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Segundo turno: debate SBT, UOL e Jovem Pan

Segundo turno: debate SBT, UOL e Jovem Pan

por Clarice Cardoso publicado 16/10/2014 16h59, última modificação 10/11/2016 10h13
Dilma Rousseff e Aécio Neves se encontram pela segunda vez

A presidenta Dilma Rousseff afirmou ter sentido uma queda de pressão na saída do debate, enquanto falava com repórter do SBT. Ela interrompeu a entrevista, tomou um pouco de água e voltou à entrevista.

Aécio faz suas considerações finais: "Quero ser presidente da República porque o Brasil não pode viver mais quatro anos de tamanho desgoverno. Quero ser presidente da República para enfrentar a questão da criminalidade. Não para dividir de forma perversa o Brasil entre nós e eles, mas para ser o presidente da integração nacional, da integração do Nordeste ao nosso projeto de desenvolvimento. Quero ser presidente para amanhã, quando tiver adversários, possa permitir a eles falar de suas propostas. Comigo não, candidata, comigo a senhora receberá sempre um olhar altivo, de um homem honrado."


Dilma faz suas considerações finais: "Ao contrário do que ocorria no passado, quando governos de elite só viam as elites, hoje acredito que meu governo olha para todo o povo brasileiro. Tenho certeza de que o brasil está mudando para melhor. Acredito que o Brasil está olhando para alternativas muito melhores, no que se refere à construção de uma vida melhor. Vivemos um momento em que a crise internacional afeta a economia brasileira, mas enfrentamos essa crise de peito aberto utando para que nosso País viva melhor. Reeleita, quero fazer ainda mais e garantir educação e saúde de qualidade."

"Candidato, candidato... O senhor não é um cidadão acima de qualquer suspeita. O que suspeitam do senhor e o que suspeitam de mim é o que suspeitam de qualquer pessoa. Nós temos que provar todos os dias a nossa integridade e a nossa honradez. Essa é uma questão exigida dos homens e das mulheres públicas."

Aécio responde: "A candidata não respeita as instituições. O Ministério Público, disse que todas as obras do meu governo estavam corretíssimas, é o contrário do que acontece no seu governo e a senhora não respondeu à frase que disse, está gravado, 'todo mundo pode cometer corrupção'. Não pode não, candidata. Ninguém pode cometer corrupção. A senhora tem é que tomar as providências e dizer ao Brasil o que é que aconteceu na Petrobras. A senhora conduziu com mão de ferro durante doze anos, fez questão de dizer a todo mundo quem mandava na empresa. E durante doze anos essa empresa vem colocando sobrepreço nas obras públicas para beneficiar sua base de sustentação, candidata. Esse é o fato real."

"É por isso que eu estou aqui como candidato à Presidência da República, porque o Brasil quer, quer se livrar desse governo, o Brasil quer um tempo novo, um tempo de otimismo, de seriedade, e também de honestidade no gasto do dinheiro público."

"Sabe o que o senhor faz? O senhor manipula palavras. E aí estarrece o segundo fato. O senhor se acha acima de qualquer crítica ou avaliação. O senhor disse que quem lhe atacar ataca Minas. Isso é uma mentira, candidato. Porque Minas Gerais não é o senhor. O senhor é um dos mineiros. E isso não significa que o senhor possa falar em nome de toda Minas Gerais. Então quero dizer o seguinte: é errado, sim, colocar um aeroporto privado, feito com o dinheiro público, na fazenda de um tio. O senhor querendo ou não tergiversar sobre esse assunto é errado. Não se faz isso, candidato. Isso é feio."

E prossegue: "Acredito sinceramente que ninguém está acima de qualquer coisa. Nós temos, como homens públicos e mulheres públicas, que provar a cada dia que nós temos respeito pela coisa pública, que nós não mexemos com o dinheiro público em nosso benefício ou em benefício de parentes nossos, não mexemos com a coisa pública em benefício de quem quer que seja, a não ser do povo brasileiro. Sabe o que é isso? Isso, candidato, é um critério arraigado dentro da gente. Chama-se um critério republicano, o dinheiro é coisa pública. Quando a gente está no governo, o dinheiro é coisa pública. Ninguém pode tergiversar sobre isso."

"No último debate do primeiro turno, a senhora disse textualmente o seguinte: 'Não acredito que tenha alguém acima da corrupção'. E depois continuou: 'Todo mundo pode cometer corrupção'. Será que é isso que a presidente da República tem a ensinar aos brasileiros? Honestidade? Responsabilidade para com nossos atos e daqueles que nós nomeamos é algo essencial para quem quer fazer vida pública. A senhora terceiriza sempre as responsabilidades. Quero lhe dar oportunidade de se desculpar com os brasileiros por essa afirmação, que acredito que não tenha alguém acima de corrupção."

"O seu governo está vivendo tanta corrupção, tanto descaso com os problemas das pessoas... A senhora acabou, no debate, de afirmar que com a inflação vai tudo bem, a senhora está achando que com o tráfico de drogas, o controle das nossas fronteiras vai muito bem. Que governo a senhora quer oferecer aos brasileiros, candidata? Vá a Minas Gerais um pouco mais, mas com respeito aos mineiros e às transformações que ocorreram no nosso estado. Eu respeito a sua história. Respeite a minha. Há trinta anos eu estava na campanha das Diretas e depois na campanha de Tancredo ajudando o Brasil se reencontrar com a democracia, infelizmente com o voto contrário do PT, o seu partido."

