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Economia

Brasil-China

O nacionalismo voltou

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 23/08/2010 00h05, última modificação 27/08/2010 13h12
O capital de olhos puxados assusta a Fiesp mais do que jamais o fez o de olhos azuis. É uma oportunidade para discutir os planos do País
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Steinbruch receia que os investimentos da China sirvam ao país deles. Tem razão, mas o mesmo vale para os outros.

O capital de olhos puxados assusta a Fiesp mais do que jamais o fez o de olhos azuis. É uma oportunidade para discutir os planos do País

Os industriais brasileiros mostram-se incomodados com a concorrência dos produtos da China há tempos, mas a recente manifestação de Benjamin Steinbruch, dono da CSN, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, ex-controlador da Vale e herdeiro do Grupo Vicunha, sugere que a preocupação mudou de patamar.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada em 22 de agosto, apela ao governo para restringir os investimentos chineses em setores estratégicos – nomeadamente, em reservas minerais e terras. Segundo Steinbruch, seu grupo, encarregado da execução (muito atrasada) da estrada de ferro Transnordestina, quis comprar terras para plantar grãos no trajeto da ferrovia e encontrou grandes propriedades tocadas por chineses no interior do Piauí e de Pernambuco. Teme que a China compre reservas de minério no Brasil e, sendo o principal cliente do setor, quebre os competidores ao fixar o preço que lhe convém. E reclama que a concorrência dos chineses é desleal, porque possuem apoio maciço de seu governo: “É o Estado, não a iniciativa privada”, cita o jornal. É provável que fale não só em seu nome, mas também no de outros industriais – e a preocupação não é de todo descabida.

O governo brasileiro estava disposto a atender parcialmente à queixa: no dia seguinte, o presidente Lula aprovou um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) que esperava por uma decisão há dois anos, devido ao receio do governo de afugentar investidores em tempo de crise mundial. Com isso, aprovou limitações à compra de terras por estrangeiros, que ficarão limitadas a 50 módulos de exploração indefinida (250 a 5 mil hectares, dependendo da região) e não poderão ocupar mais que 25% da área de um dado município. Reverteu-se decisão de FHC, que, em 1998, com base em parecer da mesma AGU e a justificativa de atrair investimentos externos, liberou totalmente a compra de terras por estrangeiros, sujeita a restrições desde 1971.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 611, já nas bancas.