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Gianni Carta

A direita poderá resolver a crise na Espanha?

por Gianni Carta publicado 21/11/2011 16h27, última modificação 21/11/2011 18h18
Se fizer a lição de casa direito (leia implementar reformas austeras), o novo premier Rajoy poderá ficar algum tempo no cargo. Mas não nos esqueçamos dos indignados
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Se fizer a lição de casa direito (leia implementar o plano de austeridade), Rajoy poderá ficar algum tempo no cargo

A pergunta é mais do que válida. Quem gostaria de assumir a liderança de um governo com crescimento zero nos últimos três meses, à beira de uma recessão e com o mais elevado nível de desemprego na Europa?

Mariano Rajoy.

No domingo 20, seu Partido Popular, de centro-direita, tornou-se primeiro-ministro da Espanha graças à uma maioria absoluta de 186 cadeiras, dez acima do necessário.

Rajoy obteve um número mais elevado de votos que seu antecessor, José Maria Aznar, o primeiro líder direitista desde o final da ditadura franquista.

Resumindo, Rajoy assume o comando de um dos cinco países da Zona do Euro com insolúveis dilemas econômicos.

 

 

Apenas eleito, Rajoy disse na sede de seu Partido Popular: “Governarei na mais delicada conjuntura dos últimos 30 anos”.

E põe “conjuntura delicada" nisso.

Quatro chefes de governo dos chamados PIIGS – Portugal, Irlanda, Itália e Grécia – já foram enxotados do poder por conta da crise na Zona do Euro.

Assim como os novos tecnocratas no comando na Itália e na Grécia, Rajoy, mais conhecido como o “tenaz”, chegou para implementar um plano de austeridade.

Enigmático por natureza, Rajoy não deu maiores detalhes sobre as reformas que pretende colocar em prática durante sua campanha eleitoral. Mas o óbvio é que salários serão negociados para baixo, haverá cortes na educação e na saúde, e por aí vai.

E os indignados?

Os indignados estavam mais indignados e cansados dos socialistas sob o comando de José Luiz Rodriguez Zapatero, no poder desde 2004.

Quando a crise econômica estourou nos EUA em 2008, Zapatero disse que a Espanha não seria atingida. O motivo? Os bancos espanhóis são bem regulados.

Mas Zapatero, ex-líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e outrora a esperança de uma nova liderança para movimentos de esquerda na Europa, logo percebeu que proferiu besteiras.

Agora, o mapa da Espanha conta apenas com dois pontos cor de rosa, Barcelona e Sevilha. Foram as únicas cidades onde, por um triz, os socialistas venceram.  O PSOE ficou com 110 cadeiras. Em miúdos, perdeu 59 cadeira e quatro milhões de votos em relação às últimas eleições há quatro anos. Alfredo Pérez Rubalcaba, candidato à presidência pelo PSOE, parece estar com os dias contados.

Finalmente, Rajoy, derrotado por Zapatero duas vezes, assume o comando da Espanha em 20 de dezembro. Galego de 56 anos, Rajoy tem carisma zero. É tido como um homem enigmático.

Dizem, porém, que além de tenaz, gosta de dialogar com gregos e troianos. Busca o consenso.  Não ajudam os fatos de ele não gostar de viajar e não falar o inglês.

Mas Rajoy tem algumas vantagens sobre Zapatero.

Os sindicatos estão fracos. Lideranças da Alemanha e França, embora sem apoio da maioria do povo, não podem deixar a Itália e a Espanha, duas das maiores economias da Zona do Euro, abandonarem o euro. Caso contrário, a União Europeia deixaria de existir.

Se fizer a lição de casa direito (leia implementar reformas austeras), Rajoy poderá ficar algum tempo no cargo. Isso, claro, não significa que a direita resolverá a crise na Espanha.

Foi por isso, voltando à pergunta inicial, que ele assumiu a liderança de um governo com crescimento zero, à beira de uma recessão e com o maior nível de desemprego na Europa.

Mas não nos esqueçamos dos indignados.

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