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Segundo turno: debate na Globo

Segundo turno: debate na Globo

por Redação — publicado 24/10/2014 18h43, última modificação 10/11/2016 10h35
Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) se enfrentam pela última vez antes da disputa nas urnas no domingo

Dilma: O Brasil que nós estamos construindo é o Brasil do amor, da esperança e da união. O Brasil da solidariedade. O Brasil das oportunidades. O Brasil que valoriza o trabalho e a energia empreendedora. O Brasil que quer crescer, que quer melhorar de vida e faz isso com muita autoestima. É um país que cresce e que faz todas as pessoas crescerem, mas com olhar especial para as mulheres, para os negros e para os jovens. É o Brasil da educação, da cultura, da inovação e da ciência. Eu deixo aqui a minha palavra: nós que lutamos tanto para melhorar de vida, nós não vamos permitir que nada nem ninguém, nem crise, nem pessimismo, tire de você o que você conquistou. O Brasil fez com que você crescesse e melhorasse de vida. Não vamos permitir que isso volte atrás. Vamos garantir que haverá um futuro conjunto, nosso, um futuro de esperança e de unidade.

Aécio: Chego ao final dessa campanha de pé, honrado pelo apoio, pelas manifestações de carinho e de confiança no nosso projeto. Eu não sou hoje mais o candidato de um partido político, eu sou o candidato da mudança. Essa mudança que você e sua família querem ver no país. Mudança de valores, mudança na eficiência do Estado, e na generosidade com que o governante deve tratar os brasileiros. Não posso deixar de me lembrar que há 30 anos, acompanhando o meu avô Tancredo eu fiz esta mesma caminhada pelo Brasil. Ele infelizmente não teve o privilégio de assumir a presidência da República. Quero dizer a você que, se eu merecer a sua confiança e o seu voto no próximo domingo, esteja certo que subirei a rampa do Palácio do Planalto com a mesma coragem, com a mesma determinação, com o mesmo amor ao Brasil, com a mesma generosidade com que ele nos conduziu à democracia. Eu sou hoje já um vitorioso porque como disse em São Paulo eu travei o bom combate, falei a verdade e jamais perdi a minha fé.

Economista de 55 anos pergunta sobre a colocação profissional de pessoas maduras.

Aécio: Você toca numa questão essencial ao Brasil do futuro, e minha energia está toda focada no Brasil do futuro. O que vem acontecendo com o Brasil hoje? Nós paramos de crescer, estamos na lanterna de crescimento na nossa região, às vezes revezando com a Venezuela e a Argentina. País que não cresce, não gera empregos, principalmente os empregos mais qualificados. Nós estamos vendo o desmonte da industrial nacional, ao longo dos últimos quatro anos, mais de um milhão de empregos na indústria deixaram de existir, e esses são os empregos que pagam melhor para pessoas mais qualificadas como você. Aqui, apenas em São Paulo, a indústria está demitindo 100 pessoas por dia. Essa é a minha grande preocupação, fazer o país voltar a crescer, porque aí sim haverá mais espaço no mercado para pessoas qualificadas também, e para todas as pessoas, porque nós temos que tratar da qualificação de todos. A grande verdade é que o atual governo perdeu a capacidade de recuperar esse crescimento porque não gera confiança nos investidores, nacionais ou internacionais. A Fundação Getúlio Vargas nos últimos sete meses vem mostrando ao Brasil que a confiança dos empresários de todos os setores vem diminuindo mês a mês. Por isso o Brasil precisa de um governo novo, com gente nova e com credibilidade, certamente aí o espaço no mercado de trabalho vai ser ampliado e pessoas qualificadas como você vão ter novas oportunidades.

Dilma: Eu não acho que o Brasil não está gerando emprego. O que eu acho, Elizabeth, é que seria interessante que você olhasse entre os vários cursos que são oferecidos, inclusive pelo Senai, para pessoas que têm a possibilidade de conseguir um salário e um emprego melhor, se você não acha colocação. Porque existe uma carência imensa de trabalho qualificado no Brasil. Não é o que o candidato está dizendo. Nós temos hoje uma taxa de desemprego de 4,9%. Ele queira ou não. E uma coisa é certa. Se não se fizer qualificação profissional, você não consegue fechar aquela demanda por trabalho, por mão de obra qualificada com a oferta. Então o que é o Pronatec? O Pronatec é para garantir que você tenha um emprego adequado para a sua qualificação.

Aécio: Você tem duas formas de ver a questão do emprego. Você olha a fotografia de um determinado momento e analisa. O caminho que nos espera, se não houver uma mudança radical na condução da nossa política econômica, é o pior de todos. Porque o que vem acontecendo com os investidores impacta na vida dos trabalhadores. Repito, o País tem que voltar a crescer, nós não temos alternativa, a nossa taxa de investimentos hoje é de 16,5% do PIB, já disse anteriormente, a menor da última década. Eu tenho convicção de que, com clareza das propostas, com respeito às regras, respeito às agências reguladoras, com uma política fiscal transparente, vamos gerar novos empregos para gente qualificada como você, Elizabeth.

Professora pergunta sobre a política de combate às drogas.

Dilma: Muito obrigada pela pergunta, vai dar condições de responder à anterior também. Na verdade, esses fundos aos quais o candidato se refere são de 4 bilhões e 400 milhões de reais. Nós aplicamos R$ 17 bilhões no combate às drogas, ao crime organizado e ao tráfico de armas. E fizemos isso em parceria entre a Polícia Federal, as forças armadas e a polícia rodoviária. Isso deu muito certo na Copa. Nós criamos um Centro de Comando e Controle e as polícias militares e civil dos estados também participaram. Não basta só controlar uma das maiores fronteiras do mundo, que é a nossa, tem de ter uma política de controle das fronteiras dos estados. Quando você vai num estado, eles fogem para outro, eles agem de forma coordenada. Nós agimos de forma desarticulada e fragmentada. Por isso é que eu propus que nós modifiquemos a Constituição para atribuir ao governo federal a responsabilidade na ação conjunta com os estados, coordenando os estados. E fazendo com que essa atuação seja uma atuação contra o crime organizado e as drogas.

