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Um think tank nada ortodoxo

por Luiz Antonio Cintra — publicado 05/12/2011 12h53, última modificação 06/06/2015 18h57
Desenvolvimentistas criam rede que pretende criar pesquisas, análises conjunturais e propor uma agenda nacional de temas estratégicos
Carlos-Lessa

Carlos Lessa prepara esboço de texto para divulgar a linha de debate do grupo de 30 especialistas. Foto: Cleber Bonato

Reunido em um workshop no Instituto de Economia da Unicamp, um grupo de 30 professores universitários e pesquisadores, quase todos economistas, lançou na terça-feira 29 a Rede Desenvolvimentista. Uma espécie de think tank virtual, a rede pretende desenvolver pesquisas, fazer análises conjunturais e propor uma agenda nacional de temas estratégicos para o desenvolvimento econômico com inclusão social. A ideia, segundo resumiu o economista e ex-presidente do BNDES Carlos Lessa, é “colocar o Brasil em pauta”, com ênfase na defesa da “centralidade” da indústria para o desenvolvimento nacional.

Dois simpósios de âmbito nacional e um internacional estão programados para ocorrer anualmente, o primeiro em abril ou maio de 2012. A rede desenvolve ainda um website que servirá de plataforma para as discussões e colaborações virtuais, além de base de dados e arquivo de textos para discussão, análise e propostas para o País.

Ainda aberta a novos colaboradores, a Rede Desenvolvimentista reúne especialistas de diferentes áreas, unidos pela crítica à ortodoxia econômica. Não à toa na lista de instituições representadas informalmente destacaram-se o próprio IE-Unicamp e o departamento de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde Lessa e Maria da Conceição Tavares formaram gerações. Em escala bem mais modesta, USP e FGV-SP também participam, assim como o Ipea.

O chamado desenvolvimentismo crítico manteve-se na ativa, mas está desarticulado. Por isso a decisão de criar uma rede com 30 pesquisadores que formarão o núcleo duro, mas com a intenção de incluir outros 300 que participarão pelo site e eventos. A ideia é criar um corpo de política econômica capaz de subsidiar governos, sindicatos, movimentos sociais e a sociedade de modo geral, nos contrapondo ao pensamento conservador”, diz o economista Ricardo Carneiro, coordenador da rede e professor da Unicamp.

A iniciativa prevê, mais adiante, a concessão de bolsas de estudo para estudantes e professores interessados em pesquisar os temas prioritários da rede. Na discussão inicial entraram em pauta temas como a crise na Europa e EUA, a difícil e inevitável relação entre desenvolvimento e ambientalismo, integração sul-americana, presença chinesa na economia global, demografia e espaço, vulnerabilidade externa e os descaminhos da indústria brasileira.

Pelo visto, nos debates não faltará densidade intelectual à rede. Dois ex-ministros, Luiz Carlos Bresser Pereira, da FGV-SP, e o embaixador do Brasil na Itália, José Viegas, participarão, assim como o próprio Lessa. O cientista político André Singer, a socióloga Tânia Bacelar e os economistas Wilson Cano, Ernani Torres, Ricardo Bielschowsky, Claudio Salm, Fernando Nogueira da Costa, Francisco Lopreato, Paulo Baltar e José Carlos Miranda também. Com apoio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado à Presidência da República, a iniciativa contará com suporte financeiro do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE, uma oscip conveniada ao Ministério de Ciência e Tecnologia).

Em tempo: no fim do evento, ficou combinado que caberia a Lessa escrever o esboço de um manifesto conjunto a ser divulgado em breve, cuja intenção é tornar mais acessível a plataforma do grupo.