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Estado Palestino

‘Temos um objetivo: Existir’

por Redação Carta Capital — publicado 23/09/2011 15h51, última modificação 24/09/2011 11h30
Na Assembleia Geral da ONU, Mahmoud Abbas pede o reconhecimento do território e o fim de assentamentos

Em um dos momentos mais aguardados da 66ª Assembléia Geral da ONU, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, pediu em um discurso de 35 minutos que a Palestina seja aceita como o 194º membro pleno das Nações Unidas. Enquanto isso, imagens da rede de televisão britânica BBC mostravam ruas lotadas de Ramallah, capital da Cisjordânia, diversas bandeiras palestinas e a comoção popular.

Pela manhã, Abbas entregou ao Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, um pedido escrito para o reconhecimento do Estado Palestino com as fronteiras pré-1967, antes da Guerra dos Seis Dias. No conflito, Israel ocupou Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e as Colinas de Golã.

Antes do pronunciamento do líder palestino, o grupo islâmico Hamas, que controla Gaza e prega a destruição de Israel, rejeitou o pedido de Abbas à ONU, alegando que os palestinos deveriam libertar sua terra e "não implorar por reconhecimento".

Um dos dirigentes do grupo, Ismail Haniyeh, disse a jornalistas que “países não são construídos com base nas resoluções da ONU. Estados libertam suas terras e estabelecem suas entidades."

No discurso, que foi interrompido diversas vezes por aplausos dos presentes na Assembleia, o líder palestino disse que há um ano havia esperanças de um acordo de paz. Porém, o mesmo falhou apenas uma semana após o seu início, por culpa da construção de assentamentos israelenses em solo paletino, segundo Abbas. "A política de ocupação colonial de Israel e seus assentamentos  destruirão as chances de uma solução com dois Estados.”

O presidente palestino ainda afirmou que negociações contínuas com os israelenses serão possíveis somente quando as construções de assentamentos pararem.

“Senhoras e senhores, esse é o momento da verdade. Somos o último povo no mundo a ser ocupado. Esse mundo vai permitir que o Estado de Israel continue com isso”, declarou, completando que não quer o isolamento israelense ou sua deslegitimação. “Deixe-nos construir pontes de diálogo ao invés de pontos de triagem.”

Emoção

“Basta. É chegado o momento do meu povo corajoso e minha colônia poder viver como outros países da Terra, em um território independente”, bradou, emocionando a tradutora simultânea da BBC, que claramente chorava. A Assembleia também se levantou e aplaudiu.

Segurando uma cópia do requerimento para adesão da Palestina à ONU, Abbas pediu que Ban Ki-moon aceitasse o pedido e o levasse ao Conselho de Segurança para ser votado. Depois, dirigiu-se aos presentes na Assembleia. “O seu apoio para o reconhecimento do Estado Palestino é a maior contribuição para a paz na região [Oriente Médio]. Espero que não tenhamos que esperar muito.”

“Temos um objetivo: Existir. E existiremos”, conclamou.

Porém, para que isso ocorra, os palestinos precisam de ao menos nove votos favoráveis entre os 15 membros do Conselho de Segurança e de nenhum veto dos cinco membro permanentes: EUA, Rússia, Reino Unido, França e China. No entanto, Barack Obama já adiantou que vetará a proposta. Para o presidente americano, o apoio a um Estado Palestino só poderá ocorrer após um acordo de paz com Israel.

Além disso, a votação no Conselho de Segurança pode demorar semanas e os EUA podem nem precisar exercer o poder de veto, uma vez que Washington e Israel têm feito lobby junto aos membros para que rejeitem a proposta palestina ou se abstenham.

Israel responde

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, discursou na Assembleia Geral logo após Abbas. Ele afirmou buscar uma paz duradoura com o vizinho e destacou a necessidade de negociações diretas para a formação de um Estado Palestino, algo que não será alcançado com resoluções da ONU.

O premier rebateu as afirmações de Abbas e disse que os líderes palestinos não estão dispostos a negociar. "Os riscos de segurança em Israel devem se dissipar com um acordo de paz com os palestinos antes que eles consigam sua independência", declarou.  "Quando houver paz, seremos o primeiro país a reconhecer a Palestina como Estado independente."

Netanyahu negou que a retirada dos assentamentos israelenses seja um caminho para a paz na região, pois quando deixaram o Sul do Líbano e Gaza, os radicais assumiram.

O premier ainda descartou a possibilidade de devolver os territórios ocupados em 1967, por serem imprescindíveis para a segurança de Israel.

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