Aécio: Realmente, como disse a candidata, o governo federal age de forma desarticulada e não executa os fundos que são aprovados pelo Congresso Nacional, que não são tão expressivos mesmo. É mais uma razão para que estivessem sendo executados integralmente. Quero falar de propostas, estou propondo o mutirão de resgate. Nós temos hoje 20 milhões de jovens que ou não completaram o ensino fundamental ou não completaram o ensino médio. Nós vamos permitir que ao longo dos próximos dez anos todos que se dispuserem recebam uma bolsa para concluir os estudos. Quero criar o poupança jovem, um recurso que é depositado na conta dos alunos do ensino médio que só pode ser sacado ao final do curso, para que tenha um estímulo a mais para concluir sua formação.

Dilma: Eu vi numa reportagem que todas as pessoas que participaram de 2010 disseram que melhoraram de vida. Eu quero que com vocês aconteça a mesma coisa. Eu ficarei muito feliz. Nós temos de tratar a questão da droga com duas ações: tratamento e prevenção. A prevenção é um trabalho fundamental que tem que ser feito nas escolas, esclarecendo as consequências principalmente do tráfico.

Na segunda pergunta do bloco, jovem pergunta sobre a violência urbana:

Começa o quarto bloco com perguntas dos eleitores. Elizabeth pergunta sobre saneamento básico: A maioria dos bairros próximos de onde eu moro têm esgoto a céu aberto. Quando chove, as pessoas perdem o pouco do que puderam conquistar. O que impede, de verdade, os governos de resolverem esse problema?

Dilma: Tenho um compromisso com o futuro, que é acelerar o tratamento e a coleta de esgoto. Nós estamos colocando 76 bilhões em parceria com estados e municípios. Por que em parceria? Porque não é o governo federal que realiza diretamente a obra. A Constituição passou o saneamento para os estados e para os municípios, mas nós achamos que o Governo Federal tem obrigação de colocar dinheiro, porque saneamento é uma questão de saúde pública e também de civilização. Nós temos feito uma série de investimentos, muitas PPP, ou seja, parceria público-privadas, e vou dar absoluta prioridade a esgotamento sanitário. Conseguimos um avanço nos últimos quatro anos, mas esse avanço ainda não é suficiente. Durante muito anos não se investiu em esgoto tratado, no caso da água, do recurso hídrico, também é uma questão muito séria, ele demora, porque tem municípios ainda que não têm tratamento de água.

Aécio: Eu não vou terceirizar responsabilidades, eu, se presidente, vou cumprir o meu papel. O primeiro é desonerar as empresas de saneamento do PIS, o que não foi cumprido. É sim necessário que nós resgatemos a responsabilidade, eu vou tratar dessa questão diretamente e não vou transferir essa responsabilidade para municípios e tampouco para os estados brasileiros.

Dilma: Elizabeth, ele não pode fazer isso porque não é atribuição da União. Nós não podemos interferir no estado, seria crime de responsabilidade do governo federal. Nós podemos sim fazer parcerias. E é isso que nós fazemos. Geralmente, nos estados mais pobres e nos municípios mais pobres, nós tiramos dinheiro do nosso orçamento e colocamos para pagar as obras de saneamento, que é tratamento de esgoto e coleta. Agora, nos estados mais ricos, nós financiamos, mas financiamos em condições muito razoáveis, 20 anos para pagar, 5 anos de carência e juro baixo.

Dilma: Queria falar sobre um assunto muito importante que é a educação. Nós somos a favor do Enem, uma forma de acesso democrático à universidade. Ao mesmo tempo, criamos o Prouni, que é o acesso à universidade privada e à faculdade privada para as pessoas que não têm renda para pagá-los, e também fizemos o Fies. Por que vocês foram contra o Enem, contra o Prouni, entraram até na justiça contra ele?

Aécio: Não posso deixar de retornar à pergunta anterior e dizer que, infelizmente, nós vamos às urnas sem que saibamos o que a candidata, o que a cidadã Dilma acha do mensalão. Talvez por dificuldades com seus companheiros de partido. A senhora deveria honrar aquilo que escreveu ao presidente Fernando Henrique, reconhecendo quais era as prioridades naquele momento, o grande presidente da estabilidade, segundo a senhora. Em relação a mim, ao meu governo, eu fico sempre com os enormes elogios que a senhora me fez, até constrangido porque eram elogios muito fortes que nem correligionários me faziam, a senhora me considerava um dos melhores governadores do Brasil, um governador, "exemplar". O que mudou? O fato de eu ser candidato e ser seu adversário hoje? Não. Nós temos que tratar as coisas como elas são, nós sempre valorizamos a educação, o Prouni, vamos de novo, é inspiração de um projeto de um governo tucano em Goiás, ampliado, e precisará ainda ser mais ampliado. Mas ele tem um problema. O meu programa de governo que existe, já que o da senhora ninguém conhece, cuida de apoiar esses jovens porque muitos estão deixando a universidade porque não têm como chegar na universidade, não têm como comprar um material didático necessário, nós vamos dar, além de ampliar o Prouni, vamos dar apoio a esses jovens para que possam completar o curso.

Dilma: Já que o senhor perguntou, eu quero dizer que a sua máquina de propaganda é muito eficiente. Eu acreditei no seu choque de gestão até saber que o senhor tinha conseguido transformar o estado de Minas no segundo mais endividado do País. Eu acreditei que o senhor investia em saúde e educação até ler um parecer do TCU em que fica claro que o senhor não cumpria o mínimo constitucional. Nem em saúde nem em educação. Agora vocês nunca foram a favor do Prouni, vocês entraram no Supremo Tribunal Federal pedindo para que essa, que a lei do Prouni fosse considerada inconstitucional. No caso do Enem vocês sempre criticaram. Agora, que 8,7 milhões de pessoas estão fazendo, o senhor vem aqui dizer que concorda?

