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Crise americana

S&P diz que EUA estão distantes de elevação da nota

por Redação Carta Capital — publicado 08/08/2011 18h26, última modificação 08/08/2011 18h36
Segundo a agência de avaliação de risco Standard & Poor's, deve demorar para que os Estados Unidos voltem a ter uma nota "AAA".

Do Brasil Econômico

Segundo a agência de avaliação de risco Standard & Poor's, deve demorar para que os Estados Unidos voltem a ter uma nota "AAA".

"Não vemos nada no horizonte que poderia tornar esse cenário mais provável", afirmou em conferência nesta segunda-feira (8) David Beers, diretor da agência.

De acordo com a S&P, para que os EUA voltem a ter avaliação "AAA", seria necessário uma redução do déficit no médio prazo, além de um pacote de estabilização da economia.

Contudo, a retirada de benefícios fiscais no país poderá levar a uma elevação da perspectiva, de negativa para estável.

Na sexta-feira (5), a agência revisou para baixo a nota da dívida soberana dos EUA, pela primeira vez na história, de "AAA" para "AA+", com perspectiva negativa.

Segundo a agência, o risco político e o risco fiscal foram os principais motivos para a decisão.

"Acreditamos que os políticos, de todos os partidos, não foram capazes de pró-ativamente tomar medidas que coloquem as finanças públicas dos Estados Unidos em uma direção sustentável", disse John Chambers, outro diretor da S&P.

Além disso, a S&P destacou que a dívida líquida do governo americano já atinge 75% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, e em todos os cenários da agência, esse nível deve subir.

No cenário base, a previsão é de que a dívida atinja 79% do PIB em 2015, e 85% em 2021. Com isso, a dívida líquida atingiria US$ 20 trilhões daqui a dez anos.

Para a S&P, caso não sejam aprovados novos cortes no orçamento, deverá ocorrer um novo rebaixamento.

"Para um novo rebaixamento da nota, seria preciso um maior deslize fiscal do que estamos antecipando", declarou Chambers. "Se os parlamentares não vierem com cortes nos gastos, esse seria um exemplo de deslize", afirmou.

No entanto, os diretores afastaram a possibilidade de que o governo americano deixará de pagar suas obrigações. "Essa ação não está indicando que haverá um calote", disse Chambers.

Para a agência, o dólar não vai perder seu papel de moeda de referência internacional, o que permite um menor custo financeiro para o governo e para o setor privado do país.

"Por falta de alternativas, esperamos que o dólar mantenha essa posição", afirmou Chambers.