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Ousadias do grupo chinês Alibaba

por Paulo Yokota — publicado 06/10/2014 05h37
Numa operação recente, a Alibaba conseguiu levantar no mercado de Nova Iorque nada menos que US$ 25 bilhões, estabelecendo novos recordes
Divulgação
Alibaba

Empresa chinesa fez o maior IPO da história

Impressionam ousadíssimas iniciativas como as do grupo Alibaba, cujo nome tem conotações nem sempre recomendáveis para os brasileiros, por estar relacionado com a conhecida história dos quarenta ladrões. Centrada nas atividades de vendas pela internet na China é comandada pelo empresário Jack Ma, que deve completar 50 anos nos próximos dias e a menos de 20 anos era simplesmente um professor de inglês naquele país. Ele tornou-se o maior e mais rico empresário, atuando com estes mecanismos de venda, contando com uma logística eficiente, como provou quando conseguiu entregar grande quantidade de ostras vivas da Nova Zelândia para milhares de consumidores chineses.

Ele está disseminando entre os chineses, que sempre tiveram elevadas habilidades comerciais, uma onda de iniciativas entre os jovens com os chamados startups, que se assemelha ao que aconteceu nos Estados Unidos, a partir do Vale do Silício. Utilizam inovações tecnológicas para organizarem empresas onde muitos investidores desejam se aventurar. O imenso patrimônio acumulado em pouco tempo estimula muitos a seguirem seu exemplo.

Numa operação recente, a Alibaba conseguiu levantar no mercado de Nova Iorque nada menos que US$ 25 bilhões, por intermédio do lançamento de ações pelo mecanismo conhecido como IPO – Initial Public Offering, que seria recorde de montante neste tipo de captação, visando obter recursos para ampliar suas atividades em todo o mundo. O recorde anterior pertencia a um importante banco oficial chinês.

Com um marketing competente, envolvendo até muitos artigos em prestigiosos e consagrados meios de comunicação social internacional, conseguiu criar uma imagem de empreendedor de sucesso, atraindo investidores de toda parte, semelhante a caso menor de um empresário brasileiro que acabou fracassando. Ainda que há pouco tempo não tivesse obtido algo similar e mais modesto em Hong Kong, por não ter atendido a todas as exigências das autoridades naquele mercado na composição dos gestores do empreendimento.

A complexa operação proporcionaria vantagens de uma sinergia com seus parceiros tradicionais, como o Yahoo, que não vinha apresentando um desempenho brilhante. E também com a Softbank, que opera com celulares, comandada pelo igualmente agressivo Masayoshi Son, um empresário japonês de origem coreana, que continua expandindo suas atividades pelos Estados Unidos, cogitando, também, a aquisição da conhecida DreamWorks Animation de Steven Spielberg, cujo nome aparenta uma ironia.

As cotações do valor destas empresas no mercado chegam agora a centenas de bilhões de dólares, ainda que sejam virtuais, fazendo com que os investidores passem a figurar como grandes bilionários destacados no mundo. Mas, se as atividades com os quais estão envolvidos não proporcionarem os resultados esperados no futuro, flutuações bruscas poderão ocorrer, mostrando a elevada volatilidade deste tipo de cotações. Até agora os que adquiriram ações destas empresas já tiveram ganhos expressivos, mas isto só se sustenta se as operações comerciais continuarem gerando lucros compensadores. Precisarão ser mais competentes que seus concorrentes já consolidados neste mercado.

Todas estas operações no mercado financeiro são para os investidores que não possuem características conservadoras, pois muitas das estimativas de ganhos estão baseadas em estudos que existem no papel, ainda que envolvam possibilidades promissoras, inclusive no mercado internacional. Contam com pouco patrimônio com base real, como imóveis, equipamentos ou instalações físicas. O que envolve são ideias e sistemas, baseados em giros astronômicos de operações comerciais, que apresentam algumas vantagens sobre as compras e vendas tradicionais, utilizando a internet e as operações logísticas, dependendo fortemente da credibilidade no mercado.

Existem algumas pretensões de aumentarem no Brasil a influência destes profissionais do mercado financeiro, sem dúvidas competentes, mas sempre envolvidos em operações que possuem algo de mágico, não tendo fortes bases no mundo das coisas reais.

Uma das características marcantes destas operações são as antecipações dos ganhos futuros como os da Google e da Softbank, na medida em que seus serviços venham a ser utilizados pela Alibaba na efetivação das operações comerciais via internet. Todos os especialistas admitem que exista um componente natural de especulação, que não é considerado um mal em si, mas um meio de lubrificação no mercado financeiro, que depende de sua elevada liquidez.

Mas, tudo isto nos faz pensar que existe algo de fantástico nestes valores envolvidos, que possa também se dissipar de um momento para outro. Não se pode abandonar a impressão que este ambiente aparenta ser um cassino.

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