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Inflação

Uma proposta fora do tempo

por Redação Carta Capital — publicado 03/12/2010 10h18, última modificação 03/12/2010 10h49
Guido Mantega precipitou o debate sobre mudanças nos índices de preço. Para economistas o ministro da Fazenda tem que se concentrar em problemas mais imediatos

Mantega precipitou o debate sobre mudanças nos índices de preço

Os economistas da Casa das Garças, próximos à PUC do Rio e à ortodoxia, não pensaram duas vezes antes de falar mal da ideia lançada pelo ministro da Fazenda. Idem os profissionais do mercado e seus porta-vozes sempre consultados pela mídia. Até aí nada de novo. Guido Mantega não contava, contudo, com as críticas de desenvolvimentistas à sua iniciativa, em geral mencionadas nos bastidores, ante seu anunciado desejo de discutir o método de cálculo da inflação.

O que desagradou à ala heterodoxa não tem tanto a ver com a proposta em si, mas principalmente com a forma e o momento em que foi manifestada por Mantega. Em outras palavras, ficou a impressão de que ele teria, na melhor das hipóteses, antecipado um debate que ainda não está maduro nem mesmo para seus colegas de equipe econômica. Ficou a sensação de que o ruído causado lançou mais nebulosidade que luz ao debate.

O ponto central da proposta de Mantega não chega a assustar os profissionais envolvidos no acompanhamento dos preços, inclusive aqueles ligados a bancos e corretoras. Eles sabem que os EUA balizam suas metas de inflação em índices que desconsideram os preços mais voláteis, exatamente o caso dos alimentos e combustíveis. As flutuações expressivas desses itens complicam a vida dos banqueiros centrais encarregados de calibrar os juros.

Na avaliação dos economistas críticos da ortodoxia, Mantega tem de se concentrar nos problemas mais imediatos, como a intenção de criar incentivos para os bancos privados participarem de forma ativa do financiamento de projetos de infraestrutura, necessariamente de longo prazo e sempre mais arriscados do ponto de vista capitalista.

Ou de manter o foco na desindexação das tarifas públicas, muitas delas atreladas à variação do dólar. Nesse caso, convém frisar que ele também mencionou essa vontade na entrevista televisiva. Mas o dito acabou encoberto pelo fantasma do expurgo dos índices inflacionários.