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Internacional

Entrevista

“Se Espanha cair, muito mais gente vai sentir o impacto”

por Brasil Econômico — publicado 20/12/2010 15h08, última modificação 20/12/2010 15h08
O economista argentino Osvaldo Cado vê uma série de problemas em uma separação do bloco da zona do euro, comparando-a com a crise da Argentina em 2002

Por Conrado Mazzoni e Felipe Peroni, do Brasil Econômico

Com conhecimento de causa quando o assunto é crise, o argentino Osvaldo Cado, economista da gestora de recursos QFD (Quantitative Financial Developments), opinou sobre a situação na Europa.

Ao final de um ano negro para Grécia e Irlanda, as vulnerabilidades da Espanha vêm norteando o humor dos mercados nos últimos dias. Atento aos problemas de dívida dos países da Zona do Euro, Cado deixa claro o que considera o "pior dos mundos".

"Realmente o pior que poderia acontecer é um desmonte do euro, a moeda perderia poder de fogo e confiança", afirma. Ele vê uma série de problemas em uma separação do bloco, comparando com a crise da Argentina em 2002.

Os países seriam forçados a recuperar a política monetária e desvalorizar suas moedas próprias. Isso acarretaria em um efeito em cascata no qual as empresas e bancos com dívidas em euro passariam a ter receitas em moedas desvalorizadas.

É um nó difícil de desatar, pois o economista reconhece que a receita para sanar os problemas das nações seria depreciando a moeda. E dentro do euro não há possibilidade de emitir moeda - como faz o banco central americano -, porque quem maneja o euro é a Alemanha. Em recuperação, a principal economia da Europa não quer inflação.

O economista argentino não vê saída melhor sem incomodar a Alemanha. Ele sugere uma política fiscal em que a Europa emitiria euros e os países do bloco se tornariam comprometidos a emprestar dinheiro aos que precisam reestruturar suas dívidas.

"Essa solução, ótima do ponto de vista econômico, gera problemas políticos na Alemanha, onde as pessoas veem essa atitude mais ou menos como ‘ajudar quem fez tudo errado'", lamenta.

"Está claro que Espanha não é nem Grécia nem Irlanda. É uma economia muito maior e importante e, definitivamente com muito mais ‘vitrine'. Se Espanha cair, muito mais gente vai sentir o efeito do que se cai a Grécia", destaca Cado.

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