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Crise econômica

A Itália sob alerta

por Gabriel Bonis publicado 06/09/2011 18h01, última modificação 09/09/2011 10h34
Parlamento inicia debate sobre cortes de 45,5 bilhões de euros, enquanto greve de funcionários públicos paralisa o país e destaca a iminência do rebaixamento de sua dívida pública

Apontada por analistas como o próximo país europeu à beira do abismo, a Itália enfrenta a pressão dos vizinhos da zona do euro para promover reformas finaceiras a fim de evitar o mesmo destino de Irlanda, Portugal, Espanha e Grécia, que pecisaram recorrer ao FMI e à União Europeia para escapar de um colapso. Contudo, a terceira maior economia da Europa, conforme especialistas, não teria a mesma opção disponível.

Por isso, o Banco Central Europeu pediu ao país que implementasse o pacote de austeridade de 45,5 bilhões de euros (cerca de 106 bilhões de reais, o que representa quase quatro vezes o que o governo brasileiro pretende gastar em 2011 com o PAC 2, maior programa de infraestrutura do País), aprovado por decreto emergencial em agosto. Porém, o Parlamento, que ainda precisa aprovar em definitivo a medida, iniciou as discussões nesta terça-feira 6, em meio a uma greve geral de servidores públicos no país.

Convocada pela Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL), a maior federação sindical do país, a greve teve duração de oito horas - entre às 9h e 17h no horário local - e levou milhares de pessoas às ruas de cerca de cem cidades, além de paralisar centenas de vôos, estações de trem e ônibus e escritórios do governo.

Os trabalhadores protestavam contra as medidas de austeridade para diminuir a dívida pública de 1,9 trilhão de euros (4,4 trilhões de reais), ou cerca de 120% do PIB italiano – inferior apenas à da Grécia (150%) na zona do euro-, com cortes de gastos públicos, elevação de impostos aos mais ricos e ajustes nas pensões.

Os funcionários públicos consideram que são os mais prejudicados pelos cortes bilionários, inclusive com a aprovação de uma lei para facilitar as demissões no setor, que emprega cerca de 3,5 milhões de pessoas, segundo a Eurofound, fundação braço da União Europeia. Ao invés da pressão na área, eles pedem maior vigilância contra os sonegadores de impostos e a manutenção da estabilidade de seus empregos.

Devido às pressões, o Parlamento deve transformar em lei nesta semana uma versão melhorada da proposta original, redigida às pressas.

Segundo o sindicato, a greve teve adesão de 60% de diversos setores em todo o país até às 12h. Porém, o ministro de Administrações Públicas e Inovações, Renato Brunetta, apontou um índice de 4%.

Situação crítica

Os protestos também tiveram os bancos como alvo. Em Milão, o Unicredit, a mais importante entidade financeira da Itália, recebeu ataques de ovos, assim como a Banca Popolare di Novara. Na crise de 2008, o governo destinou ao menos 12 bilhões de euros (cerca de 30 bilhões de reais) em ajuda aos bancos do país.

A paralisação ocorre no momento em que especulçações no mercado financeiro apontam a iminência de um rebaixamento da dívida italiana pelas três principais agências de risco do mundo: Moody´s, Fitch e Standard and Poor´s.

Os rumores derrubaram os principais índices das Bolsas de Valores européias na segunda-feira 5. Londres, Frankfurt, Paris, Milão e Madri registraram baixas superiores a 3%.

Standard and Poor's e Moody's já haviam colocado a nota de crédito soberano da Itália em revisão em maio e junho. A última delas, inclusive, já anunciou que o rating italiano Aa2 está sob nova análise devido as atuais perspectivas econômicas e a capacidade do país em financiar a sua dívida.

Além disso, o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, mostrou-se preocupado com o crescimento das taxas de juros pagas pelos títulos da dívida pública em comparação aos da Alemanha.

A chanceler alemã Angela Merkel, inclusive, comparou a situação do aperto italiano às dificuldades da Grécia, que precisou de um aporte de 135 bilhões de euros (cerca de 314 bilhões de reais) em julho e passou por uma série de rebaixamentos nas notas dos títulos de sua dívida pública (CCC, pela Fitch).

A Itália registra índices de 8% de desemprego, de acordo com o boletim da Eurostat de julho, abaixo dos 10% da zona do euro. Porém, na faixa etária abaixo de 25 anos o país fica atrás apenas de Espanha, onde 46,2% dos jovens estão sem emprego, e da Irlanda (28,3%), com 27,6%.

Enquanto isso, o premier Silvio Berlusconi foi pego em uma esculta telefônica da Procuradoria de Nápoles, que investiga seus relacionamentos com prostitutas, dizendo que “dentro de alguns meses vou embora deste país de m… causa-me náusea, ponto e basta”.

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