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O papel central da Economia da FGV-SP

por Luis Nassif publicado 24/09/2012 11h30, última modificação 06/06/2015 18h41
Quando a principal faculdade de administração do país foi criada, imaginava-se que ela seria uma referência importantíssima na política econômica brasileira. Assim o foi

Quando foi criada a Faculdade de Economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, prognostiquei que em breve marcaria época no país. Com Luiz Carlos Bresser-Pereira e Yoshiaki Nakano, a escola conseguiria definir uma síntese do melhor do pensamento econômico brasileiro – moldado ao longo das últimas décadas.

Da escola da Unicamp e da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), trouxeram os valores do desenvolvimentismo. Dos anos 90, os valores da estabilidade fiscal. Do governo Mário Covas, Nakano trouxe as mais bem sucedidas experiências de inovação tecnológica na gestão pública, até então. E estavam juntos em uma instituição – a FGV – que abriga a melhor escola de gestão pública do país.

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Além disso, não compactuava com alguns vícios do pensamento desenvolvimentista, de criar campeões nacionais a qualquer preço. Nem abraçava o radicalismo neoliberal contra a presença do Estado, ou seu oposto, a estatização a qualquer preço.

Além disso, contava com a objetividade nipônica, cirúrgica, de Nakano, um economista sem as firulas que caracterizam os cabeças-de-planilha e com rara capacidade de identificar os fatores essenciais de uma política econômica.

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Um ex-economista da FGV-SP – Guido Mantega – acabou alçado a Ministro da Fazenda, mais por seu histórico com o PT do que com a FGV. Mas as decisões de política econômica adotadas – devolvendo o ativismo à Fazenda – foram muito mais uma reação à crise de 2008.

A eleição de Dilma Rousseff mudou o panorama e permitiu a consagração dos princípios defendidos pela Faculdade de Economia.

Enquanto Ministra de Lula, sabia-se da formação de Dilma Rousseff, aluna de Maria da Conceição Tavares na Unicamp. Mas pouco se sabia sobre o conjunto de princípios que norteariam seu governo dali por diante.

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Uma a uma, as teses da FGV-SP foram se impondo, deixando  mais claro uma identidade de pensamento que Dilma já trazia desde os tempos em que modelou o novo sistema elétrico.

Gradativamente começou a jogar na perna do investimento a responsabilidade pelo crescimento. Reforçou o papel regulador do Estado, enquadrando as agências. Ao mesmo tempo, reabriu as parcerias público-privadas e as concessões públicas – mas sem abrir mão do controle regulatório.

Em setembro do ano passado, deu início ao lance mais ousado, que foi detonar os fetiches em torno de juros elevados. O Banco Central reduziu em 0,5 ponto a Selic – contra todas as apostas do mercado, e venceu.

Depois, mais dois lances capitais para ampliar a competitividade da economia. O primeiro, a redução nas tarifas de energia elétrica, em um setor há tempos acomodado com altas margens de lucro, altas distribuições de resultado e altas tarifas.

O segundo, o início do desmonte da estrutura de títulos públicos herdada do período da hiperinflação, com títulos de longo prazo sendo remunerados pela taxa diária de juros.

Por trás dessa aposta fundamental, reuniões periódicas com dois economistas que aprenderam a chutar a gol: Delfim Neto e Nakano.

Realiza-se, assim, a profecia sobre o papel a ser exercido, no país, pela Faculdade de Economia da FGV-SP.

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