Aécio: Nem o fato de ter passado toda a vida longe de Minas Gerais justifica ofender tanto sua realidade. A senhora no último debate fez uma ofensa aos fatos e teve o constrangimento, acredito eu, de ler no dia seguinte um documento do Ministro do Tribunal de Contas dizendo que aprovou as nossas contas, aliás, por unanimidade, pela correção dos nossos investimentos. Quem não gasta em saúde é o seu governo. Em 2009, o TCU pediu que vocês retirassem do cálculo do gasto com saúde recurso para o Bolsa Família. Essa é a grande realidade. Vocês demoraram a regulamentar a emenda 29 muito mais do que era cabível, aceitável. Minas Gerais é um estado extraordinário, que só cresce, tem a melhor educação fundamental do Brasil, a melhor saúde da região Sudeste, porque teve um governador muito correto.

Aécio: Há um tempo o mediador desse debate fez uma pergunta e a senhora não respondeu, eu gostaria que agora a candidata Dilma que está aqui pudesse responder aos brasileiros. Não há nenhum brasileiro que não tenha uma opinião sobre o mensalão. Ou contra ou a favor. Eu, por exemplo, acho que os condenados foram condenados porque cometeram irregularidades. Membros do seu partido acham que são heróis nacionais. Para a candidata, José Dirceu foi punido adequadamente ou é também um herói nacional?

Dilma: Se o senhor me responder por que o chamado mensalão tucano mineiro não foi julgado, por que o senhor Eduardo Azeredo pediu renúncia do seu cargo para o processo voltar para a primeira instância, o senhor seria de fato uma pessoa correta. Mas, não, o senhor faz uma política e adota uma estratégia nesse debate que é uma estratégia estranhíssima. Primeiro, o senhor fala no Pronaf. O do seu governo era de 2 bilhões. O do meu governo é de 24 bilhões. Há um diferença expressiva. Da mesma forma, houve o julgamento do mensalão ligado ao meu partido. É necessário dizer que eles estão e foram condenados e foram para a cadeia. No entanto, o mensalão do seu partido não teve nem condenados, nem punidos. É esta a realidade, não fuja dela. O senhor é o primeiro a falar em corrupção. Mas eu posso enumerar todos os processos de vocês que não foram julgados e as pessoas estão soltas. O processo do Sivam? Todos soltos. O processo da pasta rosa? Todos soltos. O processo dos trens de São Paulo? todos soltos.

Aécio: A senhora traz, além da negação a resposta do que eu perguntei, eu acho que o Brasil merece saber o que a cidadã e a candidata Dilma acha em relação à condenação do mensalão. Não sei por que tanto constrangimento, mas traz aqui e usa afirmações muito perigosas. A primeira delas em relação a essas denúncias, porque a senhora era dona da mesa e da gaveta do seu partido durante 12 anos. Se existia algum indício de irregularidade, a obrigação do governante é mandar abrir investigação. Vocês não fizeram isso. Se quer falar do mensalão mineiro, vamos aguardar que ele seja julgado, mas a senhora agora comete um grave erro, porque o principal acusado do mensalão mineiro é o coordenador da sua campanha em Minas Gerais, o senhor Valfrido Mario Dias voou no avião da senhora essa semana, candidata.

O público volta a se manifestar e a ser repreendida por Bonner: "Estou controlando o tempo e permitindo que ambos os candidatos tenham condição de concluir raciocínio, o que não permito é que comecem um novo raciocínio depois. É razoável, está equilibrado até agora, os senhores não se manifestem".

Dilma: "O senhor precisa estudar mais. Processos arquivados e encerrados, e vocês arquivaram e encerraram e deixaram também passar o tempo para o julgamento. Sabe o que acontece? Só o Ministério Público abre processos engavetados, e processos arquivados, esse vocês arquivaram todos os processos, inclusive o seu candidato a ministro ia ser julgado por improbidade. Mas, como tinha passado o prazo do julgamento, ele não foi sequer denunciado. Então, a estratégia do engavetador para o caso da impunidade durante o seu governo deu certo.

Aécio: Cada governo em seu tempo fez aquilo que julgava essencial. O PSDB, para muito orgulho nosso, fez o maior programa de distribuição de renda desse País, que foi o Plano Real. A estabilidade econômica tirou o flagelo da inflação das costas dos cidadãos brasileiros. E o meu compromisso com agronegócio não é um compromisso que vem de agora, é um compromisso que eu trago comigo desde a minha formação em Minas Gerais. Nós vamos ter uma política agrícola baseada no crédito, no seguro, e no respeito, na segurança jurídica no campo. A senhora permitiu que no seu governo um dos setores de maior potencialidade do país, o etanol, fosse destruído. Cerca de 70 usinas deixaram de moer, o desemprego chega no nordeste brasileiro, nas regiões mais pobres que fornecem a cana de açúcar. Nós temos que ter uma política agrícola que, em primeiro lugar, tire o Ministério da Agricultura desse loteamento político a que ele foi submetido. Eu tenho dito que criarei o superministério da Agricultura e lá estarão pessoas que têm autoridade para sentar-se com o Ministro da Fazenda para definir política econômica, com o Ministro do Planejamento para definir orçamento e com o Ministro da Infraestrutura, porque esse era o Ministério criado no meu governo, para definir os investimentos em logística, que garantam maior competitividade a quem produz no Brasil.

Dilma: Vocês deixaram a agricultura a pão e água. Candidato, uma pessoa fala para o futuro, mas ela tem de mostrar suas credenciais. Quando eu falo para o futuro, eu os mostro as minhas credenciais. As credenciais de vocês no caso da agricultura são parcos recursos, pouquíssimos. Financiamentos a juros elevados. Não tinha política de seguro, não tinha política de assistência técnica. E não davam a menor importância ao agricultor familiar. Não davam importância a um dos segmentos mais importantes do Brasil, que responde por 70% dos alimentos. Então, me desculpa, mas o senhor falou, falou e não apresentou nada de concreto, nem no presente, agora, tampouco para o futuro.

