghraib?

Imagens reveladas pela Der Spiegel e pela Rolling Stone mostram soldados americanos sorrindo ao lado de vítimas civis e exibindo-as como troféus. Da Redação

Imagens reveladas pela Der Spiegel e pela Rolling Stone mostram soldados americanos sorrindo ao lado de vítimas civis e exibindo-as como troféus

“O plano era matar pessoas, senhor”. A frase foi dita pelo soldado Jeremy Morlock no início de seu julgamento pelo assassinato de três civis afegãos em de 2010. Morlock foi condenado, na última semana, em corte marcial a 24 anos de prisão após concordar em testemunhar contra outros envolvidos no caso de mortes de civis na província de Kandahar, Afeganistão. Militares do 3º Pelotão da Companhia Bravo supostamente compunham o chamado kill team (equipe da morte), denunciados pela revista alemã Der Spiegel na última semana. O veículo publicou três fotos em que soldados norteamericanos posam sorrindo ao lado de corpos de afegãos mortos, como se fossem troféus de guerra. No último domingo 27, a revista Rolling Stone publicou em seu site outras de 15 fotografias e a reportagem “Kill team: como soldados americanos no Afeganistão assassinaram civis inocentes e mutilaram seus corpos – e como seus oficias falharam em pará-los”.

Leia aqui a reportagem em inglês

Veja aqui as fotos (elas mostram cenas de violência explícita)

O teor das imagens foi rapidamente comparado ao escândalo da prisão iraquiana de Abu Ghraib. A própria Rolling Stones afirma que o exército dos EUA esforçou-se para manter as fotografias em segredo, buscando militares e familiares que as tinham salvo em seus computadores e confiscando-as. O Coronel Thomas Collins, do exército norteamericano, desculpou-se pelo sofrimento causado pelas fotografias da Der Spiegel. Elas “são repugnantes para nós enquanto seres humanos e contrárias aos procedimentos e valores dos Estados Unidos”. Collins é o responsável pela preparação das cortes marciais dos outros envolvidos no kill team. Com a reportagem da Rolling Stone, um novo pedido de desculpas, que prometeu uma busca “implacável” pela verdade, foi emitido.

Tensão entre governos
Líderes da coalizão da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) comandada pelos EUA no Afeganistão temem que as imagens aumentem a tensão com o governo de Cabul. “Apesar do declínio do número de vítimas civis causadas pelas forças da OTAN, o episódio abalou a reputação da coalizão e colocou o presidente Hamid Karzai na estranha posição de ter de explicar porque os aliados de seu país estão matando crianças e mulheres”, escreveu o The New York Times um dia após as primeiras imagens virem a público. A Der Spiegel escreveu, no dia 21, que o vicepresidente Joe Biden falou com Karzai sobre a situação e que o comandante de todas as tropas da OTAN no Afeganistão, general David Petraus, encontrou-se pessoalmente com presidente afegão. “As imagens têm um enorme potencial aqui no Afeganistão. Nossa experiência mostra que talvez demore alguns dias, mas a raiva da população ficará evidente”, disse à Der Spiegel um general da OTAN.

Gul Mudin
A reportagem da Rolling Stone descreve o assassinato de um adolescente de 15 anos chamado Gul Mudin. O garoto, que estava nas imediações da vila La Mohamad Kalay, foi surpreendido pelos soldados Jeremy Morlock e Andrew Holmes. Os militares então jogaram uma granada na direção de Mudin e abriram fogo. “Quando um sargento perguntou aos soldados o que tinha acontecido, Morlock disse que o garoto estava prestes a atacá-los com uma granada”, descreve a Rolling Stone. Durante seu julgamento em corte marcial, Jeremy Morlock confessou: “ele não era uma ameaça”. O dedo mindinho de Mudin foi cortado e guardado como troféu de guerra.

A revista diz ainda que nos meses seguintes ao assassinato outros quatro civis foram mortos. Em um dos casos, para simular um ataque, os norteamericanos puseram ao lado do corpo um fuzil Kalashnikov. Os editores das duas revistas não revelaram como tiveram acesso às fotos.

Foto: Bay Ismoyo/AFP

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