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Internacional

Crise se intensifica

´Não consigo ver a Grécia na União Europeia´

por Clara Roman — publicado 04/11/2011 14h08, última modificação 05/11/2011 09h15
Para pesquisador da Unicamp, a médio-longo prazo, o país, imerso em dívidas, deve abandonar o bloco
papandreou

Primeiro-ministro grego, Georges Papandreou, diz estar disposto a retirar seu projeto de referendo para garantir o cumprimento do plano europeu de resgate da Grécia. Foto: Aris Messinis/AFP

* Atualizado às 10h14 de sábado 5

Pressionado, o premier grego George Papandreou voltou atrás e desistiu de referendo para decidir se a Grécia acataria pacote de ajuda do Euro. O pronunciamento foi feito na quinta-feira 3, no Parlamento grego. Na sexta-feira 4, o Parlamento apoiou o primeiro-ministro com um voto de confiança, mas a pressão para a renúncia e a formação de um governo de transição segue.

No início da semana, Panpadreou afirmou que realizaria um referendo popular para decidir se o país incorporaria ou não um pacote de 130 bilhões de euros, aprovado pelo bloco em 27 de outubro em Bruxelas. O político, no entanto, voltou atrás depois que o presidente da França Nicolás Sarkozy e a chanceler alemã Angela Merkel pressionaram publicamente a Grécia: ou aceita sem referendo, ou sai da zona do Euro.

Papandreou afirmou estar preparado “para conversar com o líder da direita (Nova Democracia), Antonis Samaras, para avançar com base em um (governo) de consenso”. Samaras havia proposto durante a tarde a formação de um governo de transição que teria como missão ratificar o acordo europeu antes da realização de eleições legislativas antecipadas.

Na sexta-feira, o G-20 discutia em Cannes uma solução para a crise europeia, mas a premier Angela Merkel anunciou o fracasso das negociações. Para Merkel, nenhum país do grupo se comprometeu a investir na Linha de Estabilidade Financeira da Europa (EFSF), prevista por uma das propostas que havia surgido na reunião, em que cada país faria uma contribuição para o Fundo Monetário Internacional.

A Grécia deve aproximadamente 143% do PIB, o equivalente a 330 bilhões de euros. Sem a ajuda, o país já sinalizou que não conseguirá pagar salários e aposentadorias. Dessa forma, a Grécia depende de uma primeira parcela de oito bilhões de euros. “O ajuste vai ser muito draconiano”, analisa o pesquisador e professor do Instituto de Economia da Unicamp Fernando Sarti. Medidas de austeridade para contenção de gastos são a contrapartida para o auxílio.

O problema, segundo Sarti, é que, ainda que a Grécia precise desse dinheiro para garantir sua estabilidade momentânea, não conseguirá retomar o crescimento nunca se ficar submetida a medidas recessivas. “No médio-longo prazo, não consigo ver a grécia na comunidade”, diz o pesquisador, que vê na saída do  país da Zona do Euro uma alternativa para que se retome o crescimento no futuro. “O pacote seria uma forma de impedir o caos, mas isso não resolve o problema”, diz ele.

Enquanto isso, os países ricos – que financiaram grande parte desse alto endividamento – lutam para que pequenos se salvem e possam quitar seus débitos. “França e Alemanha não tem interesse nenhum na dissolução da Comuidade”, diz Sarti.

Enquanto Espanha e Portugal lutam contra o desemprego e austeridade fiscal, a próxima da fila parece ser a Itália do ministro Silvio Berlusconi. O jornal alemão Spiegel coloca o país como o novo cavalo de batalha da UE, assim que o problema grego for “resolvido”. Pressionado pelos parceiros do bloco, Berlusconi concordou na quinta-feira 3 em ter suas medidas de austeridade monitoradas passo a passo.

Com informações AFP.

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