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Economia

Crise na Grécia

Operação de troca da dívida tem ampla adesão

por AFP — publicado 09/03/2012 07h44, última modificação 09/03/2012 07h56
Restruturação da dívida, a maior da história, sacrificará mais da metade dos valores dos títulos
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A operação grega é a maior reestruturação de uma dívida da história ©AFP/Arquivo / Joel Saget

ATENAS (AFP) - O governo da Grécia anunciou nesta sexta-feira que quase 84% de seus credores privados aceitaram a operação de troca da dívida, o que representará o sacrifício de mais da metade dos valores dos títulos e abrirá o caminho para os recursos necessários para salvar o país da falência.

Segundo o ministério das Finanças, os proprietários de bônus da dívida grega avaliados em 172 bilhões de euros aceitaram a troca, um valor que representa 83,5% dos 206 bilhões de euros de  dívida pública nas mãos de investidores privados (bancos, seguradoras e fundos de investimento). O percentual sobe a 85,8% quando considerados apenas aqueles que adquiriram títulos sob regimes do direito grego.

Esta é a maior reestruturação de uma dívida da história, que supera os 82 bilhões de dólares do default da Argentina em 2002 (73 bilhões de euros com a cotação da época).

Atenas destacou que a ampla adesão permite ao governo ativar as cláusulas de ação coletiva (CAC) que forçariam os credores privados reticentes a aceitar a operação. A medida elevaria o nível de adesão a 95,7%.

A União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) haviam condicionado ao êxito da operação - que representa um desconto de 53,5% do valor dos bônus gregos em mãos privadas - o repasse de 130 bilhões de euros para salvar o país da quebra.

O ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, agradeceu aos investidores que se uniram à "histórica" iniciativa.

"Em nome da República, quero expressar meu apreço a todos os nossos credores que apoiaram nosso ambicioso programa de reforma e ajuste, e que

compartilharam os sacrifícios do povo grego neste esforço histórico", destacou Venizelos em um comunicado.

O ministro informou que o prazo para os credores que compraram títulos da dívida grega sob regimes legais estrangeiros aceitem a operação foi ampliado até 23 de março. Nesta categoria, apenas 69% dos investidores aderiram ao plano.

O governo da Grécia havia alertado que desistiria da operação de troca se a resposta dos investidores privados fosse inferior a 75% da dívida, o que teria exposto o país a um default descontrolado ante a impossibilidade de enfrentar o reembolso de 14,4 bilhões de euros em títulos que vencem em 20 de março.

Atenas tem atualmente uma dívida pública total de 350 bilhões de euros, equivalentes a 160% do Produto Interno Bruto (PIB). O conjunto de planos de ajuste, reduções da dívida e créditos deve permitir ao país reduzir a dívida a 120,5% do PIB em 2020.

A operação de troca será concretizada na próxima segunda-feira para os bônus de direito grego.

As Bolsas, o petróleo e a cotação do euro registravam alta na manhã desta sexta-feira, estimuladas pela perspectiva de êxito da megatroca da dívida grega.

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