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Volume de dólares no mercado à vista está superdimensionado, diz Tombini

por Felipe Corazza — publicado 06/01/2011 16h43, última modificação 06/01/2011 16h43
O presidente do Banco Central deu a primeira entrevista coletiva à frente da instituição em dia de anúncio de medida cambial que define depósito compulsório

Em sua primeira entrevista coletiva à frente do Banco Central, o presidente da instituição, Alexandre Tombini, falou nesta quinta-feira 6 sobre a medida anunciada pouco antes para tentar conter a desvalorização do dólar no mercado brasileiro. A medida limita as operações dos bancos nos investimentos em moeda americana, determinando um depósito compulsório ao BC de 60% das posições vendidas que excederem 3 bilhões de dólares.

Tombini disse que a medida já havia sido amplamente discutida dentro do BC, com o restante da equipe econômica e com a presidente Dilma Rousseff: "Esse foi o momento adequado que se definiu aqui no BC". A ação, de caráter "prudencial", segundo o presidente do banco, Leva em conta uma análise de que o mercado de câmbio à vista está superdimensionado no país. "As posições totais no mercado de câmbio à vista estão em torno de 17 bilhões de dólares. Nós temos um mercado à vista de câmbio que gira em torno de 2 bilhões de dólares. O Banco Central entendeu que esta posição estava superdimensionada em relação ao giro diário do mercado".

O prazo dado às instituições financeiras para se adequar ao novo "teto" de posições em dólar é de 90 dias - a medida deve passar a valer em abril. O presidente do BC justificou o tempo dado para adaptação: "A ideia da regulação prudencial é sempre não provocar distúrbios nas condições do mercado. O tempo é dado para que as instituições possam ajustar suas posições, a menos que elas queiram esse custo maior"

Ambiente externo

Ampliando a discussão sobre o problema cambial, o presidente do BC avaliou a situação econômica mundial como ainda instável, apesar de ver alguma melhora: "É um ambiente que tem apresentado alguns indícios de melhor, mas que ainda será um quadro volátil nos próximos anos. A recuperação das principais economias mundiais tem sido mais lenta do que se imaginava inicialmente, e isso tem tido seus impactos sobre a economia global".

Tombini também esclareceu uma declaração que havia dado no dia em que recebeu o cargo de Henrique Meirelles. O novo presidente do BC disse que o ideal seria poder definir, no futuro, um número menor do que os atuais 4,5%. Perguntado sobre o assunto, negou haver qualquer previsão de prazo para isso acontecer: "Redução da meta de inflação não tem um prazo definido. É uma discussão para o futuro".

Crédito

A questão do crédito também mereceu atenção de Tombini. Definindo como prioridade a manutenção do poder de compra da população, ele ao mesmo tempo demonstrou preocupação com uma expansão cautelosa do crédito para o consumo. "O crédito ao consumo vai continuar crescendo, mas crescerá a uma taxa mais moderada. Ele crescia a 15%, agora, deve crescer a coisa de 10%, um pouco mais". Tombini apontou que deverá haver maior atenção ao crédito imobiliário, prevendo uma expansão puxada pelo déficit de moradia - em torno de 6 milhões de habitações, segundo ele.

O caso do Banco Panamericano - cujo balanço apresentou um rombo de cerca de 2,5 bilhões de reais no final do ano passado - foi citado na coletiva. Tombini apenas declarou que o Banco Central tomou as medidas adequadas para resolver o problema, sem uso de dinheiro público. A salvação do banco veio de um empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito, montante formado pelas próprias instituições financeiras para uso em casos extremos. O presidente acrescentou que "o Banco Central já tem uma fiscalização sobre todo o conjunto de instituições financeiras, inclusive os bancos pequenos e médios. Vamos usar todas as nossas ferramentas para antecipar situações e tratá-las de acordo".