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Infraestrutura

Pré-Sal Petróleo S.A.

Quando a venda do petróleo de Libra ocorrer, preços estarão em alta, aposta PPSA

por Dimalice Nunes — publicado 22/10/2015 14h47
Para Oswaldo Pedrosa, Brasil é líder em descoberta de campos supergigantes e dificilmente deixará de ser atraente
Divulgação

Há dois anos o engenheiro Oswaldo Pedrosa assumia o desafio de comandar a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), empresa criada na época para gerenciar e fiscalizar contratos de exploração de petróleo sob regime de partilha nos campos do pré-sal. Agora, a estatal se prepara para iniciar a gestão da comercialização de petróleo e gás da União e atuar em quatro novos contratos de partilha, que devem ser firmados para tratar dos volumes excedentes da cessão onerosa (quando paga-se pelo direito de explorar até 5 bilhões de barris de petróleo em uma área sem licitação, que é devolvida ao Estado) à Petrobras, equivalente a cinco bilhões de barris de óleo, o que dobra as reservas estimadas em contratos sob gestão da companhia.

Apesar do aparente desânimo do cenário internacional em relação aos preços do petróleo, o tom é otimista, já que o executivo aposta em uma alta quando chegar a hora de vender o petróleo de Libra, primeiro campo do pré-sal a entrar em operação sob o regime de partilha. A extração, em caráter de testes, deve começar entre 2016 e 2017.

Leia os principais trechos da entrevista:

CartaCapital - A PPSA saiu do papel há dois anos. Qual o balanço que o senhor faz desse período?

Oswaldo Pedrosa - A PPSA multiplicou suas atividades ao representar os interesses da União na extração do pré-sal. Além de gerir o contrato de partilha firmado até então, na área de Libra, são mais 20 casos nos quais representa ou representará a União em negociações para garantir a parcela de petróleo que pertence ao Brasil. Os acordos de individualização da produção, frutos dessas negociações, resultarão em ganhos diretos para as áreas de saúde e educação. Outra função importante da PPSA é a gestão da comercialização de petróleo e gás da União, que pode começar em breve. Estamos concluindo a estrutura inicial para isso, função exclusiva da companhia. Já estamos também nos estruturando para atuar em quatro novos contratos de partilha que devem ser firmados para tratar dos volumes excedentes da cessão onerosa à Petrobras, equivalente a cinco bilhões de barris de óleo. Esses volumes dobram as reservas estimadas em contratos sob gestão da companhia.

CC - Como a atual crise econômica está pesando sobre o setor de petróleo e gás? Alguns economistas avaliam que a crise vivida pela indústria de petróleo hoje não é transitória, mas sim o fim de um ciclo. Qual é a opinião do senhor?

OP - Não creio que a atual crise sinalize o fim de um ciclo de altos preços de petróleo. Como toda crise ocorrida anteriormente, a queda abrupta de preço reflete o desequilíbrio entre oferta e demanda no mercado internacional. Houve nos últimos anos um significativo aumento da capacidade global de suprimento, principalmente pela contribuição do petróleo não-convencional dos Estados Unidos. Por outro lado, observou-se também uma desaceleração da demanda global pela redução do ritmo de crescimento de países emergentes.  O que diferencia a crise atual é a recusa da Arábia Saudita e outros produtores da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em exercer o papel de regulador, com cortes na produção. O efeito é que o período geralmente curto de recuperação dos preços, de 12 a 18 meses nas crises anteriores, deverá ser mais prolongado, como se vê pela manutenção de preços baixos em 2015.

No final dessa década e início da próxima, quando as produções de Libra e de acordos de individualização em áreas do pré-sal estarão em plena aceleração, certamente os preços de petróleo se situarão em patamares bem mais elevados, embora inferiores aos picos ocorridos no período 2011-2014.

oswaldo pedrosa ppsa
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C -
O atual nível de preço do petróleo altera os planos da PPSA? O preço atual do barril pode inibir o interesse de investidores internacionais nos próximos leilões?

OP - Não mudamos planos nem percebemos mudanças em Libra, pois são investimentos de longo prazo. Quando a venda do petróleo de Libra ocorrer, provavelmente os preços estarão em alta.

