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PIB

Os problemas de comunicação de Guido Mantega

por Luis Nassif publicado 04/12/2013 09h29, última modificação 04/12/2013 09h37
O que se observa é uma recuperação progressiva da economia, embora nada de muito brilhante. Por Luis Nassif
Agência Brasil
Guido Mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega

A divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre comprovou mais uma vez as dificuldades da equipe econômica em exercitar um discurso minimamente eficiente.

A sucessão de estímulos econômicos, seguidos de choques negativos de expectativas, especialmente a partir de junho passado, deixou os indicadores voláteis.

Nesses momentos, vale analisar os indicadores em prazos mais longos - que permitem a estabilização dessa volatilidade.

O índice mais preciso é o indicador anual - os 4 trimestres encerrados em setembro de 2013 contra os 4 trimestres encerrados em setembro de 2012.

O que se observa é uma recuperação progressiva, embora nada de muito brilhante. No 3o trimestre de 2012 o PIB anual cresceu 0,9%. Nos trimestres seguintes, cresceu 1,0%, 1,3%, 2,0% e, agora, 2,3%.

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No dia anterior, em evento em São Paulo, o Ministro Guido Mantega já havia transformado uma notícia relativamente otimista em uma decepção: previu que o PIB trimestral cresceria 2,5%. Errou em 0,2 ponto do PIB dispondo de todas as informações necessárias a apenas um dia da divulgação oficial.

Na semana passada, também com base nos estudos da Fazenda, a presidente Dilma Rousseff estimou que a reavaliaçao do PIB, em elaboração pelo IBGE, traria o crescimento de 2012 de 0,9% para 1,5%. Ontem o IBGE divulgou a reavaliação: 1%.

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Para se incumbir de sua missão a Fazenda precisa comandar as expectativas. Faz isso mostrando-se mais aparelhada que o mercado na formulação de cenários. Foi isso o que o Banco Central fez em 2011, quando apostou na redução da taxa Selic e venceu a guerra de expectativas com o mercado.

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Em Brasilia, o segundo porta-voz econômico do governo, Secretário do Tesouro Arno Agustin, repetia os mesmos erros do ano passado.

O Brasil não tem uma situação fiscal dramática. O grande fator de instabilidade no mercado é a falta de confiança nos dados oficiais desde que, no ano passado, o Tesouro meteu-se em manobras fiscais para mascarar o resultado do ano. A perda da credibilidade provocou tempestades variadas durante o ano.

Ontem foi divulgado que, para bancar o custo da redução da conta de luz, a Eletrobras receberia empréstimo da Caixa Econômica Federal. A forma transparente de financiar o rombo seria através de aportes do Tesouro. Para evitar impacto nas contas fiscais, opta-se de novo pelas mesmas manobras. Ou seja, mais uma gambiarra fiscal.

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Em agosto passado veio à tona os erros de cálculo efetuados para a redução da conta de luz. A redução teve um custo, da indenização das concessionárias que toparam aderir ao programa. Os recursos deveriam sair da Reserva Global de Reversão (RGR) um fundo constituído por parte da tarifa destinada a indenizar as companhias no final da concessão.

Em meados do ano percebeu que tanto o RGR quanto a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) - destinada a financiar gastos com térmicas e Luz para Todos, entre outros - estavam zerados.

Na época, o Tesouro cogitou nos empréstimos bancários, mas voltou atrás devido aos riscos de desmoralização. Ontem, no entanto, mostrou que não teme nenhum risco.