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Opinião

O que a previsão da safra nos diz?

Os resultados do agro, em 2016, podem quebrar a cara dos pessimistas
por Rui Daher publicado 15/01/2016 06h04
Jonas Oliveira / ANPr
Colheita

Colheita de grãos no Paraná

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou, no dia 12, a quarta previsão da safra brasileira de grãos 2015/16. Ciosa de exatidões, com colheitas ainda por serem completadas, fará mais oito levantamentos até setembro deste ano, ora levantando ora abaixando os resultados, até em outubro iniciar tudo de novo com a safra 2016/17.

Os tantos fatores variáveis que afetam a agropecuária levam à essa necessidade de exatidão, diferente de outros setores, como indústria, serviços e agiotagem. Já vi análises da FIESP, por exemplo, onde executivos respondem questionários colocando flechinhas para cima, baixo ou estável.

Hão de convir serem exercícios cansativos, os de Conab, IBGE e de ministérios ligados ao setor agrário. Eu, apesar dos conselhos médicos, sou incapaz de mais do que três flexões semanais.

As duas organizações coincidiram no total previsto: 210 milhões de toneladas de grãos em área de 58,5 milhões de hectares. Nem sempre seus resultados são assim afinados.

O trabalho da Conab tem 154 páginas. Creio que poucos de vocês se darão ao trabalho de uma leitura completa. Nem eu. Mais interessante, porém, do que ficar adivinhando a quem Nestor Cerveró irá delatar no dia seguinte.

Serve, também, à melhor reflexão sobre Estados anões, mínimos ou gigantes. Máquinas públicas são a base para grande parte do empreendedorismo privado, aqui e no exterior.

Quantas inovações tecnológicas chegaram ao mercado baseadas em informações exaustivamente levantadas por barnabés locados em ministérios, cuja panaceia “redução” representaria milésimos percentuais comparada às tramoias de um sistema parido para garantir a dominância de poucos? 

Com os grãos contados, como ainda se cata feijão na mesa da cozinha, vocês irão confeccionar panos de algodão, alimentos, óleos, ou se divertir alvejando adversários com estilingadas de mamona. A cevada deveria virar loiras brasileirinhas geladas e puras. Más línguas, no entanto, perderam a confiança nelas. Citam pureza perdida. Devassas, proibidas, e uma delas promete “velhas virgens e beijos de corpo”. Recomendo, pois, cautela.

Todo esse conjunto de dados faz subir um monte de índices econômicos, que as folhas e telas cotidianas relativizarão ou advertirão, mas ...

Creio que, hoje em dia, o M.A.S (Movimento Anticlímax Social) é o principal partido político brasileiro, só não percebeu ainda que os resultados do agro, em 2016, o fará quebrar a cara.

O USDA, Departamento de Agricultura dos EUA, acaba de reduzir os volumes de produção da soja. As exportações do campo são anunciadas aumentar. A moagem de cana bate recordes, o etanol começa a ser escolhido nos postos de combustíveis, algumas usinas ressuscitam, os investimentos em fusões e aquisições voltam-se para os setores agro. Sei não.

Voltei às Andanças Capitais

E isso já prenuncia um 2016 feliz.

Em Muzambinho, sul de Minas Gerais, soube de uma potra, ferida no casco por uma pisada de sua mãe, completamente curada com mastruz, bálsamo, babosa e carinho da proprietária.

Na mesma região, em Guaxupé, comi um frango com quiabo e arroz, que serviu a dois, bebi duas “pescoço comprido”, total R$ 28,00.

No hotel, em São José do Rio Pardo, Celso, o simpático dono, vendo minha dificuldade em apanhar as mangas oferecidas em seu pomar, mais tarde, mandou-me me entregar um saco delas no apartamento.

No Triângulo Mineiro, palestra, seguida de churrasco e chope com agrônomos e produtores rurais, uma dose de “Boazinha”, a cachaça, vale R$ 5,00. Remete-me a um bar em Moema, São Paulo, pedindo R$ 16,00 pelo mesmo trago.

Como não ser feliz assim?

Fins e Confins estão desequilibrados

Do momento que deixei o aeroporto de Congonhas até chegar ao hotel, em Uberaba, vararam 11 horas. Atraso na saída de São Paulo, espera de 3 horas para a conexão no Confins, indecisão da companhia se ia ou não ia, várias alternativas de destino – hotel em Belo Horizonte, pouso em Ribeirão Preto ou Uberlândia, encarar Uberaba. Enfim, desespero com o cansaço 7.0.

Respeito o mote “devido às condições meteorológicas”, embora elas possam ser sinônimo de rearranjo de lotação do voo ou da equipe de tripulantes. No meu caso, um dos motivos foi que parte da equipe deveria chegar de Manaus. Pirarucus, surubins, tambaquis, provavelmente.

Deu tempo para ler matéria da Deutsche Welle, publicada neste site de CartaCapital, com o título: “Dois terços da população mundial se alimentam mal”. Senti-me triste e culpado.

Resultado: “2 bilhões de subnutridos e quase o mesmo de obesos”. Procura-se o Equilíbrio. Qual? Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), ele está num índice de massa corporal (IMC) igual a 25, determinado pelo peso do humano dividido por sua altura ao quadrado.

As estatísticas mostram que subnutridos raquíticos e obesos mórbidos adquirem diversas doenças que os levam a mortes precoces. As regiões não necessariamente incluem pobreza e riqueza. Países emergentes que diminuem o número de famintos, muitas vezes, fazem-nos passar para a classe dos gorduchos.

Enquanto isso a expectativa de vida cresce em todo o planeta. Tecnologia e ciências médicas? Fico confuso.

Quer dizer que 25 ou perto disso você é aprovado? E se os 25, como se faz no Nordeste brasileiro é alcançado a bode e farinha, então tudo bem? Ou como nas Filipinas, com macarrão instantâneo e arroz? Povos pesqueiros, bem, já se sabe.

São tantos os povos e culturas nutricionais diferentes que me parece que o Equilíbrio deve ser procurado lá com o Divino, com alto risco de não ser encontrado, como nunca o foi.

Como chegaram à conclusão “25”? Sei lá. Talvez, pesquisando, você descubra. Precisará tempo e dedicação. No Brasil, a Embrapa faz excelente trabalho em populações nordestinas com o programa “Biofortificação”, que já comentei em colunas passadas.

Sugestão para ganhar dinheiro no Carnaval

Apesar de meu otimismo para 2016, na contramão (sempre) do que escrevem os colunistas “Casa-Grande”, é fundamental ser criativo.

Dentro do espírito “Pequenas Empresas Grandes Negócios”, invista rápido em projeto de fabricação e venda de fantasias para o Carnaval inspiradas no “japonês bonzinho da Polícia Federal”. Tiro (ops) certo! Escrevam aí: vai pegar.

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