"Eu teria muita honra de ser candidata pelo governo de Minas. Acho Minas Gerais e Belo Horizonte um estado e uma cidade que eu gosto muito, porque foi lá que eu nasci. Então, candidato, o que eu quero dizer é que, no caso do aeroporto de Cláudio, o senhor deve sim explicação. O senhor deve explicação porque o senhor construiu um aeroporto dentro de uma propriedade, expropriou um pedaço, mas construiu, e quando um órgão de imprensa foi buscar a chave, a chave estava guardada com um parente seu. Em Montezuma ocorreu uma coisa muito similar. Uma das coisas mais importantes é que nós não podemos mais tolerar o uso de bens públicos para beneficiar A, B  ou C privadamente. Esta é uma questão que nenhum candidato a presidente pode se furtar a responder."

Aécio: "É muito triste ver uma presidente da República mentindo. O aeroporto de Cláudio foi construído numa área desapropriada pelo Estado para beneficiar uma região que cresce economicamente. Minas tem 92 pequenos, médios e grandes aeroportos. Vamos falar do Governo Federal, a não ser que a senhora queira, no futuro, talvez desempregada a partir de primeiro de janeiro, ser candidata ao governo de Minas, aí terá tempo para discutir Minas Gerais. Onde estão os 800 aeroportos regionais que a senhora prometeu?"

"O seu governo é o governo das promessas vazias. Todas as minhas obras em Minas Gerais tiveram aprovação do Tribunal de Contas, tiveram aprovação do Ministério Público, candidata. Ao contrário das suas, com sobrepreço todo o tempo. Que providências a senhora vai tomar com o tesoureiro do seu partido, que a senhora nomeou para Conselheiro de Itaipu Binacional, esse que recebia 2% segundo Paulo Roberto? É tudo normal ou a senhora está em condições de demiti-lo? Eu sou um candidato com uma vida pública honrada, respeitada, por isso deixei o meu governo em Minas com 92% de aprovação."

"O senhor não respondeu ainda a questão do aeroporto de Cláudio. Eu vou dizer por que eu vou colocar essa questão. O Brasil hoje passa por um momento muito importante. Nós estamos retomando todos os investimentos e estamos ampliando esses investimentos em aeroportos e em portos. Ora. O governo de Minas tem de revelar uma informação que é como é que o aeroporto de Cláudio, que era um aeroporto pequeno, numa cidade de 25 mil habitantes, foi construído dentro da fazenda do seu tio, ao mesmo tempo que lá em Montezuma outro aeroporto nas mesmas condições foi construído."

"Não se confunda com Minas Gerais. O senhor não é Minas Gerais. Se for por isso, eu nasci em Minas bem antes do senhor", responde Dilma.

"A senhora tem ofendido Minas Gerais em todos os debates. A senhora não tem conhecimento do que aconteceu no nosso Estado. Minas Gerais, pela força dos seus servidores, é um Estado respeitado no Brasil, respeitado internacionalmente. Se a senhora for ao Banco Mundial, o exemplo de gestão eficiente quem tem é Minas Gerais, se for ao Ministério da Educação, e encontrar alguém lá, porque ninguém encontra Ministro em lugar nenhum, a não ser na campanha eleitoral, vai saber que Minas tem a melhor educação fundamental do Brasil. Se for ao Ministério da Saúde, vai ver que Minas tem a melhor saúde pública de toda a região Sudeste. E se quiser gastar um tempo lendo a decisão do Tribunal de Contas, para não repetir o que o seu marqueteiro escreve para a senhora, a senhora lerá que as contas do governo no exercício de 2003 a 2010, do então governador Aécio Neves, tiveram parecer por unanimidade, candidata."

"Quem mente é o senhor, e essa história da escola de Macaúbas é uma dedução que o senhor tenta atribuir a mim", responde Dilma. "Se o senhor tiver o mínimo de discernimento, vai reconhecer que, apesar do que, o senhor disse, o seu governo não gastou nem em Educação, nem em Saúde o que era o correto e necessário. O senhor atribui a outros que mudaram o cálculo, não incluíram o que devia ser incluído. A verdade é que, somado, subtraído e dividido, o governo do senhor deixou de investir 7,8 bilhões de reais na Saúde e 8 de reais bilhões na Educação. O senhor diz que não é assim. Mas esse, candidato, é um cálculo claro e bem feito sobre o Governo do Estado de Minas Gerais."

"Vocês foram obrigados a assinar um Termo de Ajustamento de Gestão, que foi uma variante que o Tribunal de Contas do Estado de Minas usou para fazer um acordo com vocês. Candidato, eu me pergunto e me pergunto mesmo: Como é que o senhor acha que o senhor pode sentar aqui, e numa questão tão delicada como a saúde e a educação no Brasil, o senhor se furtar a explicar por que o senhor teve de assinar um Termo de Ajustamento de Gestão e, de repente, o site do Tribunal de Contas do Estado saiu do ar."

"Mentir e insinuar ofensas como essa não é digno de qualquer cidadão, mas é indigno por uma presidente", responde Aécio. "Sua campanha é a campanha da mentira. A senhora mentiu ao postar um vídeo dizendo que eu havia votado contra o salário mínimo de 545 reais, cortou o vídeo na sequência quando mostrava que nós votamos a favor do salário mínimo de 600 reais para fraudar uma informação. A senhora no seu Twitter, candidata, disse que Minas Gerais teve a menor redução da taxa de mortalidade infantil do Brasil. Mentiu, candidata. Minas Gerais, no meu tempo de governo, foi o estado que mais reduziu a mortalidade entre todos os estados do Sudeste, do Sul, e do Centro-Oeste. A senhora disse no último debate que construiu 3.750 milhões  de casas, a senhora mentiu, a senhora construiu metade disso. Fale a verdade, o Brasil não merece a campanha que a senhora está querendo fazer."

