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Ritmo de vendas de celulares despenca no Brasil

por Roberto Rockmann — publicado 06/01/2016 18h29, última modificação 08/01/2016 08h15
A indústria de eletroeletrônicos registrará retração de 4% no faturamento anual, para 148 bilhões de reais, queda de 10% em termos reais
Cristiane Mattos/ Futura Press
venda de cels

Setor reflui para o patamar de 2013

 

A era de ouro de celulares, tablets e computadores no Brasil parece ter chegado ao fim. Ou, ao menos, deu uma parada para tomar fôlego. A crise econômica atingiu em cheio um dos segmentos mais dinâmicos da indústria de eletroeletrônicos. Em 2015, o setor deve registrar uma retração de 4% no faturamento anual, para 148 bilhões de reais, queda de 10% em termos reais, e perda de pouco mais de 37 mil vagas de trabalho. Em consequência, os investimentos vão recuar 10%, de 3,8 bilhões para 3,5 bilhões de reais. Neste ano, a queda será de 6% na receita real e de 2% de postos de trabalho, segundo previsões da Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica.

No caso dos bens de consumo, a indústria de informática terá queda de 13% no faturamento. Dados da Consultoria IDC apontam que as vendas de desktops deverão cair 36%, de notebooks, 37%, e de tablets, 36%, na comparação com 2014. Além da crise, o mercado atravessa um período de mudança. Em um primeiro momento, os notebooks substituíram parte do mercado de desktops, depois os tablets substituíram parte daquele de notebooks e mais recentemente os smartphones absorveram parcelas do mercado de tablets. 

Quanto aos celulares, apesar do crescimento do faturamento de 10%, as vendas em unidades cairão 27%. Os aparelhos tradicionais vão vender 75% a menos, enquanto a retração no comércio dos smartphones vai chegar a 13%. A queda das vendas em quantidade deve-se à substituição dos celulares tradicionais pelos smartphones. Além disso, o consumo neste ano migrou para celulares com maior valor agregado. Em 2014, os smartphones representavam 78% das vendas totais de celulares. Em 2015, passaram a participar com 92%.

De julho a setembro, foram vendidos pouco mais de 10,7 milhões de celulares inteligentes, 25,5% a menos na comparação anual, segundo estudo da consultoria IDC. Para Leonardo Munin, analista de pesquisas da consultoria, os números confirmam as dificuldades do mercado e invertem dados históricos: normalmente, o trimestre mais fraco em termos de vendas é o primeiro, mas, em 2015, deverá ser o de melhor desempenho. “Assim como no segundo trimestre, novamente os estoques continuam altos e os varejistas e fabricantes fazem promoções para conseguir vender. Caminhamos para voltar ao patamar de 2013. A última vez em que as vendas ficaram abaixo de 11 milhões de unidades foi no terceiro trimestre daquele ano.” 

Nem as datas comemorativas têm dado fôlego às vendas. Segundo o analista, pela primeira vez houve fabricantes que não participaram diretamente da Black Friday. “A data certamente aqueceu as vendas, o desempenho será melhor que aquele do Natal, mas não o suficiente para recuperar o volume do ano”. Além da conjuntura, o aumento do ciclo de vida dos smartphones, por causa das melhorias nas especificações técnicas, tem contribuído para a queda nas vendas. Segundo ele, o usuário levava cerca de um ano e seis meses para adquirir um novo aparelho.

Apesar da queda no número de unidades vendidas, os dados da IDC revelam um crescimento de 1,7% na receita no terceiro trimestre, com aproximadamente 9,9 bilhões de reais. “Hoje há equipamentos mais robustos, com recursos mais sofisticados e, consequentemente, mais caros”, observa. O ticket médio passou de 790 reais no primeiro trimestre de 2015 para 925 reais no terceiro. Outro dado apresentado pelo analista mostra que 46% das vendas,  quase 5 milhões de smartphones, foram de aparelhos compatíveis com a rede 4G.

A expectativa da IDC Brasil é de que o mercado de smartphones termine 2015 em baixa de 12,8%, com 47,5 milhões de celulares inteligentes comercializados. O mercado total deve cair 26,8% ante 2014. Para o próximo ano, prevê-se queda de 8%, com 43,8 milhões de smartphones comercializados. Com o fim da MP do Bem, que concedia isenção fiscal para a compra desses equipamentos, os aparelhos devem ficar 10% mais caros, o que pode retrair ainda mais o ânimo dos consumidores.

A indústria está de olho em seu futuro, com a internet das coisas, que deve levar a uma maior integração de máquinas e diversos dispositivos. Há oportunidades de investimento em novas fronteiras, como as redes inteligentes de energia. Nos Estados Unidos, 43% das unidades consumidoras já operam com medidores inteligentes. Na Califórnia, 100% dos aparelhos instalados são bidirecionais e permitem ler o consumo e indicar se o cliente gera sua própria energia por um painel fotovoltaico. 

Os investimentos na área poderiam contribuir para a criação de um polo industrial dinâmico. Hoje a maioria dos projetos de redes inteligentes é conduzido pelos programas de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica, no qual as concessionárias investem perto de 0,5% de sua receita operacional líquida em iniciativas inovadoras. 

Para o diretor de engenharia da CPFL Energia, Paulo Bombassaro, as redes inteligentes precisam de uma regulação própria e um sinal econômico adequado. Os sistemas modernos permitem que o corte de luz seja feito remotamente, sem a necessidade de deslocar uma equipe de campo até a unidade consumidora inadimplente. Por sua vez, a religação poderia ser realizada remotamente e em segundos. “Hoje não existe uma regra sobre o corte automático.”

Há outro ponto, diz, a falta de um sinal econômico para os investimentos. “A indústria precisa de escala. Quando houver regulação e quando houver o sinal de preço, haverá pedidos firmes e aí os fabricantes vão investir em produção local. Assim poderemos ter uma cadeia densa, como foi a indústria eólica”, afirma o executivo.  O custo de um equipamento inteligente pode superar os 500 reais, enquanto o tradicional custaria menos de 100 reais a unidade. Enquanto o modelo tradicional tem um tempo de vida de 25 anos, o novo tem uma duração menor, estimada em 13 anos.