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Terror

Onda de atentados mata mais de 30 no Iraque

por AFP — publicado 15/04/2013 19h40, última modificação 15/04/2013 19h40
Apesar dos postos de controle reforçados na capital, seis carros-bomba explodiram em cinco bairros de Bagdá
Iraque

Estudantes observam os restos de veículos destruídos, no leste de Bagdá. Foto: ©afp.com / Ali al-Saadi

Quase 20 atentados em vários pontos do Iraque deixaram nesta segunda-feira 15 pelo menos 37 mortos e mais de 270 feridos, em uma nova onda de violência a poucos dias das eleições locais, as primeiras no país desde a retirada das tropas americanas.

Com 21 pessoas mortas e 73 feridas, Bagdá é a cidade mais afetada pela série de ataques, praticados, em sua maior parte, com carros-bomba.

Apesar dos postos de controle reforçados na capital, seis carros-bomba explodiram em cinco bairros.

Cinco pessoas morreram em Kirkuk, cidade do norte reivindicada pela região autônoma do Curdistão iraquiano e pelo governo de Bagdá.

Em Tuz Khurmatu e em Mossul, duas cidades também localizadas no norte, os atentados deixaram sete mortos, enquanto quatro pessoas morreram em Baquba, capital da província de Diyala, vizinha a Bagdá.

A onda de violência coloca em xeque a capacidade das autoridades de garantir a segurança das eleições de 20 de abril, que serão um teste importante para a estabilidade do Iraque e para a capacidade de suas forças de segurança.

Nas últimas semanas, foram assassinados 14 candidatos às eleições, que só serão realizadas em 12 das 18 províncias do Iraque.

A maior parte dos atentados foi praticada com carros-bomba, mas em Baquba as explosões ocorreram com três bombas depositadas à beira de uma estrada.

Embora os atentados ainda não tenham sido reivindicados, militantes sunitas ligados à Al-Qaeda são os grandes suspeitos. Seus integrantes atacam regularmente alvos governamentais e civis com o objetivo de desestabilizar o país e intimidar candidatos e responsáveis por organizar as eleições.

As forças de segurança votaram no sábado com antecedência para estas eleições provinciais, as primeiras desde março de 2010 e também as primeiras eleições desde a retirada das tropas americanas do Iraque, em dezembro de 2011.

As três províncias autônomas curdas não realizarão eleições. A de Kirkuk não votará por problemas com as listas eleitorais, enquanto o governo xiita de Nuri al-Maliki adiou as eleições de Anbar (oeste) e de Nínive (norte), devido à instabilidade nessas duas províncias, onde a minoria sunita protesta há quatro meses por sua marginalização.

As eleições renovarão as câmaras provinciais, que, por sua vez, deverão eleger os governadores. O governador está a cargo da reconstrução, das finanças e da administração provincial.

Mais de 8.000 candidatos disputam 378 assentos nos conselhos provinciais. Cerca de 16,2 milhões de iraquianos estão habilitados para votar, além dos 650 mil membros das forças de segurança.

As eleições são realizadas após um longo conflito entre o primeiro-ministro al-Maliki e vários de seus antigos aliados no governo, em uma disputa que, segundo autoridades políticas e diplomáticas, favorece os insurgentes.

A violência no Iraque, embora continue sendo diária, caiu significativamente em comparação com o conflito sectário dos anos 2006 e 2007, quando milhares de pessoas morriam a cada mês. No entanto, 271 pessoas faleceram em março, o mês mais violento desde agosto, segundo um registro elaborado pela AFP.

 

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