Então, pergunta: "Eu vou novamente na questão, da verdade e da mentira. Os brasileiros querem saber o que vai acontecer com suas vidas a partir de primeiro de janeiro. A senhora não permitiu que os brasileiros tivessem um programa de governo para analisar,  prefere a campanha da mentira. A senhora chegou a mandar sua equipe filmar uma escola, a Barão de Macaúbas, num domingo, no dia 12 de outubro, quando ninguém estava lá, para mostrar que a obra estava parada e que a escola não funcionava. A senhora fraudou a informação. A senhora não tem nada para mostrar aos brasileiros e por isso precisa mentir tanto o tempo inteiro?"

"Acho muito importante a Lei Seca para o Brasil, e acho que o senhor está tentando diminuí-la. Sabe por quê? Porque no Brasil todos os dias tem gente morrendo por acidentes de trânsito quando um motorista dirige ou embriagado ou drogado. Então, acho que a gente tem de tratar esse assunto com mais cuidado e com mais seriedade. Depende dele muitas vezes a vida ou a morte dos nossos jovens", responde Dilma.

"Não é uma coisa que o senhor, porque passou por uma experiência, pessoalize tanto. Acredito que ninguém pode, sem sofrer as consequências, dirigir nem drogado nem bêbado. Eu não dirijo sob efeito de álcool e droga. A Lei Seca trouxe um bem para o País. Trouxe um bem para os nossos jovens e para os nossos adolescentes."

A plateia aplaude, e é repreendida por Nascimento. "Vocês são muito queridos aqui, mas gostaria de pedir que não se manifestassem em respeito aos candidatos e aos telespectadores. Nós não estamos num programa de auditório, estamos num debate para a presidência da República."

"Tenha a coragem de fazer a pergunta correta", diz Aécio. "Eu tive um episódio, sim, e reconheci, porque eu tenho uma capacidade que a senhora não tem. Eu tive um episódio em que parei em uma Lei Seca, mas minha carteira estava vencida e naquele momento, inadvertidamente, não fiz o exame e me desculpei." "Mas é importante que nós olhemos para a frente. Explique por que a senhora mantém hoje nomeado na Itaipu binacional o tesoureiro do seu partido, que recebia propina para alimentar a sua campanha. Vamos falar como melhorar a saúde das pessoas, como melhorar a segurança pública, candidata. Não é possível que a senhora queira aqui fazer a mais baixa das campanhas eleitorais. Não é possível esse mar de lama em que se transformaram as redes, onde a senhora ofende a mim, a minha família, a senhora está ofendendo a todos os brasileiros que querem mudança."

"A senhora por não ter tido a oportunidade de ao longo da sua vida ter outras disputas, foi ungida presidente da República por um presidente muito popular, acha que é dona da verdade. Não é, candidata. O seu governo fracassou. E a senhora caminha para perder essas eleições pela incapacidade que demonstrou inclusive de respeitar os seus adversários. A senhora não trouxe durante todo esse nosso debate uma proposta sequer que melhore a vida do cidadão, que melhore a saúde pública, que melhore a segurança. A senhora parece que não foi presidente da República"

Dilma começa o terceiro e último bloco: "Todos os anos, milhares de pessoas morrem por acidentes causados por motoristas embriagados. Eu queria saber o que o senhor acha e como vê a Lei Seca, e se todo cidadão deve se dispor a fazer exame de álcool e droga."

"O senhor falou que vocês fizeram o Bolsa Família para 20 milhões de pessoas? Candidato, pensa bem no que o senhor está falando. Vocês nunca fizeram Bolsa Família para 5 milhões de famílias. Nós chegamos a 50 milhões de pessoas. Candidato, o senhor está confundindo todas as obras, aliás, acho que deliberadamente. O senhor sabe que as obras de mobilidade são em parceria, parceria com governos e com governadores. Todas as obras de mobilidade que nós fazemos em Minas é em parceria com o governo do estado e com a prefeitura, e isso vale para todos os estados. Eu discordo do senhor, acho que as obras não estão paradas. O senhor tem que se informar melhor, as obras estão andando."

Aécio: "Dizer uma inverdade num momento pode ser equívoco, repeti-la mais de uma vez é outra coisa. Foram 5 milhões de pessoas atendidas no início do Bolsa Família. Mas fiz a indagação para trazer a realidade dos números. Não se pode jogar tantos números aos ventos e transformá-los em obras. Das 200 obras de mobilidade anunciadas, 28 apenas foram entregues. De cada dez obras que a senhora prometeu fazer para melhorar o trânsito, apenas uma foi entregue. Vocês estão governando o Brasil há doze anos. E vocês demonizaram durante mais de dez anos as parcerias com o setor privado, e isso fez com que tudo atrasasse. Vamos sair das grandes cidades: A transposição do São Francisco, onde é que está? Parada e com sobrepreço. A Transnordestina? Parada e com sobrepreço. Essa infelizmente é a marca do seu governo, obras anunciadas e que não terminam nunca."

"Acredito que você não tenha muito conhecimento, porque você não sabe onde está o metrô, e o metrô está sendo formatado por um aliado seu, o prefeito. Nós demos dinheiro para o prefeito, o prefeito montou e está construindo o metrô que vai chegar até a Savassi. Nós queremos que ele chegue até o Morro do Papagaio. Agora vocês têm de olhar com cuidado, porque essa é uma parceria que envolve o Governo Federal, a prefeitura, e obviamente a prefeitura tem também uma espécie de PPP. Nós estamos fazendo nove metrôs no Brasil. Tem 189 BRTs e corredores de ônibus sendo construídos. Tem 13 VLTs no Brasil inteiro, nós temos um conjunto de obras de mobilidade urbana extremamente significativo."

