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Um novo minimundo

por Miriam Sannomiya — publicado 10/09/2010 14h52, última modificação 10/09/2010 15h26
A nanoctenologia, capacidade de criar a partir do mais pequeno, é uma área essencial em desenvolvimento e deveria ser abordada no Ensino Médio

A nanoctenologia, capacidade de criar a partir do mais pequeno, é uma área essencial em desenvolvimento e deveria ser abordada no Ensino Médio

Nos últimos tempos é significativa a permeação do termo “nanotecnologia” em todos os meios de comunicação. Sem dúvida, estamos vivenciando uma nova revolução tecnológica com a contribuição da nanotecnologia, cujos produtos, em poucos anos, farão parte de tudo que nos cerca, e não perceberemos. Quando nos dermos conta, ela já estará em praticamente tudo. No entanto, em que consiste a nanotecnologia? Quais são suas contribuições?

Nanotecnologia é entendida como o ramo da ciência que estuda novos materiais ou o comportamento dos mesmos em nanoescala. A escala nanométrica engloba materiais ou dispositivos que se encontram na dimensão entre -1-100 nm. Imagine que é um bilionésimo do metro, algo muitíssimo pequeno. São medidas tão pequenas que não são visíveis a olho nu. São necessários microscópios eletrônicos que permitam a observação ou moção de átomos e moléculas. Sem dúvida esta contribuição da ciência é fantástica, visto que desmitifica a concepção de que a química é uma ciência totalmente abstrata. Apesar de a nanotecnologia ser fruto da contribuição de pesquisas multidisciplinares envolvendo químicos, físicos, biólogos, farmacêuticos, médicos, engenheiros de materiais e matemáticos, quando se fala em átomos e moléculas nos remete automaticamente à química.

Os profissionais específicos da área de nanotecnologia nem sempre destinam seus esforços na criação de novos materiais, mas também lançam mão daqueles que já são conhecidos. Por quê? Porque em escala nanométrica as propriedades físicas e químicas dos materiais são particulares e diferenciadas.

Não é preciso muito esforço para que sintamos a grande tendência na miniaturização dos dispositivos eletrônicos atuais, como é o caso da diminuição dos monitores de computador, aparelhos celulares e televisores, tão presentes no nosso dia a dia. Com a era da nanotecnologia, essa miniaturização, através da montagem a partir de átomos e moléculas, deverá ser ainda mais expressiva. Obviamente que as contribuições da nanotecnologia não se restringem- única e exclusivamente à redução do tamanho de aparelhos eletrônicos: suas aplicações podem ser nas mais diversificadas áreas, como medicina, aeronáutica, cosméticos, meio ambiente, agricultura e segurança nacional.

Avanços tecnológicos

O mercado já dispõe de vários produtos baseados em nanotecnologia, como é o caso dos filtros solares, que, além do efeito protetor, não apresentam o inconveniente espalhamento e características sensoriais desagradáveis de produtos tradicionais. Algumas roupas infantis dispõem desse tipo de tecnologia, evitando que as mesmas molhem com escapes de urina frequentes em crianças.

Dentre as contribuições de pesquisas envolvendo nanotecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros, temos pequenas máquinas que podem ser movidas a energia solar, através de filmes de moléculas de clorofila, evitando o consumo de pilhas e baterias, as quais constituem um grande problema ambiental, pois são constituídas de resíduos contendo metais tóxicos e não biodegradáveis.

Ainda do ponto de vista ambiental, tem-se a possível contribuição dos nanoímãs em áreas poluídas com derramamento de petróleo. Outra importante aplicação é na produção da língua eletrônica, a qual tem grande importância para a indústria alimentícia, como é o caso do controle de qualidade de vinhos, café e água mineral. Esse equipamento supera em todos os aspectos as análises tradicionais sensoriais.

Uma área em que a nanotecnologia será muito promissora é a farmacêutica. Inúmeros fármacos disponíveis no mercado apresentam efeito colateral e  um exemplo é o uso de quimioterápicos por pacientes com câncer. Com o desenvolvimento de nanocápsulas, os medicamentos podem ser incorporados em doses muito menores, tornando o tratamento menos agressivo e mais preciso.

Ciência do dia a dia

É notória e incisiva a inclusão de materiais e dispositivos em nanoescala em nosso cotidiano. No entanto, um questionamento que devemos fazer é com relação à falta de conhecimento daquilo que fazemos uso. E como isso pode e deve ser feito? Com certeza, uma das melhores formas é por meio da educação. A inclusão do tema nanotecnologia no Ensino Médio contribuirá consideravelmente para a difusão do conhecimento científico, bem como despertará interesse dos alunos na área da ciência e tecnologia.

É pensando nisso que o curso de Licenciatura em Ciências da Natureza tem em sua grade curricular a disciplina Materiais, Micro e Nanotecnologia, na qual futuros professores têm a oportunidade de estudar as contribuições das ciências naturais de forma multidisciplinar, abordando o tema para ser repassado futuramente para seus alunos.

Há anos, vestibulares de universidades estaduais e federais abordam o tema nanotecnologia em questões de Química e Física. No entanto, são incipientes os números de livros destinados ao Ensino Médio ou trabalhos científicos destinados a métodos de ensino para nano-educação. Sem dúvida, a compreensão da escala nanométrica é o maior obstáculo para o entendimento dessa tecnologia.

Assim, temos desenvolvido um projeto sob minha coordenação e colaboração da Káthia M. Honório e do graduando Fábio Delgado Pereira junto à Each-USP, o qual consiste na produção de uma escala de grandeza, utilizando recursos de informática com imagens que remetam diretamente ao cotidiano infantil. Outra forma de inclusão do tema é através do desenvolvimento de oficinas com a produção de fulerenos (nanoestrutura) baseada em origamis. Ao aproximar os alunos do conceito e das aplicações de nanotecnologia, por meio da divulgação do conhecimento, é que poderemos ter cidadãos conscientes com melhoras nos campos político, econômico e social de nosso país.