Aécio: Não tente reescrever a história. O Pronaf foi criado no nosso governo, o mais importante instrumento da agricultura familiar que esse país já viu. A grande verdade é que quem olha muito para o passado quer fugir do presente ou não tem nada a apresentar no futuro. Vamos debater o Brasil daqui para frente, a crise é gravíssima em todos os setores, o Brasil é um país extremamente produtivo da porteira para dentro, da porteira para fora falta tudo. Faltam ferrovias, faltam hidrovias, portos, já que os recursos estão indo para portos fora do Brasil, e é preciso que haja planejamento. Quem produz não tem competitividade, e nós estamos perdendo mercados fora do Brasil porque seu governo optou por um alinhamento ideológico na nossa política externa que não abriu um novo mercado ao Brasil.

Dilma: Damos muita importância à agricultura no Brasil. Durante o meu governo, tivemos um aumento muito grande da safra. Vocês em 2002, tiveram um financiamento de R$ 30 bilhões. Hoje, temos um financiamento para a agricultura de R$ 180 bilhões. Se o senhor for eleito, quais são as principais medidas que o senhor tomará nessa área?

Aécio: Tenho dito que é preciso que façamos uma reforma política no Brasil. Entre todas as propostas, não conheço as suas, acredito que temos que acabar com a reeleição. A Folha de S.Paulo publicou há poucos dias que numa sexta-feira, dos seus 39 Ministérios, apenas 15 ministros estavam trabalhando e que a senhora ao longo dos últimos 35 dias, segundo um jornal de hoje foi duas vezes ao Palácio do Planalto. Quem está governando o Brasil, candidata?

Dilma: Eu governo o Brasil e governo sistematicamente. Agora, eu acredito que a questão da reforma política não é a reeleição. Se de fato o senhor está interessado em combater a corrupção, a questão mais séria é o fim do financiamento empresarial das campanhas. Porque assim nós acabaremos com a influência do poder econômico sobre as eleições brasileiras. Isto é que é uma vergonha. Além disso, eu sou a favor da paridade de homens e mulheres, e aqui tem as mulheres indecisas que sabem da importância da representação feminina. Sou a favor do fim da coligação na eleição proporcional. E sou a favor dos dois turnos na eleição proporcional, que é a proposta da CNBB e da OAB. Candidato, eu acho que o senhor não tem interesse na reforma política, porque a única coisa que o senhor fala é sobre reeleição. Quando era do interesse, vocês foram e criaram a reeleição. Existe, inclusive, todo um processo por corrupção por compra de votos para a aprovação da reeleição, e agora o senhor me vem com essa, que o senhor é contra a reeleição.

Aécio: Quer dizer que a senhora é contra o financiamento privado?

Dilma: Empresarial, o senhor está esquecendo.

Bonner: A senhora precisa esperar que ele responda.

Aécio: No ano passado, um ano não eleitoral, o seu partido recebeu 80 milhões de reais em doações empresariais. O seu partido não tem autoridade para falar sobre isso. A sua campanha é uma campanha milionária, agora às vésperas do segundo turno, o seu coordenador financeiro da campanha pediu para aumentar o teto de gastos porque não tinha mais onde colocar dinheiro. Eu não. Sempre defendi limitações no financiamento privado e defendi o voto distrital misto, defendi a cláusula de desempenho, que foi aprovada no tempo em que eu estava na Câmara dos Deputados. A senhora apresenta uma proposta que eu gostaria de conhecer, porque não sei como funcionaria dois turnos de eleição proporcional, é a primeira vez que ouço.

Dilma: Fim do financiamento empresarial é diferente do fim do financiamento privado. Sabe por quê? Você pode ter financiamento de pessoas jurídicas, não pode de empresas. Acontece em várias democracia do mundo. Eu fico muito surpresa com as posições do senhor. Acredito que hoje nós sabemos que, se não foi investigado e se não for punido, o crime de corrupção vai se reproduzir. Um dos fatores responsáveis pelos crimes de corrupção é que no Brasil o financiamento empresarial das campanhas coloca dentro das campanhas, de todas, candidato, o poder econômico. E nos parece que o senhor é a favor deles.

Aécio: A ausência de planejamento não é uma vergonha nos estados mais ricos, é uma vergonha em todas as regiões do Brasil, e essa é a marca do seu governo. A transposição do São Francisco que levaria água às populações mais carentes do País era para ter ficada pronta em 2010. Nós estamos em 2014 e aqueles que estão lá próximos das obras não acreditam mais que verão uma gota de água. Mas eu, assumindo a presidência, estejam certos que essa obra estará concluída. A transnordestina foi orçada em 4 bilhões, mas já se gastou mais de 8 bilhões e ninguém sabe quando ficará pronta. Abreu e Lima era uma obra de R$ 4 bilhões, já se gastou mais de R$ 30 bilhões, onde é que houve planejamento? Seu governo é o governo da ausência de planejamento, por isso nós temos hoje um custo Brasil altíssimo, baixíssimos investimentos em logística e quem é punido por isso é o cidadão brasileiro.

Dilma: O fato é que a água é responsabilidade do Estado. Nós somos parceiros, nesse caso agora do projeto do São Lourenço, que é o único que o Governo do Estado apresentou. Demos o dinheiro para fazer o projeto. E estamos financiando 1 bilhão e 800 milhões. Não planejar no estado mais rico do País é uma vergonha. Os estados do Nordeste estão enfrentando a mesma seca e nenhum deles tem um quadro com essa gravidade. O senhor vai me desculpar, mas eu vou concordar com o humorista José Simão. Vocês estão levando o estado para ter o programa Meu Banho, Minha Vida.

Ela arranca risos e vaias da plateia.

Aécio: Certamente que houve, e segundo o TCU, porque nós estamos tendo, não é apenas em São Paulo, mas em toda a região Sudeste ausência de água. A senhora sabe muito bem que nós tivemos a maior crise hídrica dos últimos 80 anos. O governo de São Paulo, diferente do governo federal, buscou fazer o que estava nas suas mãos. O eleitorado de São Paulo decidiu quem estava com a razão, quem falava com sinceridade. O seu candidato em São Paulo fez uma campanha demonizando a ação do governo estadual, mas o governador Geraldo Alckmin foi eleito. Infelizmente nós não tivemos a parceria da Agência Nacional de Águas. Por que será? Será porque as indicações da senhora Rosemeire levaram os diretores da ANA ao presídio? Esse aparelhamento da máquina pública é a face mais perversa do seu governo e do governo anterior. Os técnicos são substituídos por apadrinhados políticos.

