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Separatistas anunciam vitória em referendos na Ucrânia

por Redação — publicado 12/05/2014 10h35
As consultas populares foram organizadas por separatistas em Donetsk e Lugansk, sem autorização do governo. BBC registra irregularidades
Genya Savilov / AFP

Os separatistas pró-russos do leste da Ucrânia anunciaram nesta segunda-feira 12 que cerca de 90% dos eleitores de um "referendo" convocado por eles, ilegal conforme a legislação do país e, portanto, não reconhecido pela comunidade internacional, votaram a favor da autonomia para as duas regiões onde houve consulta, Donetsk e Lugansk.

Pouco mais de duas horas depois do encerramento da votação em Donetsk, os separatistas anunciaram que 89% dos votantes se manifestaram a favor da autonomia, 10% foram contra e o comparecimento às urnas foi de 75%. "Este pode ser considerado o resultado final", disse Roman Lyagin, líder da "comissão eleitoral" criada pelos separatistas para o referendo, aos jornalistas após o fim da contagem de votos. Na vizinha Lugansk, o resultado anunciado foi de 96% a favor da autonomia, com participação de 81% dos eleitores. Não houve uma fiscalização dos resultados independente.

Uma reportagem da BBC, a tevê estatal britânica, afirma que os referendos tiveram indícios de irregularidades. Repórteres da rede britânica estiveram presentes nas regiões de Donetsk e Lugansk e registraram colégios eleitorais sem urnas ou cadastros de eleitores, e até uma mulher sendo filmada votando duas vezes. "Este pode ser considerado o resultado final", disse Roman Lyagin, líder da "comissão eleitoral" criada pelos separatistas para o referendo, aos jornalistas após o fim da contagem de votos.

Na cidade de Mariupol, com quase meio milhão de habitantes, a reportagem da BBC ouviu uma professora pró-Ucrânia afirmar ter sido ameaçada de morte por se recusar a oferecer seu colégio para o referendo.

Os insurgentes pró-russos que organizaram a consulta disseram que o status das regiões será discutido mais tarde e poderia incluir a possibilidade de secessão ou anexação pela Rússia. As duas regiões representam 6,5 milhões de habitantes dos 46 milhões que compõe a Ucrânia atualmente.

"Farsa". O presidente interino da Ucrânia, Olexander Turchynov, afirmou à AFP que os referendos são uma "farsa" sem efeitos jurídicos.  "A farsa que os terroristas denominam de referendo é apenas um disfarce propagandístico dos assassinatos, sequestros, violência e outros crimes graves", declarou ele no Parlamento.

Ele ainda afirmou que as autoridades de Kiev "continuarão dialogando com aqueles que no leste da Ucrânia não têm as mãos manchadas de sangue e estão dispostos a defender seus objetivos de maneira legal", completou.

A União Europeia divulgou nota afirmando que a votação é ilegal e que o resultado não será reconhecido. O Ministério do Exterior do Reino Unido destacou que a eleição marcada para 25 de maio dará a todos os ucranianos a oportunidade de uma escolha democrática. Também o presidente da França, François Hollande, afirmou que a votação não tem nenhum valor.

*Com informações da AFP, BBC e Deutsche Welle

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