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Taxa Selic: ainda há esperança…

por Paulo Daniel — publicado 18/01/2011 16h47, última modificação 18/01/2011 16h47
Grande argumento é o risco de inflação, ou que a meta não será atingida. Essa é a ladainha econômica de parte da mídia e de alguns economistas do mercado. Por Paulo Daniel

Essa semana o Copom (Comitê de Política Monetária) se reunirá para definir a taxa de juros brasileira. As reuniões, geralmente, são realizadas em dois dias. O primeiro dia é reservado para apresentações técnicas de conjuntura e, no segundo, é a definição de diretrizes da política monetária.

Segundo os ditos analistas do mercado financeiro afirmam a necessidade em aumentar a taxa de juros entre 0,25% p.p. e 0,5% p.p. O grande argumento é o risco de inflação, ou que o centro da meta de inflação não será atingido. Essa é a ladainha econômica de parte da mídia e de alguns economistas do mercado financeiro.

Atualmente, nós temos a maior taxa de juros do mundo. As taxas de juros interferem nos investimentos e, por sua vez, tendem a reduzir o consumo via concessão de crédito, ou seja, as relações econômicas e comerciais tendem a diminuir, entretanto, o gasto público tende aumentar, haja vista, grande parte da dívida pública está lastreada na taxa de juros que será anunciada pelo Banco Central.

Portanto, ao aumentar a taxa de juros o setor privado tende a frear suas expectativas e investimentos, a economia tenderá ao estancamento ou a decrescer. Esse é o circulo vicioso da concentração de renda e da redução econômica.

Outro agravante ao aumentar a taxa de juros; ampliará a valorização cambial, pois aplicações financeiras de origem externa e a arbitragem no país aumentarão, com isso, as recentes medidas adotadas pelo próprio Banco Central poderão cair no vazio.

Além do que, taxa cambial valorizada pode levar a tão falada desindustrialização, por uma razão muito simples, é muito mais barato comprar de um país estrangeiro do que produzir no Brasil. Acontece que, um país sem indústria está fadado a não se desenvolver e concentrar renda, basta observar os países petroleiros.

Os picos de aumento de preço decorrem essencialmente pelo aumento do preço dos alimentos, portanto, é claríssimo o tipo de inflação, ou seja, passamos por um período de inflação de custos.

Inflação de custos não se combate com aumento de juros! É justamente o oposto, é preciso que o governo interfira com redução de impostos aos produtos alimentícios ou concedendo subsídios e ao mesmo tempo incentivando o aumento da produção.

O Banco Central mudou seus dirigentes, mas ainda não mudou o pensamento econômico, ou seja, a ortodoxia é reinante. Mas como a esperança ainda é a última que morre…

Quem sabe a nova direção não tenha lampejos de heterodoxia e, nas próximas reuniões que ocorrerão não comecem a reduzir a taxa de juros… Seria uma importante medida para enfrentar a valorização do câmbio, reduzir o maior gasto do governo federal; a dívida pública e ampliaria a expectativa de investimentos.