Dilma: Em qualquer governo, é fundamental planejar. Quem não planeja, não consegue enfrentar os desafios. Eu queria saber como é que o senhor enxerga essa questão da água em São Paulo. Houve ou não houve falta de planejamento, candidato?

Dilma: O senhor está muito mal informado. O meu governo tem feito imenso esforço para levar atendimento às pessoas com deficiência. E através dos Centros de Assistência Social, criar toda uma política de Assistência Social. No centro está o Bolsa Família, mas além dele, há programas complementares. Eu não tenho dúvida para informar para o senhor e para os eleitores indecisos que o meu governo não atrasa programas sociais. Não atrasa nem contingencia.

Aécio: A senhora é que está desinformada em relação ao seu governo. Estão sim atrasados os repasses. No meu governo isso não vai ocorrer. Eu tenho conversado muito com parceiros e amigos meus que dedicam-se a essa questão, como Mara Gabrilli, e no meu governo as Apaes serão fortalecidas, ao contrário de no seu que tentou extingui-las.

Dilma: Eu tenho certeza que no seu governo vocês jamais repassaram pras Apaes o que nós repassamos. Nós fizemos com as Apaes o maior programa dentro do que nós entendemos dentro do Viver sem Limites. Ao mesmo tempo, oferecemos às pessoas com deficiência toda a atenção.

Eleitora pergunta sobre os planos para a terceira idade.

Aécio: Essa deve ser a preocupação de qualquer governante responsável. O Brasil envelhece e não tem hoje serviços e programas para a terceira idade. Tomei uma decisão, em relação a uma questão que afeta e muito a renda do aposentado: vamos rever o fator previdenciário, para que ele não puna como vem punindo.

Eleitora Adriana pergunta: A corrupção é uma doença contagiosa. Candidata, como pretende acabar com a corrupção no Brasil e fazer com que seus culpados sejam punidos de forma exemplar?

Dilma: Você tem toda a razão: a lei é branda. E quando a lei é branda, você investiga, e na hora de punir o criminoso se evade. Por isso eu propus algumas questões: transformar em crime eleitoral o caixa 2; a pessoa que enriquece sem declarar origem do bem, perde o bem; criar instância dentro do tribunal para julgar crimes de colarinho branco. Isso significa que vamos ter conjunto de medidas para que haja punição para aquele que foi o corrupto e o corruptor. Eu tenho orgulho de a polícia federal no meu governo investigar.

Aécio: Eu reconheço que você tem o sentimento de milhões de brasileiros, que não aguentam mais abrir os jornais e ver um novo escândalo de corrupção. Tenho uma solução e não depende do Congresso Nacional: vamos tirar o PT do poder.

Parte do público aplaude, outra parte, vaia. William Bonner intervém para dizer que a plateia não pode se manifestar.

Dilma: Isso vem de um candidato que é de um partido que tinha uma prática de engavetar investigações. Eu tenho um orgulho na minha vida: eu nunca compactuei com corrupto ou corrupção, e vou dizer doa a quem doer: vou condenar corruptos.

O público volta a se manifestar e a ser repreendido por Bonner.

Eleitora pergunta o que fará para ser o Brasil do futuro.

Aécio: A minha proposta é levar o que fizemos em Minas Gerais para todo o Brasil. As creches vão ficar abertas até 20h. Vamos qualificar o Ensino Médio flexibilizando os curriculos. É importante que a pessoa se forme para exercer sua profissão na região em que mora. Meu governo vai apoiar municípios e estados que remuneram melhor os seus professores.

Dilma: Tenho um grande compromisso com creche e pré-escola, porque é o futuro do País. É o que dá futuro para os brasileirinhos e brasileirinhas. Se for eleita vou construir tantas creches quantas foram necessárias para universalizar o acesso.

Aécio: Eu volto à sua pergunta, que escuta sempre a mesmas promessas. Quem está no poder não escuta. Se as 6 mil creches prometidas estivessem construídas, os filhos e netos de quem está aqui teriam onde estar.

Dilma: Muito boa pergunta, pois me dará a oportunidade de falar do Minha Casa Minha Vida. Ele dá uma série de vantagens, como que você não pague o seguro, pois nós assumimos o seguro. Vamos ampliar as faixas de renda. Tenho certeza que você vai poder ser uma das pessoas contempladas caso você seja sorteado. Porque é um processo muito democrático, para impedir que haja uso político. A gente não financia com empresário, a gente financia diretamente a você.

Aécio: Esse é um drama que diversos brasileiros vivem, se tivessem sido entregues. Um milhão de brasileiros estariam contemplados. Vamos ampliar esses programas habitacionais em parcerias com os municípios. Eu dizia que ninguém pode ter monopólio de programas sociais.

Dilma se confunde ao se dirigir ao eleitor: Candidato. Ops. Você pode ser um dia candidato, né, querido?

Dilma: Você pode ter certeza que esse foi o único programa feito desse porte no Brasil. Vamos entregar este ano 3 milhões 750 mil moradias.

Começa o segundo bloco, que terá pergunta de eleitores indeciso. A primeira se dirige a Dilma Rousseff. Os candidatos podem se levantar e caminhar pelo palco.

Eleitor: Meu nome é Luiz Alexandre Filho, tenho 43 anos, sou florista. Qual será a sua política para quem mora de aluguel? Pois está cada vez mais difícil e muito mais caro alugar uma casa, os preços estão muito inflação da inflação. Moro há quinze anos e meu aluguel triplicou nos últimos quatro anos.

Dilma: O senhor não respondeu. Vocês em oito anos fizeram 11 escolas técnicas federais. Nós, candidato, fizemos 422. O Lula, 214, e eu 208. O meu número é só 1600 porcento maior que o que vocês fizeram em oito anos. Sabe por que fazer escolas técnicas foi importante? Porque ela é a base da parceria que nós fizemos com o sistema S. O Pronatec é um ensino gratuito, e ele comporta tanto ensino técnico de nível médio quanto qualificação profissional. É gratuito, o material é didático gratuito, o transporte, e a merenda. Candidato, vocês jamais tiveram um programa dessa dimensão. Aliás, o programa de vocês são programas pilotos. Pequenos e fragmentados.

