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Os investimentos asiáticos avançam no mundo

por Paulo Yokota — publicado 05/06/2014 04h43
Nos últimos 30 anos, a participação da Ásia na economia mundial teve crescimento significativo

A revista The Economist apresenta novo relatório especial, como faz costumeiramente, analisando o aumento recente dos investimentos asiáticos no mundo, que teriam passado de cerca de 20% em torno de 1984 para cerca de 28% atualmente. Faz paralelo com as empresas britânicas, que detinham 40% desses investimentos por volta de 1920; as norte-americanas, 50% em torno de 1967. Para continuar a aumentar a sua presença no mundo, as asiáticas estariam fazendo reformas nos seus negócios, tornando-se mais inovadoras, ágeis e globais. Estas informações merecem algumas qualificações e reflexões.

Os britânicos estavam concentrados nos investimentos externos de infraestrutura no fim do século XIX e começo do século XX, como trens, telégrafo e telefonia fixa, energia elétrica, gás, água e esgotos, obtidos para o seu país com a revolução industrial. Estavam notadamente voltados para a América Latina. O Império Britânico era onde o sol não se punha, e reuniram recursos que conseguiram nas suas colônias, investiam nos projetos de longo prazo, com retornos baixos daquela época, usando o mercado de capitais do mundo de então, que se concentrava em Londres.

Os norte-americanos espalharam pelo mundo atividades que denotavam a melhoria da qualidade de vida das populações que iam das empresas privadas de produção e comercialização dos automóveis, de utensílios domésticos, dos produtos de limpeza, dos refrigerantes, tirando o máximo proveito de sua liderança conseguida durante a Segunda Guerra Mundial. Eles espalhavam pelo mundo o american way of life, com a ajuda de Hollywood e toda a capacidade de financiamento da economia líder no mundo.

Os asiáticos pouco diferenciados são constituídos de diversos países e as atuais presenças são de empresas japonesas, coreanas, chinesas, hindus, que utilizam suas volumosas poupanças para espalhar pelo mundo atividades privadas, que contam com a retaguarda de seus governos. Suas atividades vão desde a siderurgia, indústria automobilística, eletrônicos, maquinarias, construção naval que evoluem com a demanda do mercado. As primeiras máquinas fotográficas asiáticas que superaram as alemãs, como os aparelhos de som ou televisões, e as atuais, nada têm com as da década de 1960.  As chinesas procuram assegurar o abastecimento de energia e matérias primas que necessitam.

Os primeiros produtos japoneses do pós-guerra tiveram de superar os norte-americanos e europeus, não gozando inicialmente do prestígio de suas qualidades e preços, mas conquistaram a fama de que eram bons e duráveis, necessitando de pouca manutenção. Com o tempo, foram sendo superados pelos coreanos, taiwaneses e, agora, pelos chineses e indianos, notadamente pelos seus preços.

Todos eles começaram com o suprimento do mercado interno, recebendo suportes dos seus governos e utilizando seus recursos humanos com salários relativamente baixos. Muitos ainda contam com percentuais modestos de investimentos em pesquisas, quando relacionados com o volume de suas vendas, principalmente se comparados com as norte-americanas e europeias. Conseguiram sistemas de produção eficientes e hoje enfrentam problemas de elevação dos salários reais em seus países de origem. Introduziram agressivamente inovações nos seus sistemas de produção que aumentam a eficiência.

O aumento dos seus mercados internos com uma classe média vigorosa foram a base para a rápida introdução recente dos sistemas de informática, inclusive a internet e a robótica, além da nanotecnologia. São ágeis no uso de novos materiais. No entanto, com a aceleração do processo de globalização, muitas das tecnologias originais utilizadas por eles são dos países industrializados, bem como a captação de parte dos recursos de capital e financiamentos podem ter outras origens, notadamente nos empreendimentos originários de países emergentes como a China, denotando conjuntos mais complexos com o uso das novas condições da economia global.

The Economist menciona algumas empresas gigantes originárias da Ásia. No entanto, outras que procuram atuar de forma mais discreta se transformaram em verdadeiras multinacionais tendo transferido suas sedes para fora da Ásia, contando com executivos também de outros países.

Tudo isto vem demonstrando que a escala das empresas acaba sendo relevante para a sua competitividade internacional, e existem ciclos onde estas empresas conseguem expressão mundial, mas as suas bases no mercado interno são relevantes.

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