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Fundação Itaú Social

90% da população apoia educação integral

por Marsílea Gombata publicado 19/09/2013 14h50, última modificação 19/09/2013 17h34
Pesquisa mostra que os poucos mantêm objeções ao projeto são os que não dependem de escolas públicas
Divulgação
ong

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A implantação de um sistema de educação integral é bem visto por 90% da população brasileira. Os poucos que mantêm objeções ao projeto são justamente aqueles que não dependem de escolas públicas, geralmente pertencentes às classes A e B.

Segundo uma pesquisa feita em parceria entre a Fundação Itaú Social e o Instituto Datafolha em 132 municípios nas diferentes regiões do Brasil, apenas 10% dos entrevistados dizem rejeitar a ideia de educação integral. Destes, 3% afirmam que a criança deveria passar parte desse tempo com a família. Outros 4% acreditam que ficar um período maior que quatro horas na escola é cansativo e resultará em falta de empenho de crianças e jovens. Por fim, uma parcela de 2% dos entrevistados diz temer pelo baixo nível do ensino.

“Os filhos de brasileiros das classes A e B já estão fazendo atividades extras e diversos cursos”, observa Marlene Treuk, gerente de pesquisa de mercado do Instituto Datafolha. “Já as classes C e D estão, em geral, na escola pública e não têm acesso a isso.”

Apesar de representarem uma parcela menor do universo de 2.060 entrevistados, os 206 que não veem a educação integral como necessária fornecem pistas sobre como esse modelo pode ser aplicado a fim de gerar resultados futuros, como melhor capacitação, inserção no mercado de trabalho e, a longo prazo, um instrumento de redução da desigualdade social. “São minorias que podem nos dar informações preciosas sobre como devemos fazer”, explica Patricia Mota Guedes, especialista em educação integral e gerente da Fundação Itaú Social. “Quando falam que a criança cansa, por exemplo, sabemos que isso acontece quando se oferece para ela mais do mesmo. Temos de buscar um currículo diversificado e não colocar a criança sentada em uma cadeira dez horas por dia. Educação integral não é reforço escolar.”

Qualidade. Segundo a pesquisa, as principais ações do Estado para a educação deveriam ser os investimentos em educação integral (88%), a melhoraria da qualidade da formação dos professores (71%), o empenho para ampliar a infraestutura das escolas (63%) e o foco na distribuição de material escolar (35%).

A percepção de que a educação integral é necessária ao sistema de ensino infantil e fundamental do País é importante para 50% dos entrevistados porque, segundo eles, melhora o nível da educação; para 30% porque ocupa o tempo livre; para 23% por evitar a criminalidade, a violência e o uso de drogas; para 12% por funcionar como um investimento no futuro; e para 12% por fazer a criança estar segura e deixar de ser uma preocupação dos pais.

“Existe aí uma mensagem importante para quem está formulando políticas públicas: a de que a população entende a educação integral como algo além da sala de aula, que inclua atividades aulas de artes, esportes, inglês”, observa Guedes ao comentar a parcela da população para quem a educação integral é necessária. “Não dá para ficarmos no discurso de que as famílias pobres têm baixas expectativas. Elas querem mais.”