Aécio: Acho que mais do que esses números decorados, vamos falar de educação. O Brasil inteiro está nos escutando hoje, o que esse governo fez para que a qualidade da educação pública no Brasil avançasse? Absolutamente nada. Em qualquer ranking internacional, é vergonhosa a posição do Brasil, inclusive em relação a nossos vizinhos. Eu, se puder vencer essas eleições e ser lembrado com uma marca, digo a todos os brasileiros que quero ser lembrado como o presidente que revolucionou a educação no Brasil. Vocês tiveram doze anos e nada aconteceu, eu governei Minas com orgulho, e levei Minas Gerais, que não é o mais rico dos estados brasileiros, o segundo mais populoso, a ter a melhor educação fundamental do Brasil. E quem fez tem mais autoridade para dizer que vai fazer, candidata.

Aécio: O Pronatec é um inspiração em programas feitos em São Paulo, as ETECs do governador Geraldo Alckmin, do governador José Serra. A Pepe em Minas Gerais, o programa de ensino profissionalizante de Minas Gerais inspiraram o Pronatec, agora falta fiscalização. Nesta última semana, as denúncias em relação ao Pronatec são graves. Em relação às estatísticas. Porque vocês contabilizam o aluno quando ele entra e se ele ficou ali uma semana ou duas semanas e depois saiu ele continua fazendo parte da estatística. O seu governo é o governo das estatísticas, desde que elas lhes sejam favoráveis. Nós vamos aprimorar esses programas, aumentando a carga horária, mais de 70% desses cursos têm uma carga horária de cerca de 160 horas. Venhamos e convenhamos que é muito pouco para a formação adequada do aluno, e eu quero mais, eu quero que o aluno frequente o Pronatec, mas complete seu ciclo de estudo no ensino médio, isso vai permitir ao Brasil dar um avanço na educação. O Pronatec é uma etapa apenas de um processo muito mais complexo e que tem que ser muito mais ousado e ambicioso do que esse que tem o seu governo.

Dilma: Sempre gosto de perguntar a respeito do Pronatec. Porque o Pronatec resolve várias questões e desafios. Vocês fizeram uma lei proibindo que o governo federal fizesse e mantivesse escolas técnicas. Por isso fizeram ao longo de oito anos só onze escolas técnicas. O senhor era líder do governo Fernando Henrique?

Aécio: A senhora quer dizer então que foi o PT que controlou a inflação? Não fomos nós com o Plano Real? A história não se reescreve. Nós fizemos o que precisava ser feito e tenho honra e orgulho enormes de ter hoje como aliado muito próximo o presidente Fernando Henrique, aquele a quem a senhora teceu elogios que talvez eu não tenha tido ainda a oportunidade de fazer. Mas as pessoas querem saber do futuro. Quem tem responsabilidade com o controle da inflação, com a gestão profissional dos bancos públicos somos nós, o seu governo deve à Caixa Econômica Federal mais de 10 bilhões, deve ao Banco do Brasil 8 bilhões, porque seu governo descontrolou a economia do País, candidata, esta é a realidade incontestável.

 

Aécio: As pessoas que nos assistem hoje querem que a gente fale de futuro. O seu governo deve à Caixa Econômica Federal, porque o seu governo descontrolou a economia do País. Essa é a verdade incontestável.

Dilma: Quero reiterar que vocês quebraram os bancos públicos do País. Vocês minguaram a Caixa. Vocês eram contra fazer política social com subsídio, agora vêm dizer o contrário? Eu não acredito, porque a prática diz muito mais do que as palavras. Quando veio a crise, vocês jogaram a crise nas costas do povo brasileiro, com desemprego e baixo salário. Nós não.

Aécio: Vamos a um tema que interessa de perto a todos os brasileiros: inflação. A senhora reafirmou nos últimos debates que a inflação no Brasil está sob controle. Eu não acredito nisso. Ela estourou o teto da meta e, ao mesmo tempo, a perversa equação que seu governo deixará ao sucessor. Estou preparado para ela, a inflação alta e o crescimento baixo. Dou-lhe mais uma oportunidade, o que o seu governo fará se vencer as eleições para controlar a inflação, ou ela não é um problema?

Dilma: Primeiro sobre o Banco do Brasil, vocês deixaram o Banco do Brasil com uma grave dívida. Nós demos lucro no Banco do Brasil, profissionalizamos o Banco do Brasil. Vocês quebraram a Caixa, quebraram o BNDES, reduziram tudo ao tamanho que vocês achavam que devia ter, ou seja, sem política industrial e sem política social. No caso da inflação, o senhor pode ter certeza que é meu compromisso. Nos últimos dez anos nós mantivemos a inflação dentro dos limites da meta. Quem não mantinha a inflação dentro dos limites da meta era o senhor, que apesar de agora desconhecer o governo Fernando Henrique, foi líder do governo Fernando Henrique. Vocês querem botar na conta do Lula que em 2002, mas não senhor! Em 2001 ela estava já em 7,7%. Vocês chegaram à obra-prima de aumentar imposto e deixar uma dívida pública muito maior do que a que vocês receberam. Não há comparação entre o que nós fizemos e o que vocês fizeram. Nós enfrentamos a crise, não deixando que o desemprego e o salário recaísse, a diminuição do salário recaísse na conta do povo brasileiro.

Dilma: O Minha Casa Minha Vida é o maior programa habitacional do Brasil, e o senhor tem feito críticas a ele. Não entendo a razão das críticas, uma vez que nós batemos todos os recordes construindo habitações no Brasil. Tenho certeza que irei construir mais ainda se reeleita. Gostaria que o senhor se pronunciasse a respeito de construções dentro da sua perspectiva de governo.

