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A Bienal do bode político

por Camila Alam — publicado 05/11/2010 16h36, última modificação 05/11/2010 16h36
O evento procura recuperar o saldo negativo de 2008 com foco no manifesto fotográfico

O evento procura recuperar o saldo negativo de 2008 com foco no manifesto fotográfico

A Bienal Internacional de São Paulo realizada em 2008 deixou má impressão e saldo negativo. Depois de polêmicas que envolviam um andar vazio, pichadores e administradores mal preparados, cogitou-se cancelar a atual 29ª edição. Mas ela surge em 2010 renovada, sob curadoria de Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, querendo atingir até 1 milhão de visitantes entre os dias 25 de setembro e 12 de dezembro, em São Paulo.

Muito foi feito, nos últimos dois anos, para limpar a imagem da Fundação Bienal. Empossado em 2009, o presidente Heitor Martins tinha como desafio reestruturar não só a parte administrativa, mas ajudar a conduzir público e crítica à apreciação do tradicional evento. Sob o título Há Sempre um Copo de Mar para um Homem Navegar (retirado do poema Invenção de Orfeu, do poeta alagoano Jorge de Lima), os curadores convidaram cerca de 160 artistas para trabalhar o tema “arte e política”. O resultado exposto no Pavilhão Ciccillo Matarazzo é a organização de obras bastante diversificadas, que, segundo o curador Agnaldo Farias, defendem a arte como uma extensão da política. “Queremos dar sentido àquilo que não é sentido. Nosso foco é a política da própria arte e o caráter experimental da arte como sendo político”, diz.

Entram em cena artistas que utilizam uma mesma temática em diferentes graus e que, reunidos, fazem da 29ª edição um programa diferente daquele visto há dois anos. Percebe-se, aqui, certa preferência pela fotografia como arte documental e uma chance de diálogo com antigos inimigos, os pichadores.

O coletivo Pixação SP, formado pelo fotógrafo Adriano Choque e pelos pichadores Djan Ivson e Rafael Augustaitiz, ganha espaço nesta edição da Bienal com uma série de fotografias, vídeos e tags -(folhas A4 com assinaturas) que expõe a tradição da pichação na capital paulista. Ivson e Augustaitiz faziam parte do grupo que invadiu a última edição da Bienal e pichou as paredes projetadas por Oscar Niemeyer. Caroline Pivetta, a jovem presa em flagrante e encarcerada por 50 dias, recusou o convite para participar da mostra.

“Esta é uma Bienal de arte política e, como o trabalho deles é político e está em toda a cidade, eles nos procuraram. Nós acatamos, achamos que a reivindicação fazia sentido”, diz Farias sobre a aproximação com o grupo. O Pixação SP também foi convidado para participar dos chamados “terreiros”, espaços de reflexão, debate e convivência nos quais o público poderá discutir ideias com os próprios artistas. Ao todo, seis terreiros com diferentes temáticas acontecem durante a mostra.
“Quisemos apresentar documentação do trabalho dos pichadores e não os trabalhos propriamente ditos, já que eles acontecem no âmbito urbano. Comparecendo como documento, é uma forma de não trair o sentido da pesquisa deles e eles também não se traírem”, completa o curad