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O simplismo induz ao erro

por Paulo Daniel — publicado 16/09/2012 09h06, última modificação 16/09/2012 09h06
Economista aposta em crescimento medíocre no governo Dilma. Será?
Dilma

A presidenta Dilma Rousseff. Foto: Dida Sampaio/AE

A economia, infelizmente, ainda é muito atrelada aos modelos econométricos e matemáticos para tentar compreender certos processos e ditar o ritmo das previsões, geralmente equivocadas. Em alguns meios de comunicação e em uma parte do meio acadêmico está se discutindo os limites, ou não, do arcabouço construído pelo governo Lula, principalmente referente ao segundo mandato, sobre as elevações constantes e graduais do crescimento econômico.

Nesse, digamos, debate, que ainda está frio e carente de muitas análises para além da economia, o artigo “O contrato social da redemocratização e seus limites”, publicado na revista “Interesse Nacional”, pelo economista Samuel Pessôa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, conclui com uma previsão catastrófica para a economia brasileira: “o crescimento na segunda metade do primeiro mandato de Dilma será fraco e bem abaixo das expectativas que havia no final de 2010″. Ou seja, praticamente afirma que a mediocridade econômica e social de FHC será a mesma de Dilma.

Neste sentido, é importante desenvolver algumas constatações. Primeiro, o enfrentamento das crises de 94 e 98/99 foram completamente subordinadas ao capital, principalmente, ao financeiro internacional, haja vista as elevações da taxa de juros básica nos momentos de crise. Com isso, ocorreu redução dos investimentos privados e públicos, repercutindo diretamente na queda da renda e da geração de empregos e, por sua vez, resultando crescimento econômico pífio.

A crise atual, que se arrasta desde 2008, ao observar as medidas adotadas pelos países do norte, tende a ser longa e perversa. Entretanto, os governos de Lula e Dilma foram diametralmente opostos, tanto em relação como FHC enfrentou suas crises, quanto pelos governos europeus e norte-americano vêm enfrentando. O que em linhas gerais que dizer um maior concatenamento das políticas fiscal e monetária, com vistas à preservação do emprego e da renda.

Dilma ainda não obteve um crescimento econômico vantajoso, não somente devido à crise, mas, também, pela redução dos gastos públicos e aumento da taxa de juros no final de 2010 e em 2011, política essa que os tucanos conhecem muito bem. Portanto, o crescimento de 2012 tende a ser medíocre.

As medidas contra-cíclicas que estão sendo adotadas tenderão a ter um efeito positivo em 2013 e 2014 se não forem interrompidos tais incentivos, como aconteceu no final de 2010, o que quer dizer que este modelo ainda não está no seu limite, pois o processo de desenvolvimento precisa ser amplificado e, ainda, deve-se incorporar mais 20 milhões de pessoas ao consumo. Isso requer esforço estatal e privado, algo que, de certa maneira, está ocorrendo.

Portanto, a visão de Samuel Pessôa é muito simplista. Para se ter uma ideia, com a redução da taxa de juros, por exemplo, haverá outros benefícios além da economia com o pagamento da dívida pública. O setor financeiro já está criando e desenvolvendo novos instrumentos financeiros mais compatíveis com financiamento de longo prazo, que terão impacto no crescimento, isso sem contar que o novo pacote de concessões anunciado pela presidenta Dilma vai ao encontro para aumentar os investimentos e, por sua vez, a capacidade de oferta da economia brasileira.

Na vida acadêmica e no nosso cotidiano, na maioria das vezes, o simplismo induz ao erro, mas felizmente ou infelizmente, o tempo dirá que compreendeu, ou não, o momento atual e as nossas possibilidades e perspectivas econômicas e sociais.

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