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Economia

Coluna Econômica

Os desafios econômicos para 2013

por Luis Nassif publicado 03/01/2013 10h54, última modificação 03/01/2013 10h54
O país vive o maior conjunto de transformações econômicas desde o governo Collor

2013 será um ano decisivo para a economia brasileira. Está-se em meio ao maior conjunto de transformações econômicas desde o governo Collor.

Depois da redemocratização, o país passou por três etapas relevantes:

Etapa 1 – da Constituinte ao primeiro ano do governo Collor. Nela, são plantadas as bases para uma nova participação da sociedade civil. Embora de forma atabalhoada, a economia é liberada do pesado arcabouço estatal do período anterior.

Etapa 2 – governo FHC, em que se consegue a estabilidade inflacionária, mas abandona-se completamente a luta pela competitividade da economia

Etapa 3 – governo Lula, em que se acelera a inclusão social e se cria um mercado interno robusto, mas, ainda assim, mantendo a competitividade interna ao relento.

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Sem a perna da produção interna, o mercado não se sustenta.

No dia 11 de março passado, em entrevista exclusiva ao blog (http://migre.me/cDrAz), Dilma assegurou que sua batalha seria a defesa da indústria brasileira.

No decorrer do ano, a estratégia ficaria clara:

Medidas de desestímulo aos ganhos especulativos, principalmente através da redução da taxa Selic e do fim do modelo de apreciação permanente do dólar. E também com a redução da relação dívida pública/PIB que está obrigando grandes fundos de pensão a direcionarem seus investimentos para a economia real.
Medidas de estímulo aos investimentos produtivos, através da ampliação dos recursos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), da desoneração fiscal de muitos setores, da ampliação dos contratos de concessão e do aumento da defesa comercial.
Atuação sobre setores que influenciam a competitividade da economia, induzindo-o a trocar as margens de lucros elevadas por ganhos de escala. A ação maior foi sobre o setor elétrico, com a MP que reduziu as contas de luz; e sobre o setor financeiro, com os bancos públicos saindo na frente na redução dos spreads.

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16 anos de juros elevados e de ganhos financeiros fáceis permitiram enorme poder de acumulação para o capital interno, tanto dos fundos de investimentos quanto das grandes empresas.

O desafio consiste em definir um conjunto de medidas que os induza a reciclar esse capital, transferindo das operações especulativas para a economia real.

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Trata-se do mais relevante processo de mudanças desde o governo Collor. Como em toda mudança, há uma defasagem entre as medidas tomadas e os resultados alcançados.

Tira-se setor privado, investidores e o próprio governo da zona de conforto, obrigando-os a rever práticas seculares, planos de negócio etc.

Ao colocar a economia em movimento, após décadas de estagnação, surgem problemas típicos do crescimento, como gargalos em infraestrutura, mão de obra etc.

Ao contrário do que supõem economistas mais superficiais, não se pode ter todos os fatores sob controle para então deflagrar o processo de crescimento. É o próprio crescimento que, ao mesmo tempo em que revela as vulnerabilidades da economia, cria as condições para sua superação.

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Mais do que nunca será necessário acompanhar essas mudanças sem oportunismo político, mas identificando os problemas reais e apontando-os para posterior correção.