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Arte sem interrupção

por Tory Oliveira publicado 08/09/2011 14h08, última modificação 08/09/2011 14h08
Educativo da Bienal de São Paulo vira projeto permanente e quer ser referência em formação de professores e arte contemporânea o ano todo

Foi na bocarra de um tubarão que exibe sua garganta em um tanque de vidro na obra The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living (a impossibilidade física da morte na mente de alguém vivo), de Damien Hirst, que o professor Pio Santana, 52 anos, buscou inspiração para trabalhar a arte contemporânea com seus alunos do Ensino Médio da Escola Estadual Tarcísio Álvares Lobo. Ele propôs que cada estudante fotografasse a garganta de um colega para refletir sobre o órgão que “alimenta não só o corpo, mas a voz e as ideias”. “A arte contemporânea aproxima, pelos objetos do cotidiano, a ideia de arte do aluno. Ela dessacraliza a noção de que a arte é uma coisa de outro mundo”, diz.

Os resultados que obteve, levou aos encontros do “Experiências + Experiências”, iniciativa inédita do Projeto Educativo da Fundação Bienal que discutiu, com professores e educadores, a obra de artistas contemporâneos partindo do catálogo da mostra Em Nome dos Artistas. Em nove encontros, educadores apresentaram e discutiram, como Pio, suas perspectivas com relação às obras de alguns dos 51 artistas da exposição. “É uma ação de troca efetiva na qual o professor tem espaço para compartilhar a sua invenção para além da sala de aula”, afirma a artista plástica e coordenadora do Educativo, Stela Barbieri.

Um dos principais braços da Bienal de São Paulo no campo da educação, o Projeto Educativo é responsável desde 1953 por apresentar e debater arte contemporânea com professores, alunos e educadores nos anos em que  ocorre a mostra. Neste ano, contudo, as ações que eram realizadas desde a segunda edição e interrompidas se tornarão permanentes. “Agora podemos fazer cursos continuados de formação de professores e ir até as escolas. Nossa programação pode fazer parte dos currículos”, comemora Barbieri.

Com uma equipe de 26 pessoas, o Educativo trabalha – antes, durante e após cada exposição – em três frentes: capacitação dos educadores que serão monitores, formação em arte contemporânea para professores de escolas públicas e particulares e ações educativas em ONGs e comunidades de bairro.

Para Barbieri, ações como a do “Experiências + Experiências” ajudam a aproximar o professor da arte contemporânea. “Meu sonho é que, no futuro, os próprios professores levem seus alunos e dialoguem com os artistas ao longo da mostra.”

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