"Era bom o senhor passear um pouco pelo Brasil e ver que tem metrô sendo construído ali no Rio de Janeiro, tem metrô construído lá no Ceará, em Fortaleza, tem metrô sendo construído por todo o Brasil pela primeira vez, porque enquanto vocês foram governo jamais investiram em mobilidade urbana. Aliás, o senhor quer se apropriar dos meus programas sociais. Agora, quando eu digo que um determinado programa está acontecendo, o senhor fala, não, eu vou fazer e vou fazer melhor. Ora, vocês nunca quando puderam o fizeram. Vocês fizeram Bolsa Família para 5 milhões. Nós fazemos para 50 milhões."

Aécio cita o trânsito nas grandes cidades pela segunda vez para perguntar sobre o metrô anunciado em diversas cidades e nunca entregue. "Eu tenho viajado pelo Brasil, como a senhora, e fico me perguntando quando vou à sua cidade, Porto Alegre, onde é que está o metrô anunciado no seu programa de governo? Quando vou à minha Belo Horizonte, onde está o metrô que aparece lá como obra do seu governo? Quando vou a Cuiabá, quando vamos a Curitiba, onde estão essas obras, candidata? Na verdade a senhora tem um conjunto de boas intenções que a ineficiência do governo lamentavelmente não permitiu que ainda saíssem do papel"

"Pode parecer ao telespectador que temos aqui dois candidatos de oposição. A senhora se dispõe a fazer tudo o que não fez ao longo de quatro anos em que a senhora foi presidente e os outros oito anos em que teve um papel de destaque no governo do seu antecessor. Eu defendo no Congresso Nacional e o seu partido faz oposição a essa proposta razoável do impacto no orçamento, de garantia da transferência desses recursos para os estados e para os municípios. A senhora falou do programa 'Crack, é possível vencer'. Por que depois de quatro anos apenas 40% do programa foi executado? O seu governo não assumiu a responsabilidade no enfrentamento dessa questão. O seu ministro falava das nossas prisões, comparando-as à masmorras medievais. Assuma a responsabilidade do governo que não investiu em segurança pública", afirma Aécio.

"Acho que o senhor está usando números incorretos. A Constituição atribuiu aos estados o controle e a segurança interna. Eu quero mudar isso, eu acho que a União tem de participar. E nós mostramos durante a Copa que quando a União participa, articuladamente com os estados, e quero dizer os doze estados no qual nós tínhamos centros de comando e controle, nós conseguimos conter todas as formas de violência. Talvez o senhor não saiba, porque o senhor está um pouco afastado disso, tem hoje, candidato, uma experiência comum de 12 estados para além das divergências políticas para de fato de construir no Brasil um aparato de combate ao crime organizado, de combate às drogas, e de combate à violência. Isso passa necessariamente por essa relação integrada entre as Forças Armadas e as Polícias."

"O que me surpreende na senhora é o diagnóstico. Agora há pouco a senhora disse que a inflação não é um problema do governo, é problema sazonal, e eu acho que não é. Comigo, tolerância zero com a inflação. Agora, a senhora terceiriza de novo as responsabilidades, dizendo que é dos estados essa responsabilidade constitucional", afirma Aécio.

"Vou liderar pessoalmente uma política nacional de segurança que começa com a proibição do contingenciamento dos recursos. Tenho um projeto que tramita desde 2011 no Congresso Nacional, que seu partido infelizmente não permitiu que fosse aprovado, que garante que aquilo que é aprovado no orçamento para a segurança pública seja efetivamente gasto em parcerias com os estados, transferidos mensalmente. Eu propus sim uma revisão no nosso Código Penal para que essa sensação de impunidade não continue a prevalecer. Eu apresentei uma proposta na minha campanha de que nós precisamos ter uma relação diferente com os países vizinhos que produzem a droga que vem ser consumida no Brasil e matar os jovens no Brasil. Governos vizinhos fazem vista grossa para a produção de drogas ou de matéria-primas de drogas nos seus territórios e não há nenhuma ação do nosso governo. Se a senhora está satisfeita como parece estar com o controle das nossas fronteiras, eu não estou. Não sei se a senhora sabe, 87% de tudo o que se gasta em Segurança Pública vem dos estados e municípios. Apenas 13% da União."

Dilma prossegue no tema da segurança pública: "Nós tivemos uma ótima experiência durante a Copa com os doze estados, construindo coordenações de combate conjunto à violência. Tanto é que conseguimos durante a Copa, e depois da Copa estamos fazendo operações articuladas, uma associação efetiva entre as forças das Polícias Militares, o Exército, e também as outras Forças Armadas, a Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. Modificamos a prática sistemática, que era de estar ausente, o governo federal ausente do confronto e do combate. Hoje, acredito que só com essas polícias articuladas nós venceremos o crime."

"O senhor está mal informado", começa Dilma. "O governo federal gastou 17 bilhões e 700 milhões em segurança nos últimos quatro anos. E não foi só do Ministério da Justiça, foi uma operação conjunta. As Forças Armadas participaram ativamente, impedindo e garantindo um nível de repressão nas nossas fronteiras impressionante. Nós fizemos operações de sentinela e das Forças Armadas conjugadas com a Polícia Federal. Com a Polícia Rodoviária Federal, nós fizemos uma campanha 'Crack, é possível vencer'. Que garantia e dava suporte para as famílias na direção de impedir o uso do crack. Ora, a questão da Segurança Pública afeta os governos dos estados. Nós participamos de forma complementar. Eu vou mudar isso. Eu quero que o governo participe."

