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Onda verde na campanha preocupa bancada ruralista

por Brasil Econômico — publicado 12/10/2010 14h48, última modificação 12/10/2010 15h05
A tentativa de aproximação de Dilma e Serra com os eleitores de Marina Silva na campanha para o segundo turno colocou em estado de alerta as principais lideranças ligadas ao agronegócio no país

A tentativa de aproximação de Dilma e Serra com os eleitores de Marina Silva na campanha para o segundo turno colocou em estado de alerta as principais lideranças ligadas ao agronegócio no país

Por Pedro Venceslau e Felipe Peroni*

Expoentes da chamada “bancada ruralista”, responsável pelo lobby mais organizado e poderoso do Congresso Nacional, temem que a celeuma em torno da ex-ministra do Meio Ambiente imploda conquistas importantes do grupo.

O epicentro das expectativas é a reforma do Código Florestal. “Ela foi aprovada nas comissões, mas ainda não foi votada em plenário.

Isso vai acontecer em 2011. O crescimento da Marina certamente fortalece nossa posição. Vamos derrubar a reforma”, afirma Mario Mantovani, diretor executivo da ONG SOS Mata Atlântica.

“Se não houver a reforma do Código Florestal, o Brasil quebra”, rebate o deputado Valdir Colatto (PMDCSC), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária.

Apoiador de José Serra, ele revela preocupação com o aumento da influência dos ambientalistas e revela divergências com a maior líder do segmento, Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

“Ela defende uma proposta que foi adotada pelo Serra: a moratória do agronegócio e a suspensão do desmatamento por um período que pode chegar a cinco anos. Kátia Abreu acha que isso diminui a ira dos ambientalistas”, diz Colatto.

O deputado afirma que 90% dos agricultores são contra essa ideia. Em relação ao Código Florestal, Colatto é categórico ao afirmar que, se ele não for mudado, o Brasil deixará de produzir vários produtos como arroz, café e soja.

“Praticamente toda produção de arroz de várzea do país está em área de preservação permanente. Se você fizer as contas, vai concluir, ainda, que 71% do território brasileiro é intocável.”

A reportagem do Brasil Econômico não conseguiu falar sobre o assunto com o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra.

Já o senador Sergio Guerra, presidente do PSDB, deixa no ar o suspense. “O partido está aberto para discutir de forma mais ampla a questão ambiental.”
Questionado sobre a possibilidade de negociar um recuo na reforma do código, o tucano é evasivo. “Tudo tem seu tempo.”

Ele afirma, ainda, que “não tem a menor ideia” se a aproximação com Marina está gerando descontentamento com o setor do agronegócio.

“Sobre restrições ambientais, nós temos preocupações dos dois lados, do Serra e da Dilma. Eles sofrem a pressão da opinião pública, um pouco paranoica. Agora cada um quer ser mais verde que o outro. Estão tão verdes que vão virar papagaio”, dispara Normando Corral, vice-presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso.

Ele não esconde que teme o passe inflacionado de Marina Silva. “A gente tem receio de que, na disputa pelos votos da Marina, eles comecem a ficar radicais demais. Nós queremos produzir nas áreas que já estão consolidadas. Agora querem que, mesmo nessas áreas, volte a ter mata nativa.”

A bancada ruralista no Congresso Nacional conseguiu reeleger seus principais nomes em 2010. Entre os que renovaram o mandato estão Luis CarlosHeinze (PP-RS), Abelardo Lupion (DEM-PR), Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Moacir Micheletto (PMDB-PR) e Homero Pereira (PR-MT).

O comunista Aldo Rebelo, que esteve na linha de frente da reforma do Código Florestal, também se reelegeu em São Paulo. No Senado os reforços são Ana Amélia Lemos (PP-RS), Blairo Maggi (PMDB), Acir Gurgacz e Waldemir Moka (PMDB-MS).

 * Matéria originalmete publicada no site Brasil Econômico