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Economia

Coluna Econômica

O negócio da telefonia

por Luis Nassif publicado 05/12/2012 09h47, última modificação 06/06/2015 19h24

O encontro da ex-Telefonica (atual Vivo) com a imprensa, na terça-feira 4, permitiu um bom quadro do que está se tornando o negócio da telefonia.

Os avanços tecnológicos, especialmente na internet, mudaram totalmente o foco das telefônicas. Ligações telefônicas acabaram sendo superadas pelas ligações pela web, seja computador-computador ou computador-telefone. Há anos se previa o fim gradativo da DDI (Discagem Direta Internacional) e mesmo do DDD (Discagem Direta à Distância). Os aparelhos celulares acabaram se tornando mais relevantes do que os próprios serviços de telecomunicações.

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A grande transformação das companhias tem se dado explorando algumas vantagens comparativas: suas redes de fibra ótica, o fato de controlarem a chamada última milha (isto é, o contato direto com o consumidor final) e, de certo modo, as linhas de transmissão de dados e voz.

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O modelo de negócios da Vivo provavelmente é o mesmo de outras grandes empresas de telefonia nacionais e internacionais.

O ponto central da estratégia é uma infra-estrutura cada vez mais ampla de cobertura de celular junto com backbones - redes de fibra ótica colocando as ligações no mundo da internet.

A Vivo cobre 3 mil municípios com rede 3G e tem 30 mil quilômetros de fibras óticas de alta velocidade unindo o país.

A partir dessa base, há o desenvolvimento de aplicativos de todas as espécies, de games a serviços especializados de saúde, educação etc.

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Um dos serviços é o Kentoo, de ensino de línguas através do celular, tablets e PCs. Oferecem-se cursos de inglês, espanhol, italiano e francês com cerca de 3 milhões de cadastrados. Com o professor Pasquale, passou a ofertar cursos de português, adaptados à nova ortografia. São mais 300 mil clientes.

Montou uma biblioteca virtual com 6 mil, títulos de livros, além de serviços ligados ao celular, como o Vivo Som Chamada (com 6 milhões de cadastrados) ou o Vivo Torpedo Voz, que transforma a fala em mensagens por torpedo.

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Há iniciativas também na área de pagamentos. Um acordo com o Paypall (mais conhecido serviço de pagamento da Internet) permite pagamento de recarga; e com a Mastercard, um sistema de recarregar celular com dinheiro, podendo pagar os estabelecimentos através da rede do cartão.

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Montaram-se também parcerias com grandes seguradoras, para venda de seguros com a marca da Vivo.

De certo modo, repete-se (no ambiente virtual) o modelo de negócios dos supermercados com suas gôndolas. Há contratos com fornecedores que permitem a venda de produtos variados com marca própria.

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Nas casas com banda larga, haverá o fornecimento de programas de TV no modelo "on demand" - aquele que o cliente aluga filmes ou assiste mediante assinatura mensal.

Parceria com a Microsoft permitirá um sistema de gravar filmes em um cômodo da casa e passar nos demais; ou imagens em ultradefinição, interatividade com Facebook e Twitter e demais sistemas da internet. No lançamento, um estoque de 3 mil filmes a serem ofertados.

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Outro campo de negócios será no chamado M2M, acesso direto a máquinas, o que permitirá oferecer medidores de energia, de água, em um modelo semelhante ao chamado "smartgrid" das elétricas.

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