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Só isso?

por André Siqueira — publicado 28/01/2009 15h36, última modificação 20/09/2010 15h37
Depois de quatro adiamentos, e tome alguns bons meses de suspense, a Petrobras anunciou o plano de investimentos para os próximos anos. A pergunta, até então, era de quanto seria o corte. Primeiro, por causa da crise internacional. Depois, o preço do barril despencou. E eis que a estatal aumentou em 55% a previsão inicial. Falava-se, antes, em 112 bilhões de dólares. Mas o bolo passou para 174 bilhões em cinco anos! Ou seja, a surpresa é equivalente à soma desse aumento com a redução que se previa. Cá entre nós, é muito dinheiro, sob qualquer ponto de vista.

Depois de quatro adiamentos, e tome alguns bons meses de suspense, a Petrobras anunciou o plano de investimentos para os próximos anos. A pergunta, até então, era de quanto seria o corte. Primeiro, por causa da crise internacional. Depois, o preço do barril despencou. E eis que a estatal aumentou em 55% a previsão inicial. Falava-se, antes, em 112 bilhões de dólares. Mas o bolo passou para 174 bilhões em cinco anos! Ou seja, a surpresa é equivalente à soma desse aumento com a redução que se previa. Cá entre nós, é muito dinheiro, sob qualquer ponto de vista.

Por isso mesmo, achei a cobertura da grande imprensa meio blasé. Ok, a notícia estava lá, na capa do Estadão, da Folha, do Globo. Mas a repercussão não foi proporcional à magnitude do assunto (que algum colega escreveu, com justiça, que é maior do que o PIB da Colômbia). Insisto, estamos diante de uma das maiores ações anticíclicas do governo, desde o início da crise.

O plano da Petrobras foge à lógica do setor privado e escapa à cartilha da ortodoxia econômica – ambos sugerem o recolhimento, em tempos de crise – e mostra também uma visão de futuro bem rara aqui nos trópicos. Investimentos em petróleo são feitos com mira em horizontes de décadas, e raramente são furos n’água, com o perdão do eventual trocadilho. Ninguém espera que a crise se prolongue por mais do que os cinco anos necessários para que o petróleo comece a jorrar abundantemente do pré-sal, por exemplo.

Juro que não esperava uma recepção calorosa para o anúncio. Até porque são razoáveis os temores de quem acha ruim ver tanto dinheiro nas mãos de uma empresa estatal – sujeita, sim, às brisas e vendavais da política. Isso me preocupa também. Mas é muito chato ver os analistas de sempre, sempre a serviço de clientes ávidos pelo dinheiro escondido no subsolo do País, dizer que o preço do petróleo não justifica o investimento. E o governo continua a ser acusado de morosidade diante do avanço do desemprego.

Aliás, cheguei a ler que o presidente Lula teria causado “constrangimento”, ao convidar diretores da Petrobras para uma reunião antes da assembléia de acionistas. Não me contenho, e pergunto: a empresa não é controlada pelo governo? O funding não vai ser garantido pelo BNDES? Então, qual seria o sentido de convocar os executivos encarregados de elaborar o orçamento depois de realizada a assembléia?

Este primeiro post dá uma idéia, espero eu, das discussões que ganham espaço por aqui. Vamos falar de negócios, coisa que todo mundo faz, mas com uma boa dose de crítica, o que se vê pouco por aí. O viés tem de existir, mas não deve ser óbvio, como os próximos temas certamente vão mostrar. E, é claro, uns tapinhas para a esquerda e outros para a direita serão sempre bem-vindos, caro leitor. Até a próxima!