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À espera do resgate, mineiros chilenos começam a receber água, alimentos e apoio psicológico

por Opera Mundi — publicado 24/08/2010 16h25, última modificação 24/08/2010 16h25
Os trabalhadoes estão em um abrigo de 25 metros quadrados a 700 metros de profundidade

Os trabalhadoes estão em um abrigo de 25 metros quadrados a 700 metros de profundidade

Por Marina Terra

Emocionandos, cantando o hino nacional chileno, os 33 mineiros presos há 17 dias em uma mina de ouro e cobre no norte do Chile fizeram o primeiro contato com voz com a superfície. Eles contaram que conseguiram sobreviver à base de atum, biscoitos, leite e água e pediram óculos para proteger os olhos. Agora, as autoridades chilenas trabalham para manter o ânimo dos trabalhadores, que provavelmente permanecerão até o Natal debaixo da terra.

"Eles tinham duas colheres pequenas de atum, um gole de leite e um biscoito a cada 48 horas", informou Sergio Aguila, médico da equipe de resgate. Uma equipe de médicos e psicólogos chegou hoje ao local para ajudar a monitorar as condições físicas e mentais durante o longo período de espera.

Os homens estão em um abrigo de 25 metros quadrados, a 700 metros de profundidade, desde que uma rocha que estava sobre eles desabou. As equipes de resgate pretendem abrir uma passagem de 66 centímetros de largura para trazer os homens para a superfície, um por um. Para isso, uma máquina perfuradora especial está sendo enviada ao local. O governo chileno solicitou ontem ajuda da Nasa para incorporar novas técnicas que permitam a sobrevivência dos 33 homens.

O único ponto de contato dos mineiros com os socorristas é uma estreita perfuração, pela qual foram enviados ontem, em um cilindro, pequenas doses de água com glicose e remédios. Também serão mandados alimentos em forma de gel e utensílios como lanternas e um pequeno equipamento de comunicação. "O processo de alimentação deve ser muito cuidadoso. Os suprimentos serão enviados aos poucos", explicou o ministro da Saúde, Jaime Mañalich.

Futuro

Para prevenir futuros acidentes em minas, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, anunciou ontem a criação de um grupo de trabalho que analisará a legislação existente e proporá novas normas para a mineração no país.

"Queremos que haja um antes e um depois em matéria de segurança na mineração", declarou Piñera.

Desde o deslizamento que bloqueou os trabalhadores, sua gestão vinha sendo bastante criticada porque, segundo denúncias, as autoridades já teriam informações sobre o mau estado de conservação do local e, ainda assim, permitiu o seu funcionamento.

Um documento divulgado por um parlamentar local, datado de 9 de julho e difundido pela rede Telesur, apontava que "não havia condições adequadas" para as atividades da mina San José.

Famílias

Os familiares dos mineiros conseguiram se comunicar com eles, por meio de uma mensagem e buscaram animar os trabalhadores. "Queríamos mandar para vocês uma bola de futebol, mas ela não passa pela sonda. Aí embaixo não vão poder jogar nenhuma partidinha", diz a descontraída nota, enviada aos homens.

Após a realização dos primeiros contatos, visual e auditivo, as autoridades convidaram os familiares a escrever bilhetes de afeto e apoio. Desde então, as pessoas que aguardam seus parentes no local enviam palavras encorajadoras, que os convidam a "aguentar firme", mas também brincadeiras, como essa sobre a bola.

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