"Então fracassou, candidata", responde Aécio. "Porque 56 mil pessoas estão morrendo assassinadas a cada ano no Brasil. Infelizmente, o orçamento, que já não é grande coisa, do Ministério da Justiça, do Fundo Nacional de Segurança, e do Fundo Penitenciário, não foram executados nem na sua metade. Do Fundo Penitenciário, um pouco mais de 20%. Do Fundo Nacional de Segurança, cerca de 40%. Onde estão as políticas de controle das nossas fronteiras? A PF tem o menor orçamento de investimento dos últimos cinco anos. A Polícia Rodoviária Federal que nós temos que fortalecer também está sucateada. As Forças Armadas não têm tido atenção do seu governo. A senhora prometeu há quatro anos quatro VANT (veículos aéreos não tripulados), apenas dois foram colocados em funcionamento. Infelizmente o contingenciamento dos recursos da área de Segurança Pública têm impedido vários estados de avançar no combate à criminalidade e na defesa dos nossos jovens. Essa é a realidade."

"Antes de elevar o nível do debate, já que você o abaixou: não é possível que você se esconda atrás do fato de que investigar significa também investigar o seu partido", responde Dilma. "O senhor não pode apontar o dedo só para um partido, aponte para todos os partidos. Vocês nunca deixaram investigar. Minas engavetava, na sua época, todos os processos. Vocês não deixavam nada ser investigado. No que se refere a processos de morte de jovens, nós temos tido um empenho imenso. Nós fizemos toda uma política de combate à violência contra os jovens. Uma política que estava baseada em três aspectos. Primeiro, é necessário prevenir. Depois, é necessário garantir que os jovens e todos que sofram assédio tenham defesa, e finalmente, é fundamental que o governo coloque na pauta toda uma questão relativa ao combate à violência, às drogas, e que faça com que os jovens não sejam objeto fácil do tóxico, da violência, e das formas pelas quais o crime se infiltra."


"Recebi um documento da Unicef que mostra um dado alarmante", afirma Aécio. "Vinte e quatro adolescentes morrem por dia no Brasil. Hoje, 24 mães estarão chorando o assassinato de seus filhos. Infelizmente, alguns dos programas iniciados pelo seu governo, como, o 'Crack, é possível vencer', depois de quatro anos, nem 40% das metas foram alcançadas. De que forma a senhora pretende ser mais solidária, permitir que o governo federal apoie nos estados e municípios no enfrentamento da criminalidade? Vamos elevar o nível do debate, candidata."

Aécio: "Lamento que a candidata não tenha entendido nada do que eu disse. Investiguem-se todos, candidata. Agora, o seu discurso não tem conexão com a sua prática. O seu governo impediu o quanto pôde que a CPI da Petrobras e depois a CPMI fossem instaladas, e depois de investigadas, porque eu fui ao lado de vários senadores para garantir o seu funcionamento, vocês tentaram fraudar a CPMI, funcionários do seu governo, do palácio do planalto, foram lá dar o gabarito, as respostas, as perguntas que sua base faria a essas pessoas. Tem que investigar sim todos, mas permita, que isso seja investigado. A senhora volta sempre no passado. Aonde é que estavam nesses 12 anos essas denúncias? Por que vocês não tomaram, vou repetir mais uma vez, as atitudes necessárias para reabrir todos esses processos? Ou não existia nada relevante em relação a essas denúncias ou então o seu governo prevaricou, não tem uma terceira alternativa."

"O senhor tem dois pesos e duas medidas. Eu, pode ter certeza, sem nenhum constrangimento, investigarei tudo e todos. Eu nunca engavetei, eu não jogo para baixo do tapete", responde Dilma. "Fica claro que o senhor gosta muito de culpar todos. Agora, quando chega no ex-presidente do seu partido, o senhor sai e diz que tem de investigar o PT. Não senhor, nós temos de investigar, doa a quem doer, todos. Nós temos de investigar todos os envolvidos."

"Não é desta forma que este país vai modificar sua relação com os delitos e os crimes. É investigando todos, implacavelmente, e não como vocês faziam. Quando um delegado chegava perto de uma investigação, ele era despachado para outra cidade. Quando o engavetador via um processo complicado, ele engavetava."

Dilma pergunta: "Há pouco saiu no UOL, que hoje nos recepciona nesse debate, que o ex-diretor da Petrobras afirmou ao Ministério Público Federal que o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, recebeu propina para esvaziar uma CPI da Petrobras. Veja o senhor que é muito fácil o senhor ficar fazendo denúncias. Por isso é que eu digo: o que importa quando a gente verifica que o PSDB recebeu propina para esvaziar uma CPI? Importa investigar. Importa saber, lamento que ele esteja morto, mas importa saber como recebeu, quando recebeu, e para quem distribuiu. Por isso que a gente tem de investigar, doa a quem doer."

Aécio responde: "Aí já vai uma outra diferença profunda entre nós. Para mim, não importa de qual partido seja o denunciado, a investigação tem que ir a fundo, e, pela primeira vez, pelo menos, há algo positivo aqui. A senhora pela primeira vez dá credibilidade às denúncias do senhor Paulo Roberto. É esse que disse que 2% de todas as obras sob sua responsabilidade iam para o seu partido, para o tesoureiro do seu partido. E o que a senhora fez durante esse período? Nada. A senhora tomou alguma providência, pediu o afastamento do tesoureiro do seu partido? Não. As denúncias que surgem aí são denúncias construídas a partir daquilo que a Polícia Federal chama de uma organização criminosa atuando no seio da nossa maior empresa. Foram doze anos em que os cofres da Petrobras foram assaltados. E esse dinheiro distribuído. Temos sim que ir a fundo, saber quem são os beneficiários, agora, se a senhora não tem receio e diz aqui que quer apuração, que quer que as investigações possam ir a fundo, por que o seu partido essa semana impediu que o senhor Vaccari fosse à CPI depor? Nós convocamos, e o seu partido, o PT e alguns aliados impediram que ele fosse lá explicar o que foi feito com esse recurso. Ele ainda é o tesoureiro do seu partido e é responsável por transferir recursos para a sua campanha. Terá sido por isso que ele não foi afastado? Pelo menos 4 milhões de reais foram transferidos com a assinatura do senhor Vaccari nessa campanha eleitoral para sua conta de campanha. De onde veio esse recurso? Vamos investigar logo. Eu acho que os brasileiros que estão nos ouvindo devem saber antes das eleições."

