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Uma reflexão sobre o modelo de desenvolvimento

por Paulo Daniel — publicado 30/07/2010 10h30, última modificação 30/07/2010 13h01
O paradigma de desenvolvimento, tal como concebemos, não só é inapropriado, como se torna a cada dia mais perigoso

Diante da variedade de estatísticas e histórias que descrevem os países em desenvolvimento – algumas totalmente deprimentes, outras que transmitem uma enorme esperança – é importante não esquecer o quadro maior: sucesso significa um desenvolvimento sustentável, equitativo e democrático que tenha seu foco na melhoria dos padrões de vida e não apenas no PIB medido.

O PIB é uma medida útil de crescimento econômico, mas não é tudo. O crescimento deve ser sustentável. Todos sabem que o estudo de última hora faz passar nos exames, mas o que se aprende é logo esquecido. É possível aumentar o PIB espoliando o meio-ambiente, esgotando recursos naturais escassos, fazendo empréstimos no exterior, mas esse tipo de crescimento não é sustentável.

Mesmo assim, uma vez que é relativamente fácil de ser medido, o PIB se tornou uma fixação dos economistas. O problema é que aquilo que medimos é aquilo pelo qual procuramos. Às vezes, aumentos do PIB estão associados à redução da pobreza; em outros lugares, o crescimento tem sido freqüentemente acompanhado pelo aumento da pobreza e, às vezes até diminuição da renda dos indivíduos de renda média.

O paradigma de desenvolvimento, tal como concebemos, não só é inapropriado, como se torna a cada dia mais perigoso. A acumulação permanente de bens materiais não tem futuro. Se essa lógica continuar dominante a tendência é que a humanidade caminhe para o suicídio coletivo.

As múltiplas crises que atingem todo o planeta desnudam um processo econômico e político perverso: a apropriação privada da riqueza social se acelera, concentra ainda mais poder e riqueza, é predatória com o meio ambiente e deixa as grandes maiorias longe dos benefícios do desenvolvimento.

A busca por novos paradigmas de produção e consumo, por um novo tipo de vida em sociedade, requer a reapropriação da política pela cidadania, assim como a construção de novos espaços públicos para o debate sobre as alternativas de desenvolvimento, debate esse, bloqueado até agora pela visão economicista vigente, que exalta o crescimento e ignora seus efeitos na sociedade.

Neste sentido, o Estado deve ter um papel fundamental tanto na promoção do desenvolvimento como na proteção aos pobres. A teoria econômica e a experiência histórica proporcionam orientações sobre o que o Estado necessita fazer. Mesmo em se tratando de um sistema capitalista, o Estado precisa criar um clima que possibilite a prosperidade dos negócios e a criação de empregos.

Mercados mal desenvolvidos caracterizam-se por monopólios e oligopólios; preços altos em uma área vital, como por exemplo; as telecomunicações, prejudicam o desenvolvimento, portanto, o Estado deve intervir com políticas de regulação e/ou até mesmo, com a criação de uma empresa para fortalecer a competição.

O recurso mais importante de uma nação é seu povo, e, se uma grande parcela de sua população não realiza seu potencial – em conseqüência da falta de acesso à educação, saúde ou porque sofre os efeitos duradouros da desnutrição infantil – , essa nação também não será capaz de realizar seu potencial.
A discussão de um novo modelo de desenvolvimento só será possível com a participação das pessoas e das coletividades em suas diversas formas organizativas, em todas as fases de gestão pública e de planejamento sejam elas nacionais ou locais. Portanto, outro padrão civilizatório necessita ser pensado, construído e vivido.