O principal fator de atratividade de investimentos em uma província petrolífera é o potencial de recursos petrolíferos existentes. Nesse sentido, os gigantescos reservatórios do pré-sal levaram o País à condição de líder mundial em descobertas de campos supergigantes na última década. Nesse contexto, dificilmente o Brasil deixará de ser atraente para investidores do petróleo.

CC - A tentativa de alterar o regime de partilha, por alguns parlamentares, impactaria a companhia de alguma forma?

OP - Havendo contratos de partilha ou individualizações da produção em áreas do polígono do pré-sal, a PPSA continuará atuando normalmente, com ou sem mudanças, cumprindo suas atribuições legais.

CC - Com quantos processos de unitização (quando o reservatório de um campo extrapola a área delimitada de um determinado bloco) de reservas a PPSA trabalha no momento? Quais as prioridades?

OP - A PPSA já representa a União em onze negociações dessa natureza, os chamados acordos de individualização da produção. Outros nove estão previstos para serem conduzidos pela companhia, em um total de 20 acordos. Nessas áreas, a União precisa ser representada em complexas negociações que, em última instância, definem seu quinhão na produção total de petróleo e gás da jazida unitizada.

CC - Já há definição ou estimativa para os valores/volumes devidos à União por esses acordos?

OP - Estimamos que a União tenha direito a um volume de petróleo recuperável da ordem de 1,8 bilhão a 2,3 bilhões de barris nas áreas não contratadas do polígono do pré-sal sujeitas a acordos de individualização da produção, com receitas previstas diretamente para saúde e educação, como prevê a legislação.

CC - Quando a União começará a receber os recursos provenientes da comercialização do petróleo e do gás natural desses contratos?

OP - Estimamos que já em 2016 a PPSA iniciará a gestão da comercialização da parcela de petróleo que cabe à União. Esse início de comercialização de petróleo proveniente de acordos de individualização provavelmente será um ensaio para o "boom" projetado para acontecer de fato a partir da produção de Libra.

CC - Em que momento de descobertas de novas áreas com potencial de exploração o Brasil está?

OP - O Brasil foi líder mundial de descoberta de campos supergigantes de petróleo na última década, sendo todas elas no pré-sal, onde ainda há enorme potencial a ser explorado. Além disso, existem muitas áreas atrativas a diferentes players da indústria na imensidão das bacias sedimentares terrestres e marítimas do País.

CC - Já existem planos para uma nova rodada de licitação de blocos do pré-sal?

OP - Cabe ao Conselho Nacional de Politica Energética (CNPE) definir estes planos.

CC - Verificar o cumprimento do conteúdo local na exploração petróleo e gás é uma das atribuições da PPSA, mas muito se fala da dificuldade de cumprir os parâmetros exigidos pela falta de oferta de equipamentos e serviços nacionais. Quais medidas o País poderia adotar para incentivar fornecedores nacionais?

OP - Os projetos do pré-sal são de prazo muito longo para o pleno desenvolvimento da produção. Por exemplo, o desenvolvimento de Libra ocorrerá a partir de 2017 e ao longo da maior parte da próxima década. Assim, é plenamente viável ampliar a capacidade de suprimento local de bens e serviços em bases competitivas para atender à demanda do pré-sal. A indústria local já vem dando expressivas contribuições para os  empreendimentos de exploração e produção no Brasil, onde o suprimento de sistemas submarinos tem papel de destaque.

CC - Quais os desafios da PPSA no curto prazo?

OP - Um objetivo essencial é dotar a companhia de uma estrutura de gestão enxuta e altamente qualificada para enfrentar os desafios do pré-sal de forma a assegurar os melhores resultados técnicos e econômicos.

Tem sido recorrente a identificação de blocos exploratórios ou campos de petróleo operados no Brasil cujas reservas extrapolam seus limites de concessão e adentram áreas do polígono do pré-sal. Daí surge a necessidade de se firmar acordos de individualização da produção em que a PPSA é parte integrante, representando os interesses da União nas áreas não contratadas. A complexidade de tais acordos e a intensidade das atividades necessárias à conquista de vários acordos já configurados impõem à PPSA enormes desafios. Temos ainda o desafio de estruturar o processo de comercialização de petróleo e gás para permitir que a parcela da produção da União em Libra e nos acordos de individualização possa efetivamente se transformar em recursos financeiros para o Fundo Social e para investimentos em saúde e educação.