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A Israel colonialista

por Willian Vieira — publicado 13/10/2010 15h00, última modificação 15/10/2010 15h04
Mais extremistas e dispostos ao confronto, os colonos judeus são um enorme entrave ao processo de paz na região
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Mais extremistas e dispostos ao confronto, os colonos judeus são um enorme entrave ao processo de paz na região

Está no antigo Testamento – Números, capítulo 34, versículos 1 a 12 –, que a Terra Prometida por Deus ao povo de Israel abarca todo o espaço entre o Egito, o Mediterrâneo e a Síria. É no que creem muitos dos que vivem nos assentamentos judaicos na Cisjordânia, terras em sua maioria ocupadas por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e cerne de um dos maiores imbróglios diplomáticos da História. Hoje vivem aqui, semeados entre 2 milhões de palestinos, 313 mil judeus, atraídos pela crença na hereditariedade da terra e pelo suporte financeiro do Estado. São gerações autóctones ou que migraram há cem anos, dez meses, dez dias. Longe do secularismo de Tel-Aviv, aqui se vive de crenças, sonhos e promessas.

“Você vai ter uma surpresa”, garante Chaim Moskovitz, de 21 anos, ao entrar no carro do casal de amigos rumo à colônia. Migrante dos EUA, o casal quer um lugar barato para criar o filho a caminho. “Há apartamentos novinhos na última seção de Efrat, com mercado, escola, sinagogas. Por que não mudar para Gush Etzion?” O nome, que suscita uma compilação bíblica – por aqui teriam passado Davi, os macabeus e o próprio Abraão –, batiza o bloco de colônias a 15 quilômetros de Jerusalém, onde os judeus, que vão e vêm desde 1925, se fixaram em 1967. Hoje são 60 mil em 18 comunidades, às quais se chega pelo túnel recém-construído para ligá-los à capital sem cruzar terras árabes. Percorre-se então a rodovia protegida por muros e sentinelas, acena-se aos guardas com metralhadoras M-26 na entrada e se chega a Efrat, onde 8 mil vivem em sete colinas da Judeia, entre as palmeiras e as casas de pedra de Jerusalém.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 618, já nas bancas.

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