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O aumento da inflação e a conjuntura econômica

por Paulo Daniel — publicado 29/04/2011 09h07, última modificação 29/04/2011 11h10
Fazer uma análise conjuntural é sempre importante, entretanto, jamais se deve deixar de entender e compreender as essências das análises estruturais da economia.

Evidentemente, fazer uma análise conjuntural é sempre importante, entretanto, jamais se deve deixar de entender e compreender as essências das análises estruturais de uma determinada economia. Alguns setores só pensam ou decidem suas aplicações e investimentos somente com base na conjuntura, pois preferem o lucro imediato a formação de riqueza.

No que diz respeito a inflação, ao compreender que os alimentos são os ditos vilões no custo de vida desde o final do ano passado, com certeza, teremos uma trégua.

De acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA), um dos sinais de perda de fôlego dos preços da comida, foi observado nas cotações recebidas pelos produtores. O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista desacelerou na terceira quadrissemana deste mês para 0,36%, depois de ter atingido 1,59% na segunda quadrissemana de abril.

De 18 preços ao produtor pesquisados, metade registrou deflação no período, com destaque para laranja (-19,2%), tomate (-17,6%), frango (-10,6%), arroz (-3,19%) e soja (-3,1%). Até o preço da carne bovina parou de subir e registrou estabilidade no período. Com isso, pode-se fazer uma projeção de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a medida oficial da inflação, deve recuar de uma média mensal de 0,80% no primeiro trimestre para 0,60% no segundo trimestre do ano.

Quanto aos combustíveis, com o início da safra de cana no centro-sul do Brasil, há menos pressão para redução da mistura de etanol anidro na gasolina. A safra do centro-sul do Brasil, que produz cerca de 90% da cana do país, começou oficialmente no início do mês. Em meados do mês, 130 usinas, de um total de 335, já estavam operando na região, com isso, a tendência dos biocombustíveis é reduzir.

Sobre o nível de atividade industrial, conforme sondagem realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), pode-se observar uma queda capacidade produtiva, que no mês de março atingiu 74%, apesar da redução no ritmo de crescimento da produção, o emprego na indústria aumentou em março. O nível de estoques ficou relativamente estável nos primeiros três meses do ano e está de acordo com o planejado pelos empresários.

Como alguns são preocupados com os gastos do governo, o superavit primário, nesse primeiro trimestre atingirá a cifra de R$ 40 bilhões. Equivale ao dobro do registrado no primeiro trimestre do ano passado e, mais significativo, soma um terço do total da meta projetada para todo o ano. Portanto, não nenhuma novidade econômica, nenhuma crise, nenhum cenário catastrófico, principalmente para àqueles que vivem de juros da dívida pública.

Realizado uma síntese dos principais indicadores macroeconômicos, o que precisamos concretamente é pensar o futuro e não ficar no rami-rami cotidiano, por exemplo, vamos investir na infra-estrutura brasileira, particularmente nos aeroportos, somente para a Copa e as Olimpíadas?

A formação de mão-de-obra será apenas para a qualificação ao mercado de trabalho, sem pensar em educar, formar, informar e criar aos estudantes, consciência do que esperam e imaginam para si e para a sociedade?

Quereremos só reduzir a pobreza, mas sem discutir e fazer uma reforma tributária que inverta a atual relação, que é injusta e regressiva? Como universalizar a saúde pública brasileira, sem necessariamente aumentar impostos e taxas?

Se a oposição quer realmente discutir o Brasil, que o faça nesses parâmetros, que deixe o conservadorismo de lado e debata a sociedade que temos e ajude a construir a sociedade que queremos.

*Publicado originalmente em Além da Economia.