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Oferta de escritórios em São Paulo nunca foi tão pequena

por Clara Roman — publicado 27/01/2012 14h23, última modificação 06/06/2015 18h57
Segundo consultoria, a demanda segue em crescimento, mas a cidade não tem estoques de novos empreendimentos
avenida paulista

Av. Paulista teve seu boom no mercado imobiliário de escritórios a partir dos anos 1960. Hoje é a 5º região mais valorizada de São Paulo. Crédito: Associação Paulista Viva

A taxa de vacância em São Paulo fechou mais um ano em queda em 2011. A tendência é observada nos últimos dois anos, segundo a consultoria Colliers International Brasil. A taxa calcula a porcentagem de imóveis desocupados na cidade.

Com queda de 2,3% nos últimos meses, a taxa de locais vagos na cidade é de 0,5%, a mais baixa já registrada. Sandra Ralston, vice-presidente da Colliers, aponta para a falta de estoque de imóveis no mercado, reflexo da crise de 2008, quando os empreendimentos ficaram congelados e poucas construtoras estava disposta a erguer novos prédios.

“Com o fenômeno de 2008, muitos empreendimentos foram postergados”, diz ela.

Em São Paulo, explica, uma construção demora entre dois e quatro anos para ser finalizada, contando o tempo de aprovação do projeto.

Assim, edifícios iniciados depois da recuperação econômica estão começando agora a entrar no mercado.

A tendência para os próximos anos é que todo estoque que está por ser lançado seja absorvido e que a taxa de vacância 0,5% seja mantida na maior cidade do País.

O fenômeno é explicado também pelo crescimento da demanda a partir de 2008. “O mercado de São Paulo é pequeno, começou seu desenvolvimento há dez anos”, diz ela.

Há pouca oferta, sobretudo de empreendimentos para escritórios de alto padrão. “Não há na cidade espaços corporativos contíguos, para as classes A e A+”.

Faria Lima, o metro mais caro

A região da Avenida Faria Lima, por reunir escritórios premium, tem o valor mais caro do metro quadrado, de 175,5 reais. Segundo Ralston, a valorização é decorrência do tipo de empresa que tradicionalmente se instalou na região, geralmente ligadas ao mercado financeiro.

“São empresas que precisam de visibilidade e, por isso, ficam em lugares sofisticados”, diz.

A Avenida Paulista, o coração financeiro da cidade, é a quinta área mais cara, com 108 reais por metro quadrado. Itaim, Marginal Pinheiros e Vila Olímpia ocupam a segunda, terceira e quarta posição, respectivamente.

Comparado com outras cidades do mundo, São Paulo tem uma das menores taxas de vacância. Hong Kong, por exemplo, tem 3,7%. Na América Latina, as taxas chegam a 4,8% em Bogotá, na Colômbia, e 3,2% em Lima (Peru), 3,2%.

Nesse cenário, regiões periféricas como Alphaville, zona de alto padrão nos arredores da capital paulista, passam a ser o novo foco para quem procura um espaço. Nessa região, a taxa de vacância é de 25%. Porém, incentivos, como a um ISS (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza) bem menor do que na capital do estado, atraem o interesse das empresas.

“O mercado cria alternativas. Lá, você tem um estoque de empreedimentos de alto estilo por 60 reais o metro quadrado”, diz Sandra.

É um processo natural da cidade, que lança regiões comerciais periodicamente.

Nas décadas de 1950 e 1960, os empreendimentos abandonaram o centro da cidade e se instalaram predominantemente na Paulista, com prédios ícones, como o da Fiesp. Nos anos 70, empresas estrangeiras migraram para a região sul, na Chácara Santo Antônio, quando começaram os primeiros empreendimentos classe A em São Paulo.

Em 1985, foi construído o edifício World Trade Center, na Marginal Pinheiros, uma versão adaptada e menor das torres gêmeas americanas. A Faria Lima, hoje a mais luxuosa, só começou a se desenvolver na década de 90, segundo Ralston.

Em relação à crise internacional, a consultora é otimista. O desquecimento lá fora vai aumentar ainda mais a procura por espaços aqui dentro.

“Assistimos a um maior índice de aporte de investimentos. EUA, Europa e China investem pesado aqui. O Brasil passou a ser o foco”, afirma.

“O investidor busca colocar seu dinheiro onde tem maior a rentabilidade associada ao risco. Nós estamos conseguindo diminuir risco no Brasil.”