Aécio responde: "Agradeço a homenagem que a senhora faz ao presidente FHC. Tenho certeza que a senhora lhe tem um apreço muito grande. Sempre tive um cuidado muito grande de respeitar as pessoas, os adversários. Nós tivemos, no passado não muito remoto, um episódio muito triste na política quando o candidato Collor trouxe para o meio do debate político, de forma irresponsável, uma parente do ex-presidente Lula. A senhora gosta de falar de parentes. No meu governo, me ajudou muito a minha irmã Andréa, figura extraordinária. Acham que eu sou o neto preferido de Tancredo, mas era ela. Ela assumiu o serviço de voluntariado do Estado de Minas, me ajudou a coordenar a área de comunicação sem remuneração. A senhora é porque não conhece Minas Gerais. Se conhecesse um pouco ia saber o respeito que Minas tem por ela." "Candidata, a senhora conhece Igor Rousseff, seu irmão foi nomeado pelo prefeito Fernando Pimentel em 2003 e nunca apareceu para trabalhar. Essa é a grande verdade, lamento ter que trazer esse tema aqui. A diferença entre nós é que a minha irmã trabalha muito e não recebe nada, o seu irmão recebe e não trabalha nada."

Dilma: "A sua irmã e o meu irmão têm que ser regidos pela mesma lei, eles não podem estar no governo que nós estamos. O nepotismo eu não criei. O nepotismo é uma decisão do Supremo Tribunal Federal. Toda sociedade brasileira sabe que dentro do Governo Federal e dentro do Governo do Estado de Minas não pode ter um irmão, uma irmã, um tio, três primos e três primas. O senhor tem de dar conta de todos, não só da sua irmã. Digo o seguinte, todo mundo sabe, quem lê os decretos que vocês publicam, que ela era responsável pela destinação das verbas em todas as questões relativas a propaganda. A imprensa tem perguntado: quanto é que vocês colocaram nos três rádios e no jornal que vocês possuem? Essa é uma pergunta que não é minha, candidato, o senhor deve a ela a imprensa."

Aécio: "Nepotismo é proibido por lei. Não existe parentes trabalhando no governo. Ela assumiu um cargo de voluntariado, trabalha espontaneamente, é o cargo que a esposa dos governantes ocupam. Portanto, entenda bem a lei, a senhora não a leu direito. No meu governo, no que diz respeito à distribuição de verbas não acontece o que acontece no seu, onde esses blogs aparelhados recebem recursos para atacar a honra dos seus adversários, para colocar infâmias na rede. Eu atendi a uma reivindicação histórica do sindicato, das empresas de radiodifusão do Estado onde todas as empresas, todas as rádios receberam as mesmas verbas, o mesmo número de inserções. Tudo isso foi denunciado pelo seu partido, e sabe o que aconteceu? O Ministério Público disse que estava tudo absolutamente correto. Pare de ofender Minas Gerais, candidata."

"Nossos governos reorganizaram o estado que nós recebemos sucateado. Fizemos concursos públicos, a maior parte para a educação, para a saúde e para a segurança. Nós temos uma taxa de 4,2% de gastos com pessoal em relação ao PIB. Vocês deixaram com 4,8. Candidato, ao contrário de vocês, nós fazemos concurso. Ao contrário de vocês, nós não nomeamos sem concurso. Eu nunca nomeei parentes para o meu governo. Gostaria de saber se o senhor nunca fez o mesmo", pergunta Dilma.

"De emprego vocês não podem falar. Vocês nos entregaram o País com 11 milhões e 400 mil desempregados, a segunda maior quantidade de desempregados. Só ganhávamos da Índia", responde Dilma. "Agora, eu não vou combater a inflação com os métodos do senhor: desempregar, arrochar o salário e não investir. Vocês falam que querem fazer inflação convergir para 3%. Ora, é importante que a dona de casa que está nos escutando saiba o que acontecerá: nós vamos ter uma taxa de desemprego de 15%. Ele está se queixando de uma taxa de desemprego de 5%."

"Hoje nós temos no Brasil, neste ano, quase um milhão de empregos criados. E vamos elevar os juros para 25%, ninguém nunca mais vai comprar a prazo nesse país."

"Para a Presidente da República, mais uma vez, inflação não é problema, ela não tem nenhuma proposta", responde Aécio. "Não adianta você mascarar a realidade, candidata. Hoje, infelizmente a inflação voltou a atormentar a vida dos brasileiros e das brasileiras, porque o seu governo foi leniente com ela. Fomos nós que controlamos a inflação lá atrás, candidata, e, infelizmente, o seu governo vai deixar uma herança perversa para o futuro, inflação alta, crescimento baixo, e perda de credibilidade. Sem credibilidade não há investimento. Sem investimento não tem emprego. Nós tivemos 418 mil empregos a menos este ano do que no ano passado no mesmo período".

"Antes de começar vou dar um esclarecimento: não houve nenhuma acusação contra a ex-ministra chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, que não fosse como a sua. Sabe qual? Emprego de parentes. O senhor empregou um irmão, um tio, três primas e três primos. É disso que se trata, candidato. Eu nunca fiz isso na vida."

