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Aumento da procura afetou qualidade

por Gabriel Bonis publicado 25/07/2011 15h32, última modificação 25/07/2011 16h15
O mercado é dominado por duas empresas que não cresceram de forma sustentável, diz diretor do Procon
Aumento da procura afetou qualidade

Para o diretor do Procon-SP, empresas não se prepararam para o aumento de demanda. Foto: Antonio Cruz/ABr

O aumento da renda e a queda no preço das passagens aéreas fizeram com que um número cada vez maior de brasileiros pudesse voar nos últimos anos. Segundo um levantamento da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), em 2010 os 20 maiores aeroportos do Brasil receberam 24,7 milhões de passageiros de voos domésticos, somados os trechos de ida e volta.

Um salto na demanda que, segundo o diretor-executivo do Procon-SP, Paulo Arthur Góes, contribuiu para a degradação dos serviços oferecidos. “As empresas não cresceram de forma sustentável e o mercado é dominado por duas grandes empresas (Gol e Tam), o que prejudica a concorrência”, afirma, completando que a ANAC tem a obrigação de garantir a qualidade no setor e também o cumprimento dos horários de vôo.

Em busca de mais passageiros, as empresas procuram saídas para diminuir gastos e os preços dos bilhetes. Uma das opções encontradas foi solicitar a redução do número mínimo de comissários de bordo de quatro para três em voos com até 150 pessoas. Medida legal desde março de 2010, segundo nova regra da ANAC, que já concedeu autorização para redução da tripulação às companhias Avianca, Tam e Webjet.

A última passou, inclusive, a atribuir ao passageiro da primeira poltrona a tarefa de abrir uma das portas do avião em caso de emergência, antes função de um dos comissários. Ele será agora responsável por ajudar na evacuação, algo que para Góes é irregular. “A empresa não pode transferir ao passageiro uma obrigação que é dela, mesmo com a autorização da ANAC”, afirma, ressaltando que, além de poder prejudicar a segurança do vôo, fere os direitos do consumidor “a um bom serviço”.

O diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Leonardo Souza, condena a medida por considerá-la perigosa. “Somos treinados para saber abrir a porta e quando isso não deve ser feito. Mas uma pessoa sem curso vai ter esse discernimento?”, questiona.

Os cortes no setor atingiram também o serviço de bordo, que em algumas empresas passou a ser cobrado. “O consumidor deve ter essas informações no momento da compra da passagem”, explica o diretor-executivo do Procon-SP.

Góes ainda afirma que não há um teto estabelecido para o valor dos produtos servidos no avião, mas que eles não podem ser abusivos. No entanto, informa que algumas práticas das empresas já foram advertidas. “Alertamos a TAM pela cobrança extra do assento conforto, pois não houve nenhuma melhoria na poltrona que a justificasse. O mesmo vale para a Webjet, que cobra pela escolha do lugar”, diz. “Isso é abusivo, a escolha tem que se basear na ordem de compra”.