Aécio: Aproveito essa questão para mais uma vez denunciar o terrorismo que o seu partido vem fazendo. Pessoas que estão na lista para serem beneficiadas pelo Minha Casa Minha Vida estão recebendo mensagens dizendo que se votarem no PSDB sairão do cadastro. Não é verdade. Eu quero tranquilizar todas as brasileiras e todos os brasileiros, porque nós não vamos apenas manter o Minha Casa Minha Vida, nós vamos aprimorar, focando especialmente as populações de mais baixa renda. O atual governo não avançou naquelas de até três salários mínimos, porque existia no início do seu governo um déficit de 4 milhões e cem moradias, existe hoje um déficit de quatro milhões de moradias. Esta será uma grande prioridade no nosso governo e vamos fazer parcerias desburocratizadas. Ninguém pode querer se apropriar de programas como se fossem apenas seus, esses programas são da sociedade brasileira, eles são pagos com o dinheiro do trabalhador brasileiro e nós vamos subsidiar programas sociais como esses que têm alcance na vida real, que mudam a vida das pessoas, o que nós não vamos fazer no nosso governo é o Bolsa Empresário, que ajuda apenas a um grupo muito restrito de brasileiros em detrimento da grande maioria.

Dilma: O senhor não entende ou não conhece o programa. O foco desse programa é em quem ganha até 1.600 reais. Mas ele abrange também quem ganha até 5 mil. Vocês falaram o tempo inteiro que os bancos públicos iam ser redefinidos, agora vem aqui e quer que as pessoas acreditem que vocês vão manter o subsídio? Eu não acredito nisso, porque vocês sistematicamente, ao longo de todo o governo Fernando Henrique, foram contra o subsídio. E para a pessoa que está nos assistindo ter uma ideia e para os indecisos aqui presentes terem uma ideia, caso fosse a preço de mercado, a prestação seria 940 reais. Dentro do Minha Casa Minha Vida, o máximo é 80.

Aécio: Muito me honra a comparação com Fernando Henrique, mas eu me chamo Aécio Neves, eu disputo a presidência da República para governar a partir de primeiro de janeiro de 2015 e o tema que a senhora traz é um tema que merece também aqui uma reflexão. Bancos públicos serão fortalecidos, não serão aparelhados no nosso governo. Em 2003, o Banco do Brasil tinha 13 diretorias. Sabe quantas tem? Talvez nem saiba: 37, um terço delas ocupados por afiliados do PT. Essa é uma demonstração clara da perversidade do aparelhamento da máquina pública em benefício de um projeto de governo. Um vice-presidente preso na Itália e o vice atual alvo de gravíssimas denúncias.

Dilma: Não tem Ministério do Desenvolvimento Econômico, tem Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. E Relações Internacionais. Então eu queria te que sempre que se financia uma empresa, as cláusulas do financiamento dizem respeito a essa empresa. As garantias são elas que dá, não é Cuba. Quem dá a garantia é a empresa brasileira para o BNDES. Então, quero que você pondere. O governo Fernando Henrique fez o mesmo empréstimo. Nós também fizemos. Mas beneficiamos quem? Empregos brasileiros. Eu queria também que o senhor tivesse tanto zelo pela liberdade de informação no caso das empresas que o senhor tem em Minas.

Aécio: Mais um engano da senhora, mas volto a Cuba que é minha pergunta. Talvez eu possa revelar as razões pelas quais este empréstimo é considerado secreto, diferente de todos esses outros a que a senhora se referiu. Recebi um documento hoje e estou solicitando que seja enviado à Procuradoria Geral da República para que faça a investigação um documento do Ministério do Desenvolvimento Econômico que diz que o financiamento para Cuba, diferente do financiamento para outros países onde o prazo normal para pagamento é de 12 anos, foi de 25 anos. E o mais grave: todos esses financiamentos costumam pedir que as garantias sejam dadas em uma moeda forte, geralmente euro ou dólar, em um banco internacional de credibilidade. O governo brasileiro aceitou que essas garantias fossem dadas em pesos cubanos num banco na ilha de Cuba. É justo com o dinheiro brasileiro fazer favores a um país amigo que não respeita sequer a democracia?

Aécio: "Nós sabemos da absoluta carência de infraestrutura por todas as partes. Falta ferrovias, hidrovias, portos. O seu governo optou por financiar a construção de um porto em Cuba, gastando R$ 2 bilhões do dinheiro brasileiro. Enquanto os nossos portos estão aí, nenhum teve investimentos nesse montante. O que é mais grave: este financiamento vem com carimbo secreto, ele não é acessível à população brasileira. O que o seu governo tem a esconder em relaço ao financiamento do porto de Mariel em Cuba?"

Dilma: "O meu, nada, o seu, tem muito a esconder quando se trata dos gastos com publicidade não claramente veiculados nos jornais e a televisão da sua família. Acredito que é necessário a gente parar e olhar com muita cautela essa questão do porto. Nós financiamos uma empresa brasileira que gerou empregos no Brasil. Tanto que foram quase, dos 800 milhões contratados, nós conseguimos gerar 456 mil empregos. E quero lembrar ao senhor que também o governo Fernando Henrique financiou empresas brasileiras a exportar e a colocar produtos tanto na Venezuela quanto em Cuba. Então, eu não entendo esse estarrecimento. Agora eu queria voltar a questão do emprego. Vocês deixaram o País com 11 milhões e 400 mil pessoas desempregadas. Candidato, era a maior taxa, só perdia para Índia, que tinha 41 milhões. Vocês bateram o recorde de desemprego, recorde de baixo salários e, no que se refere à inflação, o senhor está falando do governo Itamar, e não do Fernando Henrique."

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Aécio: A senhora acaba de dizer que o governo Fernando Henrique deixou a inflação maior do que recebeu. Em 94, a inflação era de 916% ao ano. O Plano Real, que seu partido votou contra, permitiu que ela chegasse a 7,5%, e, com a eleição do presidente Lula, a 12,5%. Eu pergunto ao telespectador: você confiaria mais no governo que traz a inflação desse patamar de 916% ao ano ou deixar esse período do Lula na minha conta, a 12% ou quem a entrega maior como acontece no caso da presidente Dilma? A história, a gente não reescreve, o futuro.