"Queria dizer que no caso da inflação eu tenho certeza que a inflação no Brasil está sob controle. Existe hoje uma tentativa de criar um clima de quanto pior, melhor. Esta tentativa vocês fizeram na Copa, dizendo que não ia ter Copa, que não ia ter condições, não tinha aeroportos, portos, enfim, que o Brasil não estava preparado. E ficou claro que o Brasil fora de campo estava muito bem preparado. Os aeroportos funcionaram, a segurança funcionou. No caso da inflação, é o mesmo. Nós temos tido, candidato, dois choques de ofertas. Um por conta da seca, essa mesma que está colocando São Paulo numa situação insustentável. Nós tivemos choque de preço da energia. A energia aumentou, nós não vamos impor racionamento, porque tínhamos as térmicas para despachar. Elas custam um pouco mais caro, nós vamos ter de pagar. A outra foi o choque nos alimentos. Também por conta da seca. Tudo isso é passageiro."

"Quando o senhor não planeja, o senhor não investe e você condena uma cidade do porte de São Paulo à mais terrível falta de água. Nós sabemos que a gestão da água afeta ao governo do Estado, então tem responsáveis, candidato...
"

Aécio comenta: "A senhora permitiu ser sucedida na Casa Civil, cargo que a senhora gosta de dizer que é o mais importante depois da presidência, pela sua dileta e próxima amiga que foi ali fazer negócios e por isso foi demitida. Candidata, não me meça com sua régua. Governei Minas Gerais com honradez, a senhora está desrespeitando o estado de Minas com as acusações absurdas, com mentiras todos os dias nas redes, anonimamente. A senhora infelizmente tem permitido ao Brasil ver a mais baixa campanha da sua história democrática, a partir da primeira eleição que tivemos, de Fernando Collor.

Em sua próxima pergunta, Aécio resolve falar de inflação: "A senhora reiterou nos últimos debates que a inflação está sob controle. O seu secretário de política econômica disse: deixe de comer carne, passe a comer ovo. O ovo no seu governo já aumentou mais de 50%, temos que ver o que vai restar para comer depois que a população não conseguir mais comprar o ovo. Mas a grande questão é: o que a senhora pretende fazer, já que não apresentou ao Brasil um plano de governo para controlar a inflação e fazer com que o Brasil volte a crescer? Vamos elevar o nível do debate".

"É interessante o senhor perguntar isso de por que não fez antes. Se o senhor gosta tanto dos nossos programas sociais, por que não fizeram antes quando eram governo e podiam?", afirma Dilma, após afirmar que "provas que o senhor apresentou e ocultou" impediram as investigações. "Foram as provas que vocês levaram, e ocultações que vocês fizeram que impedem uma investigação maior. Agora, no caso específico dos trens e do metrô de São Paulo, a Suíça mandou todas as provas para o Brasil e isto está em processo. Tanto é assim que vocês estão sendo chamados para depor. Candidato, eu tenho orgulho de ter uma vida sem nenhum parente empregado e sem nenhum uso indevido do dinheiro público em propriedade minha ou da minha família."

"Se a senhora acha que houve tantos crimes cometidos no governo do PSDB, e vocês governaram o Brasil por doze anos, por que a senhora não investigou, por que a senhora não fez novas denúncias? Porque não existia o que investigar. Ou então a senhora prevaricou, se a senhora está dizendo no momento da eleição que foram cometidos crimes que não foram investigados, a sua responsabilidade era denunciá-los para que o Ministério Público, que não pertence ao seu governo, ou a Polícia Federal, que não pertence ao seu governo, são instituições de estado, fizessem a investigação", afirma Aécio. "E não coloque palavras na minha boca nem na do meu partido, quem foi contra escolas técnicas? O Pronatec é uma inspiração do PEP, pergunte lá aos técnicos do Ministério da Educação. Nós temos que reconhecer que precisa melhorar muito. Foi inspirado nas Etecs aqui de São Paulo, e aproveito para cumprimentar o governador Geraldo Alckmin, que me acompanha, pela sua extraordinária vitória. As boas propostas têm que avançar, o Prouni foi uma inspiração, até porque a sua primeira experiência foi lá, foi em Goiás, no governo do PSDB, que permitiu que ampliasse oportunidades de vaga nas universidades."

"O PT tem uma mania, candidata, infelizmente a senhora achar que tem, que é dona dos programas. Ninguém é dono do Brasil. O que precisamos é qualificar a gestão pública, colocar gente séria, gente honrada, para que os resultados atinjam as pessoas. Eu quero fazer a nova escola brasileira. A senhora fala em flexibilizar o Ensino Médio, e por que não fizeram antes?  Depois de 12 anos, isso é necessário, fico feliz que a senhora concorde conosco. Eu vou fundar a nova escola brasileira, uma escola que ensine, prepare o aluno e o jovem para os desafios da vida que certamente estão por vir.
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Dilma toca na educação e no Enem, que acontece nos próximos dias 8 e 9, além no Prouni, ao Fies e ao Ciência sem Fronteiras. "Vocês foram contra o Prouni, é claro, assim como o Ciência sem Fronteiras. Eu queria saber porque vocês foram contra esse que é um dos programas mais democráticos?"

estarrecedor que o senhor ache que essas pessoas que não foram condenadas são inocentes. Não foram condenadas porque não foram investigadas. É diferente", responde Dilma. "Vocês engavetam, escondem debaixo do tapete, vocês chegaram a transferir, no caso da pasta rosa, um delegado de um lugar para outro. Eu, candidato, sou responsável por investigar neste País. Sou responsável por punir. É esta a responsabilidade: investigar com a Polícia Federal, denunciar ao Ministério Público, e punir com o Judiciário. Caso contrário, eu estaria numa situação que não é a correta, achando que eu estou acima do governo. Não, eu represento o governo."

