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Economia

Pela indústria nacional

"Temos algo para aprender com a China", diz presidente de sindicato

por Redação Carta Capital — publicado 08/07/2011 17h11, última modificação 08/07/2011 22h09
Sindicatos de metalúrgicos organizaram manifestação na Via Anchieta, que reuniu 30 mil trabalhadores para reivindicar diminuição das importações

Cerca de 30 mil metalúrgicos, segundo os sindicatos da categoria, participaram nesta sexta-feira  8 de uma manifestação em defesa da indústria nacional e dos empregos gerados pelo setor. Reunidos por mais de três horas na Via Anchieta, eles pediram ao governo federal medidas para proteger as empresas brasileiras e conter o aumento das importações.

O ato na rodovia foi organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes. Também contou com a participação de integrantes dos sindicatos dos metalúrgicos de Guarulhos e de São Caetano.

“Não dá mais para admitir que os nossos portos fiquem escancarados”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi, Miguel Torres, durante o ato político no encerramento da manifestação. “Não dá mais para admitir que o país não tenha uma política que preserve o produto nacional e preserve o nosso emprego.”

Para os sindicalistas, o país precisa proteger o mercado interno, com a taxa básica de juros e a valorização do real ante o dólar. Eles também querem que o governo dificulte a entrada de produtos vindos do exterior, elevando as alíquotas de impostos e tornando a fiscalização mais rigorosa.

“Este ato não é contra ninguém. Não é contra a China nem contra a Coréia”, assinalou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre. “É um ato em defesa da nossa indústria. Temos que fazer a mesma coisa que eles [os estrangeiros] fazem para proteger as empresas deles.” Nobre acredita que o problema tenha se instalado desde 2008 quando, segundo ele, a indústria passou a finalizar produtos fabricados no exterior. “Não queremos apenas apertar parafusos”, diz.

Segundo o presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), o Brasil terminará o ano com déficit na balança comercial de produtos industrializados de mais de US$ 100 bilhões. Se os produtos importados fossem fabricados aqui, acrescentou, cerca de 1 milhão de empregos seriam criados a mais no país neste ano.

Na próxima quarta-feira, representantes das centrais sindicais vão se reunir com dirigentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, para discutir a situação das empresas brasileiras. Os sindicalistas pretendem fechar com os empresários uma pauta conjunta de reivindicações que serão levadas ao governo federal.

Sérgio Nobre espera que a presidenta Dilma Rousseff receba os representantes dos trabalhadores para uma reunião. Caso isso não ocorra, adiantou, novas manifestações serão feitas em outras regiões do país. A pressão é para que seja criada um fórum permanente  para discutir medidas que regulamentem as importações. Nobre cita o caso da China que admite entrada de empresas estrangeiras , mas criou  barreiras para a importação. “Temos algo a aprender com a China”, diz. Segundo ele, quando a China tem necessidade de importar um produto, se planeja para criar simultaneamente uma indústria própria.

A questão é agregar valor ao produto, a partir do desenvolvimento de técnicas mais avançadas da indústria e não tornar-se um produtor de minério de ferro para importar a peça fabricada. Nobre cita o caso da indústria têxtil, cuja produção nacional sofreu um processo de deterioração com a abertura das importações.

“Queriam impedir essa manifestação, mas não conseguiram”, disse Nobre, referindo-se a liminar que impedia os manifestantes de ocuparem a Via Anchieta. “Se a manifestação de hoje não bastar, vamos ter que fazer novos atos.”

*Com informações da Agência Brasil