Dilma: O senhor está mal informado. Quem deixou o País com uma inflação maior do que recebeu foi o governo Fernando Henrique. Além disso, nós criamos empregos, sim, candidato, o senhor não pode questionar esse fato. São dados reais. Nós aumentamos o salário mínimo 71%. Além disso, em saúde, quem não gastou o mínimo constitucional foi o senhor quando era governador, que ficou devendo oito bilhões. Quero deixar claro que tenho certeza de que eu, neste próximo mandato, farei um governo muito melhor se for eleita, principalmente controlando a inflação.

Dilma: O Brasil se destaca hoje no mundo pelo fato de ter criado milhões de empregos. Nós não só criamos empregos como também tivemos um aumento significativo da renda neste mês de setembro, 1,5% real. O senhor concorda com o que fala o seu candidato a ministro da fazenda, que diz que o salário mínimo está alto demais?

Aécio: Não é justo colocar palavra nas bocas de quem não está aqui para responder. Eu tenho um orgulho enorme do meu candidato a ministro da fazenda. A senhora parece que não tem do seu, até porque já demitiu o atual. Mas o Brasil é visto pela comunidade internacional como um dos países que menos cresce na região. Temos uma taxa de investimento de 16,5% do PIB, a pior da década, porque o seu governo afugentou os investimentos, e a inflação infelizmente está de volta. A situação do Brasil é extremamente grave, e é preciso que seu governo reconheça isso. O governo do PT e o governo da candidata Dilma fracassou na condução da economia, pois nos deixará uma inflação saindo de controle, por mais que ela não reconheça, um crescimento pífio, fracassou na gestão do estado nacional, o Brasil é hoje um cemitério de obras com sobrepreços e fortes denúncias de desvios por toda a parte e fracassou na melhoria dos nossos indicadores sociais. Lamentavelmente, este é o retrato do Brasil real. Não é o retrato do Brasil da propaganda do seu marqueteiro, mas nós vamos mal na saúde, ou a senhora acha bem? Vamos mal na educação. A senhora será a primeira presidente pós-Plano Real que deixará o País com uma inflação maior do que aquela que recebeu.

Dilma: Eu fico estarrecida com o senhor. Na minha vida política, na minha vida pública, jamais persegui jornalista. Jamais reprimi a imprensa. Tenho respeito pela liberdade de imprensa porque vivi os tempos escuros deste País. Agora, acredito que o senhor cita duas revistas que nós sabemos para quem fazem campanha. E acredito que a partir de segunda-feira vai desaparecer essa acusação. Agora, eu não vou deixar que ela desapareça. Eu vou investigar os corruptos e os corruptores e os motivos pelos quais isso chegou a esse ponto.

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Aécio: Apenas dei à senhora uma oportunidade de apresentar sua defesa. Não acredito que a acusação à revista ou a tentativa que seu partido fez de tirá-la de circulação seja a melhor resposta. A delação premiada só traz ao réu o benefício se ele apresentar provas, caminhos que levem à comprovação das acusações. E nós temos que aguardar que isso ocorra. Uma outra revista, para ver que não há um complô, lança na capa, a revista Isto É, fala da campanha da mentira, da campanha da infâmia. Hoje aqui no Rio de Janeiro, na sede do seu partido, foram apreendidos boletins apócrifos contra a minha candidatura. Se o eleitor votar no 45 ele está desligado automaticamente do Bolsa Família, a senhora se orgulha de uma campanha feita nesse nível?

Dilma: É um fato que o senhor tem feito uma campanha extremamente agressiva a mim e isso é reconhecido por todos os eleitores. Agora, essa revista que faz sistemática oposição a mim faz uma calúnia, uma difamação do porte que ela fez hoje, e o senhor endossa com a pergunta. A revista Veja não apresenta nenhuma prova do que fala. Eu manifesto aqui a minha inteira indignação. Porque essa revista tem o hábito de nos finais das campanhas, tentar dar um golpe eleitoral, e não é a primeira vez. Fez em 2002, em 2006, em 2010, e agora em 2014. O povo não é bobo. O povo sabe que está sendo manipulada essa informação porque não foi apresentada nenhuma prova. Eu irei à Justiça para me defender e, ao mesmo tempo, eu tenho certeza que o povo brasileiro vai mostrar a sua indignação no domingo, votando e derrotando essa proposta que o senhor representa e que é o retrocesso no Brasil.

Pelo sorteio, quem fará a primeira pergunta é Aécio Neves: Candidata, essa campanha vai passar para a história como a mais sórdida do nosso sistema democrático. A calúnia, a infâmia, as acusações irresponsáveis foram feitas em relação a Eduardo Campos, a Marina, agora em relação a mim. Isso é um péssimo exemplo, mas eu faço uma pergunta, candidata. A revista Veja publica que um dos delatores do 'petrolão disse que a senhora e o ex-presidente Lula tinham conhecimento da corrupção na Petrobras. Dou a oportunidade, a senhora sabia da corrupção na Petrobras?

Os candidatos poderão pedir direito de resposta caso se sintam pessoalmente ofendidos por seus adversários.

William Bonner explica que os candidatos farão as perguntas no primeiro e no terceiro blocos, com direito a réplica e tréplica. Serão três perguntas. No segundo e no quarto, as perguntas serão feitas pelos eleitores indecisos, também com direito a réplica e tréplica.

Começa agora o último debate das #Eleições2014

O debate terá dois blocos com perguntas entre candidatos. Nos dois restantes, eleitores indecisos farão questões. Eles foram selecionados pelo Ibope.

As últimas pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas nesta semana colocam a presidenta Dilma Rousseff na liderança, acima da margem de erro, à frente de Aécio Neves.

Na pesquisa Ibope, ela tem uma vantagem de oito pontos percentuais: são 54% das intenções de voto, contra 46%. Trata-se da primeira vez na pesquisa Ibope do segundo turno que Dilma aparece à frente de Aécio. Em relação ao levantamento anterior, ela subiu de 49% para 54% e ele, caiu de 51% para 46%.

No Datafolha, a petista aparece com 53% e o tucano, com 47%. Em comparação com a última pesquisa, a presidenta cresceu um ponto percentual, enquanto o ex-governador de Minas Gerais caiu um ponto.