"Todos os casos foram investigados. Se as pessoas estão soltas, é porque não foram condenadas, as provas não existiram", responde Aécio. "Mas vamos olhar para o presente e para o futuro. Onde estão os corruptos do seu partido? Presos, candidata. O presidente do seu partido foi preso, o tesoureiro do seu partido foi preso, o Ministro mais importante do seu governo foi preso. Mas eu quero que a senhora responda à minha pergunta de agora, de quem é a responsabilidade sobre esses desvios de recursos na Petrobras que não cessam nunca? Eu não estou repetindo as outras denúncias, eu estou falando das denúncias de hoje, não é possível que a senhora não se sinta responsável. Não existe, me perdoe, uma terceira alternativa. Só existem duas: ou a senhora foi conivente, ou a senhora foi incompetente para cuidar da maior empresa pública brasileira."

Dilma responde: "Em relação a tudo o que está acontecendo na Petrobras, a Polícia Federal foi levada a investigar. E, ao contrário do passado, ela não era dirigida por afiliados ao PSDB. A Polícia Federal investigou e vai punir implacavelmente porque construiu provas, passou para o Ministério Público. E agora, candidato, a Justiça vai julgar. E isso significará que o Brasil pela primeira vez vai ter de fato o combate sistemático à corrupção".

A candidata voltou a listas os escândalos de corrupção ligados ao PSDB: "No debate passado eu lhe perguntei: Onde estão os corruptos, onde os corruptos da compra de votos para a reeleição? Todos soltos. Onde estão os corruptos do metrô de São Paulo e dos trens? Todos soltos. Onde estão os corruptos da pasta rosa? Todos soltos. Onde estão os corruptos do processo SIVAM? Todos soltos. Onde estão os corruptos da privataria tucana? Aquela do limite da irresponsabilidade? Todos soltos. Quero dizer para o senhor que tenho um compromisso diferente: o meu compromisso é investigar e punir. Aqueles governos que não investigam, não acham. Assim como quando a gente pergunta: Qual foi a quantidade de recursos passados para as três rádios e o jornal mineiro que o senhor detém em Minas Gerais? Não há transparência, não há informação. Essa, candidato, essa é a diferença entre nós. Eu investigo, construo as provas para punir".

"Pelo visto a senhora quer fazer nos próximos quatro anos tudo o que não fez nos últimos quatro anos. A senhora será a primeira presidenta a deixar o governo com uma inflação pior do que recebeu", começa Aécio, voltando a falar da Petrobras. "A cada debate, uma denúncia, a de hoje diz respeito à COPERJ, no Rio de Janeiro. Segundo o Tribunal de Contas da União foram encontradas irregularidades em contratos no valor de 18 bilhões de reais. Não bastou Pasadena, o prejuízo de 2 bilhões, não bastou Abreu e Lima, orçada em 4 bilhões, já se gastou mais de 30, já com denúncia de superfaturamento para pagar propina à base aliada. A senhora sempre diz que não sabe de nada. Eu pergunto: de quem é a responsabilidade por tantos desvios de dinheiro público na Petrobras?"

Aécio começa a responder porque quer ser presidente da República: "Sou candidato à Presidência para encerrar um ciclo de governo que fracassou. Fracassou na condução da economia, vai nos deixar a inflação saindo de controle, o crescimento baixo, e uma perda crescente da credibilidade do País, que impacta fortemente a geração de empregos. Sou candidato o governo fracassou na gestão do Estado nacional. O Brasil se transformou num grande cemitério de obras inacabadas, com sobrepreços e com denúncias a todo momento de irregularidades na sua condução. Os indicadores sociais pioraram ao longo desses últimos anos. A saúde piorou, a educação piorou e a criminalidade aumentou. Eu quero ser candidato, eu sou candidato e quero ser presidente porque construí ao longo dos últimos anos um projeto para o Brasil, o projeto que não é de um partido político, de união, de integração nacional."

Dilma responde à mesma questão: "Sou defensora de um modelo diferente para o Brasil do que governou até 2002. Um Brasil que emprega, ao contrário de um que desemprega. Um Brasil que cria oportunidades para todos, contra um da exclusão e da desigualdade. Um Brasil que vai governar para todos, contra um Brasil que não foi governado para todos. Eu faço parte de um projeto que resgatou 36 milhões de brasileiros da pobreza, tirou-os do mapa da fome e elevou 42 milhões para a classe média. Faço parte de um projeto que construiu as bases para um Brasil moderno, mais inclusivo, mais produtivo e mais competitivo, onde a educação estará no centro. Faço parte de um projeto que quer levar avanços, segurança, saúde, transporte de qualidade. Eu peço o voto de vocês e peço que vocês nos acompanhem para entender as nossas propostas."

Começa agora o segundo debate presidencial entre os dois candidatos à presidência. O programa terá três blocos e 1h20 de duração. Cada candidato fará seis perguntas um ao outro, com direito a réplica e tréplica.

As últimas pesquisas eleitorais, divulgadas ontem, trazem resultado similar para as intenções de voto. Tanto Ibope quanto Datafolha apresentam os candidatos tecnicamente empatados: ele, com 45% dos totais, e ela, com 43%. Entre os votos válidos, o tucano sobe para 51% e a presidenta para 49%.

Segundo o Ibope, nenhum dos candidatos apresenta tendência de crescimento e, portanto, o cenário para o segundo turno está indefinido.

Leia mais: Ibope: Aécio tem 51% e Dilma, 49%

Leia mais: Datafolha mostra Aécio e Dilma empatados tecnicamente

O mediador Carlos Nascimento já está a postos para o segundo debate nos estúdios do SBT.

Dentro de instantes, às 17h, jornalistas de CartaCapital debatem as eleições e os temas que devem aparecer no debate que acontece logo mais. Mande suas perguntas pelo Twitter usando #CartaNasEleicoes