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Obras em terminais que terão recursos para a Copa não estarão prontas no prazo

por Redação Carta Capital — publicado 14/04/2011 16h38, última modificação 14/04/2011 16h38
Estudo do Ipea levou em conta a média de tempo para a conclusão de projetos de infraestrutura no Brasil. Pesquisadores alertam para necessidade de aprimorar gestão da Infraero

Estudo do Ipea levou em conta a média de tempo para a conclusão de projetos de infraestrutura no Brasil. Pesquisadores alertam para necessidade de aprimorar gestão da Infraero

Empreendimentos previstos em nove dos 13 aeroportos brasileiros que receberão recursos para a Copa do Mundo de 2014 não estarão prontos no prazo, diz um estudo do (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada), divulgado na manhã desta quinta-feira 14.

Em Aeroportos no Brasil: investimentos recentes, perspectivas e preocupações, o instituto levou em conta a situação em 2010 das obras referentes aos terminais de passageiros nos aeroportos. Assim, concluiu que, levando em conta o tempo necessário para execução de obras de infraestrutura em transportes no Brasil, os terminais de Manaus, Fortaleza, Brasília, Guarulhos, Salvador, Campinas e Cuiabá, por estarem ainda em etapa de elaboração de projeto, não devem estar prontos em menos de sete anos e meio. Já Confins e Porto Alegre, ambos com o projeto finalizado, devem estar concluídos em mais de seis anos e meio. Por último, Curutiba, cujas obras estão em licitação, pode ter os trabalhos terminados em junho de 2014, ou seja, no mesmo mês do início do evento. O Ipea ressalta que isso ocorreria apenas se não houvesse nenhum atraso nas obras, algo improvável se for levado em conta o histórico brasileiro para investimentos em infraestrutura de transportes.

Para ler a nota técnica do estudo produzido pela Ipea, clique aqui

Como exemplo, o texto cita o aeroporto de Vitória, no Espírito Santo, “As obras foram iniciadas em fevereiro de 2005, mas foram interrompidas em junho de 2008, quando o Tribunal de Contas da União (TCU) constatou irregularidades. No final de 2009, a Infraero rescindiu o contrato com a empreiteira responsável pelas obras. A publicação de um novo edital, para a contratação de outra empresa, está prevista para março de 2011”, relata a pesquisa. Também é criticada a falta de planejamento da estatal na ampliação da capacidade de passageiros dos terminais brasileiros. “O setor continua sendo planejado com o olho no espelho retrovisor em vez de se preparar para 40 anos à frente”. Apenas considerando os aeroportos que receberão aportes para a Copa, o movimento previsto de passageiros estará em 151, 8 milhões de passageiros em 2014, enquanto que a capacidade – na hipótese das obras terem sido finalizadas - estará em 148,7 milhões de passageiros por ano. Isso “sugere que as obras foram planejadas com subdimensionamento da demanda futura”, segue a pesquisa.

Eficiência
Mesmo com o plano de investimentos, pela Infraero, de 1,4 bilhão de reais por ano (entre 2011 e 2014) para esses 13 aeroportos, visando o evento esportivo, os pesquisadores do Ipea mostraram preocupação com a eficiência da estatal. Como argumento, disseram que, entre 2003 e 2010, a Infraero realizou apenas 44% dos recursos previstos (comparação com recursos autorizados e os realizados), o que mostra a necessidade urgente de aprimoramento da gestão empresarial da estatal.

O estudo, de autoria de Carlos Álvares da Silva Campos Neto e Frederico Hartmann de Souza, considerou os investimentos para ampliação dos terminais de passageiro nesses aeroportos. É preciso ressaltar que as obras em pistas, pátios e módulos provisórios nos aeroportos têm, ainda, condições para serem finalizados até 2014, segundo os próprios pesquisadores.

A Infraero disse desconhecer as bases técnicas utilizadas pelo Ipea e que, por isso, “não pode fazer qualquer tipo de avaliação a respeito”.